HÁ 28 ANOS, BLAZE BAYLEY ASSUMIA OS VOCAIS DO MAIDEN, MAS ESTA HISTÓRIA TRAZ MUITO MAIS DO QUE ISSO

 Em 12 de janeiro de 1994, o até então desconhecido Blaze Bayley assumia oficialmente o posto ocupado por Bruce Dickinson desde 1982. Blaze recebeu a notícia um pouco antes do natal de 1993. Este foi um natal ao qual o músico passou sozinho bebendo uma champagne em seu apartamento e, na ocasião, pensava no que estava por vir, ele sabia que estava diante da chance da sua vida, sabia que a partir do novo ano que se aproximava nada seria como antes, mas ele não tinha a mínima idéia do que realmente aconteceria…

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Nossa história começa alguns anos antes disso e, neste conto, Blaze é apenas um coadjuvante.

Em 1990, ao mesmo tempo em que o Maiden lançava o não tão popular “No Prayer For The Dying”, onde tentavam uma volta às raízes e apresentavam uma sonoridade mais crua do que o habitual, o vocalista Bruce Dickinson surpreendia positivamente com o lançamento de seu primeiro disco solo, “Tattooed Millionaire”. Já em 1992, mesmo com “Fear Of The Dark” fazendo grande sucesso na mídia mainstream, Bruce estava decidido que queria trilhar caminhos diferentes do restante da banda e avisou seus colegas em uma reunião ocorrida no início de 1993 que deixaria seu posto mas cumpriria as datas da turnê.

Steve Harris recebeu muito mal a notícia, mas o gerente Rod Smallwood entendia que perder o talento de Dickinson naquele momento seria saudável para que a banda se reestruturasse. Ele chegou a comentar o seguinte (prestem atenção nesta citação!):

“QUANDO ELE (BRUCE) ME CONTOU, NÃO DISCUTI MUITO. FOI BOM PARA NÓS. ISSO REORIENTOU AS COISAS.”

Bruce Dickinson queria ser o dono de sua carreira, queria ter a sua banda e queria tomar as suas decisões. No Maiden isso jamais seria possível e ele sabia disso. Além do mais, era notório após seu álbum solo que ele tinha um mercado promissor em que poderia experimentar musicalidades novas fora daquela caixa do Heavy Metal em que o Maiden estava enquadrado. “Balls To Picasso”, o primeiro registro lançado fora da Donzela, trazia o cantor expandindo seus horizontes musicais. O trabalho foi bem recebido inicialmente e a balada “Tears Of The Dragon” se tornou um hit, mas foi só.

Já o Maiden, tinha muito trabalho pela frente e um problemão para lidar. Steve Harris vivia o seu inferno pessoal. O baixista passava por um divórcio, lidou muito mal com a saída de Bruce Dickinson da banda e ainda haveria a morte de seu pai. Com tudo isso, é sabido que Harris ligou para Blaze Bayley logo após a saída de Bruce e o convidou para um teste. Para surpresa geral, Blaze negou o convite se dizendo feliz com a sua própria banda, o Wolfsbane.

Mais tarde, Bayley contaria que se arrependeu logo após desligar o telefone:

“EU DESLIGUEI O TELEFONE E PENSEI: ‘SEU MALDITO IDIOTA. ERA O MAIDEN… STEVE HARRIS AO TELEFONE E VOCÊ RECUSOU. SEU MALDITO… IDIOTA!“

Foi neste ponto que o Iron Maiden resolveu criar uma espécie de concurso mundial para escolher seu novo vocalista e, apesar de muita gente jurar de pé junto que o tal concurso não passou de uma farsa, Harris conta:

“NÓS OUVIMOS TODAS AS FITAS QUE RECEBEMOS. ACHO QUE FOI UM DOS TRABALHOS MAIS DIFÍCEIS QUE JÁ TIVEMOS QUE FAZER. FORAM CERCA DE 1500 FITAS.”

E um dos poucos cantores que realmente agradaram Steve Harris foi Doogie White, que chegou a ensaiar com o Iron Maiden um set baseado nos álbuns “A Real Dead One” e “A Real Live One”. Mas acontece que Blaze Bayley percebeu que toda a sua lealdade ao Wolfsbane não estava valendo de nada, pois a banda estava se desintegrando por divergências musicais. O próprio gerente da banda disse para o vocalista que ele deveria ligar para Steve Harris e avaliar as suas chances. E foi o que ele fez.

O baixista do Wolfsbane, Jeff Hateley, comentou o seguinte:

“É CLARO QUE SABÍAMOS QUE O MAIDEN ESTAVA INTERESSADO, E ASSUMIMOS QUE ELE FARIA UM TESTE PARA ELES, QUERO DIZER, QUEM NÃO FARIA? MAS TENDO ESTADO EM UMA BANDA COM BLAZE POR QUASE UMA DÉCADA, NÓS CONHECÍAMOS SEUS PONTOS FORTES E FRACOS, E NÃO HAVIA COMO ELE FAZER JUSTIÇA ÀS MÚSICAS DA ERA BRUCE DICKINSON, MAS ELE PROVAVELMENTE SE SAFARIA COM AS COISAS DE DI’ANNO.”

Steve Harris recebeu muito bem a ligação de Bayley e, apesar de ter ótimos nomes interessados no posto, resolveu que seria o vocalista do Wolfsbane o cara certo para o posto. Harris disse o seguinte em uma entrevista:

“BLAZE É O QUE EU TINHA EM MENTE PARA DEFINITIVAMENTE EXPERIMENTAR. EU SEMPRE SENTI QUE BLAZE PODERIA SER O ESCOLHIDO. PARA SER HONESTO, ALGUNS OUTROS MEMBROS DA BANDA NÃO TINHAM TANTA CERTEZA. ELES SABIAM QUE ELE ERA BOM NO PALCO, E ACEITARAM TUDO ISSO, MAS NÃO TINHAM CERTEZA SE SUA VOZ SERIA ADEQUADA AO MAIDEN.“

Como podem ver, os próprios companheiros de Blaze sabiam que ele não conseguiria cantar as músicas de Bruce Dickinson com a competência necessária. Ele também não era uma unanimidade entre os integrantes do Iron Maiden, mas era uma aposta tresloucada de Steve Harris, que bancou o cantor e pagou para ver.

Como todos sabem, os dois registros que compreendem esta fase dividem as opinões dos fãs da Donzela até hoje. Com o tempo, “The X-Factor” acabou ganhando um apoio maior, mas “Virtual XI” é considerado um dos discos mais fracos já gravados pela banda e nem o hino “The Clansman” sendo tocado até hoje com performance estonteante de Bruce faz com que o álbum receba um pouco mais de prestígio.

Contudo, mesmo em meio a revolta de muitos fãs, o que tirou Blaze Bayley do Iron Maiden não foram os registros em si, mas sua performance ao vivo cantando os clássicos da era Dickinson. Estava escrito nas estrelas que seria assim.

Falando em Dickinson, após o modesto sucesso de “Balls To Picasso”, o cantor resolveu se jogar de cabeça nas experimentações do Rock/Metal alternativo e acabou se dando muito mal. “Skunkworks”, disco de 1996, foi um fiasco frente ao público headbanger e mostrou para Bruce Dickinson que se ele quisesse ter algum tipo de êxito com sua carreira solo, precisaria retornar ao Heavy Metal que o consagrou. Mais ainda, fez o cantor começar a cair em si e perceber que o seu sucesso era atrelado ao nome Iron Maiden e, fora do Maiden, ele era apenas o ex-cantor da banda. Tanto isso era verdade, que mesmo com Blaze desagradando a imensa maioria dos fãs, os shows seguiam lotados, o Maiden continuava sendo o headliner dos grandes festivais e a instituição mostrava-se forte e resiliente.

Bruce Dickinson enfrentava todas as mudanças da indústria musical, porém sem a estrutura de uma grande banda. Devemos nos lembrar que nestes tempos não se vendia mais álbuns como nos anos 80 e início dos anos 90, havia o problema da pirataria e com a internet se estabelecendo, os downloads se tornaram um novo desafio a ser vencido. Bruce se aliou ao guitarrista Adrian Smith, que também estava mal das pernas, e juntos, partiram para o tudo ou nada. “Accident Of Birth”, de 1997, e “The Chemical Wedding”, de 1998 melhoraram as coisas e agradaram aos fãs antigos do Iron Maiden, mas ainda era muito pouco.

Para se ter uma idéia do tamanho reduzido de Bruce Dickinson na cena Metal no final dos anos 90, em 1999 o empresário do cantor pediu para que o Angra convidasse Bruce para uma participação especial em um show na França pois isto seria bom para a imagem de Bruce. Na época, os brasileiros estavam estourados internacionalmente e faziam shows sold out na Europa.

Do outro lado, podemos afirmar que, neste ponto, qualquer um que assistisse a um show do Iron Maiden com Blaze Bayley sabia que o vocalista não duraria mais muito tempo. E realmente não durou. Steve Harris logo entraria em negociação com Bruce Dickinson e o traria de volta juntamente com Adrian Smith.


Bem, se verdades são feitas para ser ditas nós estamos aqui para dizê-las. Aqui vão algumas:


1 – O Iron Maiden precisava de Bruce Dickinson e Bruce Dickinson precisava ainda mais do Iron Maiden.

2 – Blaze Bayley fez o que qualquer um faria, agarrou a chance da sua vida e deu o seu melhor.

3 – Infelizmente, o melhor de Blaze não foi o bastante para o Iron Maiden.

4 – Felizmente, Blaze demonstrou ser um cara realmente batalhador e digno. Jamais deixou que o Iron Maiden se tornasse uma sombra em sua vida, nunca ficou falando besteiras ou causando polêmicas na mídia e seguiu sua vida.

5 – Sua carreira solo é excelente e, nela, o vocalista finalmente conseguiu mostrar tudo o que não conseguiu no Maiden.

Concluindo, Rod Smallwood parecia ter a visão minuciosa de tudo o que aconteceria e, obviamente, estava certo quando disse que a saída de Bruce seria boa para o Iron Maiden. Deixar Bruce partir naquele momento foi crucial para que o mesmo percebesse que precisava do Iron Maiden. Assim como tirar o Iron Maiden da zona de conforto também foi extremamente proveitoso para que hoje a engrenagem esteja funcionando tão bem. No final, todos ganharam, até mesmo o coadjuvante Blaze, que ganhou uma carreira solo que jamais aconteceria sem a sua passagem pela banda.

Fonte https://www.mundometalbr.com/ha-28-anos-blaze-bayley-assumia-os-vocais-do-maiden-mas-esta-historia-traz-muito-mais-do-que-isso/



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2 comentários:

  1. "1 – O Iron Maiden precisava de Bruce Dickinson e Bruce Dickinson precisava ainda mais do Iron Maiden." Não estou tão certo quanto a isso, mas sem dúvida concordo que a necessidade era mútua.
    Blaze, apesar de ser um vocalista comum, pelo menos tem vergonha na cara, muito diferente de um tal de Paul Di'Anno.
    UP THE IRONS!

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