Lira’s Avenue: Por dentro do mais completo livro sobre o universo Maiden

 

Por Ricardo Lira

O livro MAIDEN AVENUE, em pré-venda atualmente, tem lançamento previsto para o final de outubro deste ano. O livro aborda mais de meio século de eventos musicais relacionados à Donzela e está dividido em 2 volumes. O Vol. 1 aborda o período de 1964 a 1999, e o segundo o período de 1999 a 2021.

 'Senjutsu', o 17º álbum de estúdio do Iron Maiden já está disponível para pré-venda na Amazon Brasil. Garanta já o seu, CLIQUE AQUI!

 

“Mas Harris tinha apenas 8 anos de idade em 1964! Como isto é possível?”, perguntou uma desavisada quando bateu os olhos na propaganda. Respondi educadamente que o livro não tratava de expandir a biografia para quando Harris esbarrou nas cordas de um ukulele pela primeira vez (sei lá se isto aconteceu), mas de quando Maidens mais velhos do que ele, tiveram seus primeiros grupos já na pré-adolescência. É neste tipo de árvore genealógica que a trama mergulha.

A Consultoria do Rock me convidou para falar sobre o livro, como ele foi pensado, processado, e como um esforço de anos encontrou finalmente as vias da publicação em território estrangeiro.

Muitas pessoas me conhecem dos tempos do Orkut, quando eu ainda fazia parte do tumultuado grupo Iron Maiden Brasil, com seus quase 200.000 inscritos, e depois criei um grupo emancipado chamado Iron Maiden Pub – que até hoje mantenho no Facebook. Dentre tantos posts, conversas e debates, acabei ganhando o apelido de ‘Lirapedia’ (pelo Douglas Ono, se me lembro bem) talvez pela quantidade de informações relevantes que fazia com que os membros interagissem cada vez mais. Era uma época em que pessoas demonstravam interesses mais genuínos, e um dia chegaram a me perguntar se eu escreveria um livro sobre o Iron Maiden. Recebia sugestões e chegou um momento em que comecei a amadurecer a ideia, abrindo um doc qualquer e inserindo uma série de informações pertinentes aos grupos paralelos ao Iron Maiden, incluindo o mesmo.

Quando comecei eu só tinha uma imagem na minha cabeça: a árvore genealógica de Pete Frame – aquela que saiu no CD A Real Dead One, em 1993. Aquilo era apenas uma pequena parte da magistral arte dominada pelo velho Pete, e sempre procurei saber o que existia além daquelas quatro margens do papel. Havia algo ali… Aquele pôster não estava sendo honesto comigo. Devia haver diversas outras bandas e projetos, e pelo que vim a saber depois era verdade! Por mais que muitas dessas bandas, a respeito de Samson, A.S.a.P., Praying Mantis, Urchin, High Roller, etc. não fossem exatamente HM, elas me pareciam bem interessantes. Nenhuma parecia ser problema. Se não se conectavam comigo na parte musical, me atingiam em algum ponto do arco histórico. O fato é que, quanto mais eu sabia de uma mais eu queria desatar os nós históricos, os “não sabia disso”, os mistérios intrincados, e até os becos-sem-saída que simplesmente me impediam de prosseguir.

Em sua 1ª. versão o livro se chamava NO MATTER HOW FAR, e por volta de 2011 ou 2012 fiz minha primeira tentativa de lança-lo com uma equipe de colegas. Sorte minha a iniciativa não deu certo, pois o livro era muito primitivo perto de como ficou anos mais tarde. E depois ainda descobri que o escritor Stjepan Juras já havia planejado um livro de mesmo nome! Essa não… “Escuta Stipe, você vive praticamente do outro lado do globo (Croácia). Quem foi o iluminado que te informou que eu tinha escolhido este exato título?”. Ele ficou como: “O que? Eu não sabia de nada, juro. O meu projeto é para os fãs e ele já está pronto, cara. Não posso mudar o título dele agora”.

                                           Uma das capas produzidas para a 1ª. versão do livro

Ele estava certo. E eu cada vez mais próximo de perceber que ainda estava no início de um enorme projeto; ainda havia muito o que ser feito além de mudar o nome (alterado para MAIDEN LEGACY). Eu o fiz passar por uma reestruturação total. A principal delas foi a divisão por décadas, depois as indexações, a retirada de assuntos supérfluos, e finalmente a divisão de algumas bandas que passavam por estágios de diversos tipos, e simplesmente não podiam ser descritas de forma contínua, como foi o caso de Bruce Dickinson, o próprio Iron Maiden, Killers, Samson, Praying Mantis, Battlezone, entre outras.

Tudo foi melhorando enquanto ao mesmo tempo é necessário lidar com um volume monstruoso de informações, imagens, perguntas e respostas, e o interminável acerto de informações que jazem há muito tempo enganadas. Algo que inclusive considero um dos grandes trunfos deste livro, já que acertos trazem informações à tona, fazem novas conexões, e permitem que o fã veja coisas com outra perspectiva. É por isso que a propaganda do livro é mais voltada para o fã pesquisador/colecionador, que já carrega uma bagagem com uma infinitude de itens e artigos sobre o Maiden e as bandas relacionadas, pois ele é um tipo que já se insere nas mudanças. O livro, é claro, é aberto a todo tipo de público.

Bandas e formações (marcadas por Mk)

                                                                Mais bandas e formações
 

Começando nos anos 60, o leitor confere pela primeira vez a real pré-história do Iron Maiden, numa época em que seus membros mais “dinossauros” tocavam aos 12-13 anos em grupos com amigos do colégio. Época em que ninguém sequer sonhava com uma carreira musical, quem dirá uma nota na imprensa (talvez em periódicos locais). O que se sabe nesta fase vem basicamente, como diriam os ingleses, “from the horse’s mouth”, ou seja, diretamente dos Maidens ou dos membros de uma dessas bandas, se você tiver a sorte de encontrá-los. Posso garantir que com alguma insistência isto foi possível, inclusive fotos da época(!), e aproveito para comentar sobre um acerto feito já nas primeiras linhas desta memorabilia, referente às bandas The 18th Fairfield Walk e Peyton Bond (de Nicko). As biografias até hoje colocam como se a primeira tivesse virado em algum ponto a segunda, o que não é verdade.

Seguindo pelos anos 70, já começa a surgir no horizonte aquelas bandas que nos são menos transparentes, e elas vêm com uma miríade de informações quentes que antes se resumiam a uma ou duas linhas em artigos e biografias. Também grupos que nunca imaginamos existir e outros que viveram na obscuridade por muito tempo – como o Warlock, a V1 e a Marshall Fury – recebendo um foco de luz direcionado e mostrando suas formações, entre músicas do repertório. Claro que ainda assim sobraram ossos duros de roer que se mantêm incompletos e quase isentos de informações até hoje. Não se pode ter tudo, certo?

O Iron Maiden surge então na cronologia ao final de 1975, depois de já termos passado por várias bandas, e o primeiro bloco contém todas as formações com Paul Day e Dennis Willcock, assim como o Samson, mais à frente, mostrando em seu primeiro bloco toda a fase de Clive Burr até a entrada de Thunderstick (antes da chegada de Bruce). As décadas seguintes começam a contemplar bandas tentando se manter em um mercado que muda drasticamente em termos de produção e estética de palco, buscando por vezes o Japão como mercado alternativo, ou supergrupos montados em estúdio para vender projetos nostálgicos, ou, na mesma esteira, eventos de caridade mostrando artistas unidos cantando em prol de algum resgate humanitário. Nos anos 2000 e 2010, Maidens como Paul Di’Anno e Blaze Bayley praticamente abandonam o velho estilo de banda em turnê para estabelecer uma carreira solo modular que passa a contar com bandas de apoio em certos países. Mesmo sem a pompa & circunstância das grandes turnês de outrora, uma série de novos eventos, participações e reuniões surgem, sendo a pandemia praticamente o único evento capaz de frear tamanha atividade. E mesmo assim há de convir que algumas plantas ainda crescem entre as rochas…

Anos antes do livro passar a se chamar MAIDEN AVENUE, uma capa foi ilustrada contendo todos os 23 integrantes da banda em uma espécie de avenida londrina. No momento em que eu e Stjepan Juras – famoso autor croata da série de livros discográficos da Donzela – firmamos um acordo de publicação, concordamos também em inserir alguns detalhes finais na capa.

Inspirada no LP Chapman-Whitney Streetwalkers, de 1974, o livro acabou atraindo tanto a atenção dos fãs, que fomos obrigados a incluir pôsteres para os primeiros 200 compradores!


Esperamos que você curta muito este trabalho (que até o momento desta publicação não tem distribuição nacional) e não o deixe descansar 1 minuto na estante do quarto. Que ele possa abrir seu leque de conhecimento sobre este gigantesco e intrincado universo Maiden repleto de bandas, projetos, participações e eventos.

Explore um novo mundo escondido nesta misteriosa avenida!

 

MAIDEN AVENUE: THE IRON MAIDEN GENEALOGY IN PERIODS AND FORMATIONS [1964-1999]
Editora: Firma Books
Ano: 2021

Site p/ compra: maidencroatia.com/avenue


 Fonte: https://www.consultoriadorock.com/2021/08/17/liras-avenue-por-dentro-do-mais-completo-livro-sobre-o-universo-maiden/

 

 

Sobre Iron Maiden Brasil

Iron Maiden Brasil

1 comentários: