[ ANDRE MATOS ] - Fatos envolvendo a participação no concurso de 1993


Há exatamente um ano, perdíamos uma lenda. Confesso que mesmo hoje em dia, a ideia de que André Matos não mais está conosco no plano terreno me custa a entrar na mente. Nesse tempo desde sua partida precoce, muitas homenagens e materias especiais estamparam meios de comunicação em todo o planeta. Contudo, pelo fato de André ter tido um papel fundamental em minha formação musical, admito que essa matéria a qual vos trago hoje demorou a sair por conta de se emocionar sempre que me lembro dele. Mas com a certeza de que a obra dele é imortal, e de que ele não gostaria de tristezas no atual momento, vamos ao que interessa. Como foi o envolvimento de André Matos no famoso concurso para substituir Bruce Dickinson no Iron Maiden em 1993?

A relação de André Matos com o Iron Maiden remonta a época do Rock In Rio I. Naquele oceano de mais de 300 mil pessoas, um jovem de 14 anos assistia o épico show da World Slavery Tour, e se já era fã da Donzela, aquele momento serviu para que André fundamentasse ainda mais sua paixão pela banda. Quando o Viper foi formado, era vísivel a vontade de André estar sempre parecido com Bruce Dickinson. 




Daquele 1985 até 1992, ano que Bruce anunciou a saída do Iron Maiden, muita coisa aconteceu na vida de André. Vamos aqui a um rápido contexto daqueles primeiros anos da década de 90. O Angra, nova banda de André, já nasceu de certa forma grande. Havia um belo staff por trás, formado por nomes consagrados da imprensa musical, especificadamente da revista Rock Brigade. E é aqui que já antecipo as fontes de minhas informações. Esse mesmo staff ficou bem próximo da galera de uma banda local, o Beowulf, a ponto de antecipar certas informações, como por exemplo, que uma nova banda seria formada e teria André Matos. Como André tinha chamado a atenção mundial de maneira positiva com sua passagem no Viper, a expectativa era enorme. Quando a demo "Reaching Horizons" saiu, o sentimento de vê-lo de volta para a música, e em alto nível, foi reconfortante demais.




Do outro lado do Atlântico, Steve Harris anuncia que um concurso mundial seria feito para a escolha do novo cantor. A escolha seria em etapas. Inicialmente os candidatos enviariam fitas com seus dotes vocais. Nesse primeiro momento, cerca de 1200 fitas foram enviadas. A fita enviada para a avaliação de André foi justamente a demo "Reaching Horizons", pela assessoria de imprensa do Angra. Passando dai, os escolhidos teriam que enviar uma segunda fita, mas dessa vez, cantando músicas do Iron Maiden. Para essa segunda etapa, cerca de 10 brasileiros receberam a notícia de que passaram, inclusive (e obvio) André. Só que essa segunda fita, ao que tudo indica, nem ele, nem assessoria nehuma mandou. 

O que acontece é que todo mundo que tinha um pouco de bom senso sabia que o novo cantor do Maiden seria um britânico. Inclusive o próprio André sabia disso. É preciso deixar claro que André não teria dificuldades nenhuma em cantar os clássicos do Iron Maiden. Mas era fato que o nacionalismo de Steve iria prevalecer. Lendo e / ou ouvindo entrevistas de André sobre o concurso, percebe-se que ele nunca entrou em maiores detalhes. Ele estava muito empolgado e focado com o Angra. Não faria sentido, por mais fã que ele fosse e sabendo que não seria escolhido, ele mandar a fita. Só que a coisa soou na época como uma estratégia de marketing por parte dos empresários. Resumidamente o sentimento foi: "vamos enviar a fita. Se porventura ele vier a ser escolhido, o Angra será conhecido como a banda que revelou o novo cantor do Iron Maiden. Não sendo escolhido, o Angra será lembrado como a banda cujo vocalista chegou perto de entrar no Iron Maiden". Voltando para as etapas do concurso, depois da segunda fita, 8 a 10 cantores (todos britânicos) foram pré selecionados e três fizeram ensaios e gravações com a banda. Então, podemos dizer que André ficou, por escolha própria, na primeira fase, descartando aquela conversa de que ele teria ficado entre os "cinco finalistas".


A história depois disso todos sabem. Blaze Bayley assumiu os vocais do Iron Maiden, não somente pela voz, mas também por motivos além do "universo vocal" e o André nos brindou com obras primas como "Angels Cry" e "Holy Land" ou ainda "Ritual" no Shaman e o excelente projeto "Virgo". Anos depois, fazendo uma análise dos fatos, chego a conclusão de que as escolhas feitas de ambos os lados foram mais que acertadas. No fim das contas, foi-se a figura do homem, e surge a lenda. Que a obra de André Matos seja lembrada como fruto de um profissional dedicado e perfeccionista e apreciada ao longo dos tempos. Long Live Maestro...

Sobre Alexandre Temoteo

Alexandre Temoteo

1 comentários:

  1. A escolha do Blaze Bayley pelo Steve Harris foi mais que acertada por facilitar - e muito - a decisão pela volta de Bruce Dickinson. Não que Bayley seja um mau vocalista, mas não tem como compara-lo com o Dickinson.

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