[ IRON MAIDEN ] - Can I Play With Madness - análise do vídeo clipe


Texto originalmente escrito por Anderson Frota para o site Roadie Metal

Os integrantes do Iron Maiden nunca se furtaram de demonstrar o quanto sentem orgulho de suas origens inglesas. E poucas coisa são tão facilmente associáveis a cultura britânica quanto a trupe de humor Monty Python. Nã há dúvidas de que os integrantes da banda são fãs do sexteto, chegando a, indiretamente, incluí-los em suas apresentações, com a inserção da música ”Always Look On The Bright Side Of Life” no encerramento de seus shows. Essa canção, retirada da clássica comédia “A Vida De Brian”, é apenas um exemplo, mas o Maiden viria a interagir mais diretamente com o universo do Python por ocasião da produção do clipe para “Can I Play With Madness”, do álbum “Seventh Son Of A Seventh Son”, de 1988.

O clipe já é mais do que conhecido e a banda não participa diretamente dele, surgindo apenas brevemente em imagens retiradas do vídeo de “Live After Death” e do clipe de “The Number Of The Beast”.  A história segue os passos de um rígido professor que, depois de repreender um aluno que desenhava figuras do Eddie no caderno, cai em um buraco, onde descobre diversos pergaminhos antigos e permanece por lá, perdido para sempre. O papel do professor é desempenhado por Graham Chapman, integrante do Monty Python.

Chapman tinha o privilégio de interpretar sempre os personagens principais nas produções do Python. Foi Brian, em “A Vida De Brian”, e Rei Arthur, em “Monty Python Em Busca Do Cálice Sagrado”. Atuar no clipe foi uma de suas últimas atividades profissionais, visto que, pouco tempo depois, ele cairia debilitado pelo câncer que o acometeu, e que lhe levaria a óbito, no ano seguinte, em 1989. Sua presença, porém, não foi o único link entre as partes, pois a direção do clipe ficou por conta de Julian Doyle.

Doyle, que no futuro também viria a realizar clipes de Fish e Kate Bush, fazia parte da equipe técnica que trabalhava nas produções do Python. Além de agir por trás das câmeras, ele teve oportunidade de fazer uma pequena ponta em “Monty Python Em Busca Do Cálice Sagrado” no papel de um sargento de polícia. Doravante, ele integraria as equipes de produção de filmes de outro ex-Python, o diretor Terry Gilliam, fazendo o trabalho de edição em “Brazil, O Filme” e “Os Bandidos Do Tempo”. Dirigir “Can I Play With Madness” não foi o final de seu relacionamento com o Iron Maiden, pois ele acabou por se tornar um colaborador próximo de Bruce Dickinson, dirigindo não apenas os clipes das músicas “The Tower” e “Killing Floor”, de sua carreira solo, como também assumindo a condução do filme “Chemical Wedding”, de 2008, roteirizado por Dickinson e narrando uma história envolvendo a figura do ocultista Alesteir Crowley.

O vídeo de “Can I Play With Madness” não está entre os melhores do Maiden, tratando-se de uma produção que, com boa vontade, pode ser considerada apenas mediana. Uma fotografia mais apurada poderia ter melhorado o seu resultado, mas, pelo menos, podemos destacar algumas primeiras tentativas de animação com a figura de Eddie. Torna-se, porém, icônico, pela presença de Chapman e pela antológica música que lhe motivou a criação.



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Alexandre Rodrigues Temoteo

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