Bruce Dickinson: Quanto melhor músico você é, o mais fácil é fazer música porcaria e sem alma!


Shad, do programa de arte e cultura Q, da CBC Radio One, recentemente conduziu uma entrevista com o vocalista do IRON MAIDEN, Bruce Dickinson. Você pode assistir ao bate-papo agora, no vídeo abaixo. Um par de extratos retirados da conversa (transcrito pela BLABBERMOUTH.NET).

Sobre os temas líricos cobertos no novo álbum do Iron Maiden, “The Book of Souls”:

Eu não acho que poderíamos ter entrado em grandes conceitos... Bom, nós não entramos em grandes conceitos neste álbum. Cada música tem seu próprio mundinho. E há apenas dois de nós na banda, realmente, que escrevem as letras – eu e Steve (Harris, baixista do Iron Maiden). Então, geralmente, se o Steve co-escreve uma música, ele tende a escrever a letra, a não ser que ele co-escreva comigo, porque neste caso eu provavelmente irei escrever a letra, ou talvez iremos escrever entre nós dois, ou o que seja. Então, quatro de dez ou onze músicas tem minhas letras, e o resto delas são do Steve. Você sabe, suas letras têm mudado com o passar dos anos, e, obviamente, porque eu as canto, eu notei que o jeito que ele usa a linguagem tem começado a mudar, e quanto mais de natureza pessoal seus assuntos têm se tornado... tem uma certa nudez ali."

Eu acho, conforme vamos seguindo pela estrada – sim, estamos envelhecendo, e as pessoas ao nosso redor também – nós perdemos alguns amigos pelo caminho. Quer dizer, alguns se foram logo no começo – nos anos 80 – mas recentemente a taxa de perdas, infelizmente, tende a acelerar conforme você vai envelhecendo. E eu acho que as pessoas começam a pensar em sua própria mortalidade um pouco mais, e você começa a trazer isso para sua música um pouco mais. É como eu digo, eu não quero falar muito sobre as letras dele, porque são as palavras dele, mas eu as canto, então eu recebo um certo tipo de vibe delas, que é um pouco diferente neste álbum.

Sobre a evolução musical do Iron Maiden com o passar dos anos:

O problema é, quando você se acostuma a fazer parte de uma banda como o Maiden, e vê o que os músicos são capazes de fazer individualmente, quando eles estão apenas brincando e não sendo gravados, você pensa, ‘Uau! Tem muito mais coisa que nós podíamos fazer.’ É só uma questão de nos pegar todos ao mesmo tempo, no lugar certo, na hora certa, com o tipo certo de sentimento, e capturar isso. E este é o problema – álbuns não são lançados com tanta frequência ultimamente. Pegar todo mundo junto num mesmo lugar com o mesmo tipo de humor... E basicamente tudo se resume a isso. Se você olhar para o começo de carreira de bandas – quer dizer, todo mundo que... você sabe, as maiores bandas – eles lançaram um, dois, três, talvez quatro álbuns, talvez o mais rápido possível, esse tipo de coisa – se eles realmente forem bem sucedidos – esse será o alicerce para os próximos vinte e cinco anos, se eles durarem tanto tempo; eles ainda vão estar tocando algumas dessas músicas vinte e cinco anos depois, porque é isso. E depois disso, é extremamente difícil – fica exponencialmente difícil – criar aquele tipo de excitação."

"Então você pode esperar trinta anos antes de fazer outro álbum, ou coisa assim... Mas se você quer continuar fazendo álbuns, é muito difícil conseguir lidar com coisas que genuinamente parecem diferentes. Na maioria das vezes, é porque isso é sobre um estado emocional no qual todos tem que estar – todos tem que se trancar e estar em sincronia, e o som tem que ser certo e tudo tem que ser... para que você possa apenas tocar de um jeito especial que soe de modo relaxado e humano. É fácil fazer coisas, tipo, por números, e isso se torna mais fácil quanto melhor você é. Quanto melhor músico você é, o mais fácil é de criar música porcaria, sem alma. Se você pegar uma porção de garotos que estão tocando no auge de suas habilidades, haverá uma excitação e uma energia que sai deles que os velhos incompetentes no estúdio ao lado apenas não serão capazes de replicar. Então o segredo é, como você faz para que os velhos incompetentes no estúdio ao lado, que já têm todas essas marca, realmente consigam pegar a essência e o sentimento e a alma de volta? Quer dizer, no caso de alguém como os ROLLING STONES, eles levam seis meses para gravar um álbum... Nós realmente não podemos nos dar a esse luxo. Eu acho que poderíamos, mas, para ser honesto com você, eu ficaria entediado se estivesse fazendo isso – eu realmente ficaria. [Eu diria], ‘Falem sério, caras!’ Você sabe? Mas, nesse álbum, nós fizemos algumas coisas diferentes, mudamos um pouco a marcha do passo, uma mudança de atitude, uma mudança de estúdio... um ótimo estúdio, uma antiga vibe muito confortável... vibe antiga com muitas novas tecnologias disponíveis, mas estava tudo por trás das cortinas, então você podia apenas fingir que elas não existiam. Nós tínhamos até toca-fitas lá – daqueles bem antigos. Não haviam fitas neles, mas eles estavam lá, então você podia meio que olhar pra eles e pensar, ‘ah, eu me sinto meio estranho agora. Eu acho que estou de volta a, tipo, 1978.’ E isso só acrescenta à atmosfera como um todo.

O décimo sexto álbum de estúdio do Maiden – e o primeiro duplo – “The Book of Souls”, foi lançado mundialmente no dia 04 de Setembro, pela Parlophone Records (BMG, nos E.U.A.). O CD foi gravado em Paris, com o produtor KEVIN SHIRLEY, no final de 2014, com alguns toques finais acrescentados neste ano.

O Iron Maiden anunciou, em Maio, que os planos de turnê para apoiar o novo álbum não aconteceriam antes de 2016, para permitir a Dickinson tempo suficiente para se recuperar depois de seu bem sucedido tratamento contra o câncer.

Acompanhe a entrevista gravada:





Fonte: Blabbermouth

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