IRON MAIDEN: Panorama dos integrantes (1975 - 194) Part III

Por Lira do IMBPub

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Doug Sampson
Quando Steve Harris foi tocar baixo na primeira formação da Smiler, ele trouxe consigo o amigo Paul Sears, do Gypsy´s Kiss, um excelente baterista. Passado um tempo com a banda, por volta de 1974 ainda, Paul Sears sai e entra um camarada divertido chamado Doug Sampson. Dougie, como Harris o conhecia, não era um baterista tão bom quanto o anterior, mas fez amizade muito fácil no grupo e era focado no que fazia. Ele e Harris construíram uma amizade.

Quando Steve Harris decide sair do Smiler, ele convida Doug a se juntar ao seu novo projeto ainda sem nome. Apesar do que conta a história, de que o baterista teria recusado a oferta pra tocar em uma banda latina de nome Janski, existe uma versão não-confirmada que conta que Doug chegou a se juntar a Harris bem no início do Iron Maiden. Mas seguindo com a versão oficial, isso só se daria em 1978, quando após várias tentativas de unir a banda em 76 e 77, houve um último e derradeiro show onde Barry Graham xingou o público: “Parem de falar, seus bastardos!” e um desconsertado Wilcock diria algo como: “Uau, isso foi muito rude!”. O quarteto que era o Maiden não estava mais se entendendo e, Doug Sampson que assistia a isso, como assistiu outros shows da banda, teve com Steve e o baixista o chamou para completar um trio.

Com Dave Murray sendo o único a ficar, eles não se importaram de começar os ensaios sem um vocalista. Dougie era um baterista eficiente, como Harris já sabia, e as músicas passaram a ficar mais aceleradas e menores. Nesta fase muitos músicos foram testados, entre eles o cantor Terry Slesser, que cantou no Beckett, e o guitarrista Paul Samson, do Samson. Sem shows durante uns 6 meses, a banda consegue um novo vocalista, através de um contato, que vem de uma banda estilo punk. Seu nome é Paul Di’Anno. Um instante depois e entra também o guitarrista Paul Cairns, fechando um quinteto. Steve Harris decide enfiar os músicos dentro de um estúdio para gravar sua primeira demo. O estúdio, escolhido após ouvir uma demo da banda V1, que era de Dennis Wilcock e Terry Wapram, foi o Spaceward Studios.

No início de 1979, após as gravações em estúdio, o Iron Maiden estava de volta sob o slogan “The Prodigal Sons Return”, com uma formação totalmente nova do que o público conheceu, gerando bastante entusiasmo entre os locais. Rod Smallwood, que fora chamado alguns meses depois da banda ter voltado aos palcos, para vê-los tocar, viu uma banda com foco sempre em seu público. Usando basicamente coletes de camurça e calças de couro, apresentam-se em vários clubes arranjados por Rod. Mas a incursão causou algumas surpresas, uma delas descritas por Doug, que conta um episódio onde o Iron Maiden tocava em um bingo e eles tiveram que encerrar a primeira parte do set para deixar o jogo rolar. Voltaram pro hotel e, horas depois do jogo, voltaram pra terminar o set. Nesse mesmo dia, as pessoas dançaram twist ouvindo "Prowler"!

Presenciando por um lado a dificuldade de se manter um segundo-guitarrista, por outro Doug vê atrás de si o cenário tomar forma, com a máscara apática de Eddie envolto em um letreiro envolto por lâmpadas. Mas Dave Lights não o deixou só. Tomando da herança deixada por Dennis Wilcock, ele fez da máscara acima outra entidade que, através de um tubo, cuspia sangue, e pior: em cima da cabeça de Doug!

Sampson segura firme seu posto durante todo1979 e ainda grava com Tony Parsons duas faixas que sairiam numa coletânea chamada Metal For Muthas: “Sanctuary” e “Wrathchild”. Após uma gravação na BBC e a saída de Parsons, Sampson seguiu tocando com o quarteto, mas já à beira da exaustão próximo dos shows de natal. Segundo ele, muita junkie food, bebidas e cigarros.

Após assistir o lançamento do The Soundhouse Tapes uns bons meses depois de ter sido gravado e da ponta do sucesso começando a aparecer por atrás da montanha, Doug Sampson seguiu uma última vez no Wessex Studios para gravar faixas como “Burning Ambition”, “Transylvania” e “Running Free” (produzidas por Gus Dudgeon). A primeira sairia no compacto Running Free, em 1980. Mas até lá Doug já teria sido substituído, reclamando dos excessos que a não-declarada turnê trouxe. Em seu lugar entraria Clive Burr, que tocara no Samson.

Doug deixou a música por um tempo para trabalhar em uma corporação e sua história musical permanece bem obscura, com exceção de ter formado a banda Air Force com seu parente chamado Sam Sampson, em 1989. A Air Force tinha uma boa influência em rock do tipo Sabbath-Rainbow, mas os Sampson saíram depois de um tempo. E até agora não se sabe (pelo menos eu não sei) de outra atividade do baterista após isso.

Paul Di'Anno
Punk, heavy metal, membro de gangue, de banda, entre outros atributos não muito sociáveis, Paul Di’Anno teve um relacionamento tão bom quanto atribulado no Iron Maiden. O que é inegável é que ao mesmo tempo em que fez fama para si, fez para o Maiden. Nenhum outro membro esteve nessa freqüência antes. Em 1978, Paul, dono de uma ótima voz para o gênero, foi a peça-chave que abriu muitas portas para o Maiden, desde ser um frontman sem apelos, até mesmo sua imagem mais punk. Sem ser teatral como seu antecessor Dennis Wilcock, ele reservava o poder na imagem de uma forma diferente: cabelos longos, depois cortados, brincos, spikes, o chapéu-coco, a voz rasgante, o jeito agressivo de cantar (apesar de não se mexer muito). Esse era o Paul.

Vindo de uma banda local de Londres chamada Rock Candy, ele foi apresentado através de um amigo do roadie Steve Newhouse. Harris passou a conhecê-lo e o chamou para um teste. Em dezembro de 1978, a banda entrava em estúdio para gravar sua primeira demo. Faixas como “Prowler” e “Iron Maiden” viraram logo grandes sucessos; ao serem tocadas no pub Bandwagon, de Neal Kay, fizeram a banda acreditar que estava no caminho certo.

Começando um ano intenso de shows em 1979 e sendo assistido pelo novo empresário Rod Smallwood, a banda, com os dois Pauls (Di’Anno e Cairns) teve um início complicado pra se acertar. Enquanto Cairns não se dava bem no palco, Di’Anno podia ter sido preso por portar uma faca. Fora outros comportamentos no palco que precisaram ser ajustados, a banda assinou finalmente com a EMI um contrato que previa 3 álbuns (já planejados). Nossos prováveis: Iron Maiden, Killers e The Number of the Beast.

Em 1980, com Dennis Stratton e Clive Burr, a banda ganhou precisão e velocidade na execução das músicas. Abraçando de cara uma pequena turnê de bandas conjuntas do movimento NWOBHM, como Samson e Praying Mantis, Paul entra em estúdio pra gravar seu primeiro álbum homônimo. Nele, composições prévias de Paul junto a Harris: “Remember Tomorrow” e “Running Free”, misturando partes lentas com rápidas e upbeat. Seguiu-se a isso uma turnê com o Judas Priest, apresentações no Top Of The Pops (onde cantou inclusive “Women In Uniform”) e uma incursão européia. A banda passou a tocar em pubs mais importantes como o The Marquee Club, mantendo a casa sempre cheia. O ano foi um verdadeiro fenômeno até que problemas com Dennis Stratton acarretaram na saída do guitarrista.
Infelizmente com Paul Di’Anno as coisas não eram tão fáceis. O estilo rock star do crooner não acompanhava a agenda da banda, que mantinha compromissos cerrados com shows e ensaios. Nesses schedules, Paul, arrumava de ficar doente ou rouco, ou se drogava, ou alguma coisa pra irritar Harris e atrapalhar os esquemas do Maiden. As coisas começaram a ficar preocupantes, mas o vocalista seguiu participando do primeiro vídeo oficial Live At Rainbow (que estreava Adrian Smith) e gravando o segundo álbum da banda, Killers, que saiu em fevereiro de 1981.

Com Adrian Smith como segundo guitarrista, e dois monstros chamados Dave Murray e Clive Burr, Killers sai com grande vigor; a maioria das músicas foi trazida ainda do repertório antigo. O álbum passou a ser um fenômeno que existia no heavy metal e os fãs estavam contentes com a produção feita por Martin Birch. Ao se encontrarem no Battery Studios, Samson e Maiden trocaram material de seus próximos álbuns, o que deixou os caras do Samson de queixo caído (veio daí a história da duplicata “The Ides of March”).
“I want you to sing it for me!” – dizia Paul na abertura do Maiden Japan. As apresentações da banda em sua primeira turnê mundial, deixaria de olhos abertos os japoneses – fãs tão ardorosos que a banda teve que gravar um EP ao vivo chamado Maiden Japan. Na Killer World Tour as apresentações da banda ganham velocidade sônica. Jamais o Maiden teria esse pico novamente. Mas por trás das cortinas dos bons espetáculos existia um conflito entre a gravadora e banda devido a alguns cancelamentos. A discussão girava em torno do vocalista, tanto em relação a comportamento quanto ao próximo álbum, agendado para o ano seguinte.

O conceito do Number of the Beast já existia e várias das músicas que entrariam no álbum já tinham sido compostas (talvez desde 1980, acredito). Derek desenhara uma capa magnífica para o compacto de Purgatory, que era Eddie segurando o demônio que segurava Eddie. Rod pediu para ela ser guardada para o Number e Derek teve que fazer outra capa para Purgatory - uma com o demônio baseado no catalão Salvador Dali.

Se Paul tivesse lidado melhor com o Maiden, caberia a ele um espaço em 1982? Não era pra ser. Paul não se sentia mais à vontade com grandes shows, viagens e multidões. Tudo meio que foi definhando para o vocalista, apesar do sucesso, e ele precisou encontrar sua própria porta de saída. Para o Maiden, não foi possível nem terminar a turnê. Em setembro, um mês que, entre tantas coisas, tem o costume de mostrar renovação na arte e na moda, foi exigida a substituição de Paul Di’Anno por Bruce Dickinson. Durante o Reading Festival, evento cuja banda Samson se apresentara, Bruce, Steve e Rod tiveram uma conversa e, tamanha foi a pressa, que o vocalista pulou do Samson pra fechar as últimas datas da turnê Killer World Tour (a banda tinha tanta preocupação com a interpretação das músicas novas do Number, que não deixou pra Paul Di’Anno a tarefa de cantá-las ao vivo. Dickinson fez isso entre outubro e novembro).
Após o Maiden, Paul Di’Anno trilharia uma estrada de percalços com alguns pontos altos em sua carreira. Tentando sair da sombra do heavy metal, voltou à época dos pubs com sua banda Lone Wolf, que 1 ano depois virou Di’Anno. Essa experiência só não foi mais frustrante porque era seu nome que estava envolvido. A banda mesmo não tinha nenhum hit de sucesso e nada que chamasse tanto a atenção. Incluía teclados pop e rendeu um álbum. Janick Gers entrou no final da brincadeira, e depois ele e Paul foram parar no Gogmagog com outro ex-Maiden, Clive Burr, para formarem m "supergrupo". O fiasco rendeu apenas o EP I Will Be There. A partir disso, Paul passou os anos se equilibrando entre a Battlezone e a Killers, voltando à ativa com o bom heavy metal, tendo lá suas influências Maiden nos títulos (“Running Blind”, “War Child”) e voltando a tocar algumas do Maiden, ao vivo. Mas brigas e prisões envolveram Paul em um ritual intenso de mudanças de formação e direcionamento dessas bandas. Nesse ínterim conhece o empresário Lea Hart, que traz para o cantor novos projetos envolvendo vários outros artistas. Lea Hart inclui Dennis Stratton e Clive Burr em alguns desses projetos com nomes variados como True Brits e All Stars NWOBHM. Algumas músicas foram até parar no álbum solo de Lea Hart. Mas não fazem tanto progresso com isso quanto lançar esse montante de faixas em álbuns futuros pelos anos 90 (The Masters, Beyond The Maiden, etc.)

Saindo a década confusa que foi os anos 90, Di’Anno estava de volta com a Di’Anno, agora tendo brasileiros como músicos, e apostou em um relativo sucesso que também durou pouco tempo devido ao desentendimento entre membros e a distância dos mesmos. Killers foi então sua “nova” opção, mas seus antigos-novos integrantes deram de cara com um público desatualizado com seus álbuns prévios Murder One (1992) e Menace to Society (1994). Ademais, o Iron Maiden voltava à ativa com Bruce e Adrian, e Paul decidiu segurar no rabo do monstro rebelado como pôde. Voltado em grande parte para as músicas do Iron Maiden, entretanto, o repertório da Killers não era mais tão promissor como nos áureos tempos.
E apesar da promessa de um novo álbum, incluindo um acústico, a Killers (ou Paul Di’Anno & Killers) não passou do ao vivo e esquecido Live At The Whiskey.

Em 2002, o cantor grava com outra reformação da Di’Anno (e não Killers) o DVD Beast In The East. Seu livro The Beast também havia saído e, fora isso, nada de muito novo no front. Mais para o final de 2003, após muitas datas no Canadá canceladas, a Killers já entregava os pontos. Paul vinha experimentando com bandas de apoio em alguns países como o Brasil, México e Itália, como a Sexta 13 e a famosa tributo ao Maiden, Children Of The Damned. Saindo a Killers, Paul assumiu na imprensa que sua nova banda seria a Screaming Monkey, que nada mais era que o pessoal da Children Of The Damned. Um álbum foi prometido, mas acabou que nada foi lançado. A Screaming Monkey foi talvez a última banda fixa de Paul.

A partir de 2005, além da SM, Paul já estava às voltas com outras bandas de apoio, como a Burning Engines e a Up The Irons que o permitiram tocar em países remotos como Índia, Polônia, Bielorússia, Russia, Eslováquia, etc. Até hoje já se somam cerca de 50 bandas com as quais Paul já cantou. Uma maneira prática de viajar sem tanto custo. Mas não para a felicidade de muitos fãs que ainda o cobram por não ter mais uma banda fixa. A única exceção, pode-se dizer, foi a Rockfellas, banda que teve em 2008 com brasileiros, rendendo uma turnê de 3 meses com um repertório baseado apenas em covers.

Em 2010 Paul Di'Anno fez uma turnê em comemoração aos 30 anos do Iron Maiden, tocando todas as músicas do primeiro álbum. No ano seguinte, mantém a promessa e inclui também algumas outras do Killers, como "Purgatory". Faixas novas saem na Internet, algumas gravadas com a banda grega Prassein Aloga, mas não encontram um release definitivo.

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