REANIMAÇÃO APOS O "COMA" COM SENJUTSU - O NOVO DISCO DO MAIDEN NOS TROUXE A VIDA

 REANIMAÇÃO APOS O "COMA" COM SENJUTSU - 

O NOVO DISCO DO MAIDEN NOS TROUXE A VIDA


Veronica Mourao




Acho pretensioso falar de algo que entrou dentro de nós como uma injeção letal, mas com efeito contrário: A de nos fazer renovar e renascer das cinzas. Ainda estou sob efeito organico de Senjutsu. 

Mas vou tentar descrever as sensações empiricas, sobrepostas, e ate mesmo delicadas /sutis do album. Não será uma resenha cheio de recortes com comparações tecnicas, maso meu olhar de fã e o olhar sobre o sentimentos dos fãs que no dia 31 de agosto (já 1 de setembro na Europa) tiveram o vazamento das canções do disco e até hoje, dia 3 de setembro (lançamento oficial) ainda são sentidas por todos. AINDA PODEMOS VIVER.

Depois de Book of Souls em 2015, e a linda tour do disco, o Maiden poderia ter se apressado em construir logo um novo trabalho, mas encheram se de esforços para a majestosa e eficiente tour The Legacy of The Beast, já presumidamente com atenção à era tecnológica do anterior Eddie de Speed of light e depois o dos jogo para o celular. 

Legacy of The Beat Tour, nos deixou eufóricos com aquilo que mais nos entorpece a alma: Shows. Sentimos no peito o quão maravilhoso são as histórias temáticas dos discos antigos, das explosões e fogos e um cenário para nos tornar ainda menores do que somos diante da magnitude deles. SIMPLES MORTAIS.

Mas mesmo nessa tour, eles já estavam arquitetando as canções que presumidamente seriam logo lançadas, e quando estava ainda em vento em polpa, e o mundo girava em alta velocidade, a pandemia causada pelo Corona virus, nos fizeram PARAR. Mas não à eles...

Era preciso, seja por qual motivo o universo fazer isso: Nos colocar todos confinados e presos em casa, apenas no contacto excessivo das redes sociais, sem podermos ir à shows, overs, e viver ocmo antes. E nunca mais será como antes. ESTAVAMOS QUASE MORTOS

Mas os nossos mestres do Heavy Metal, com uma grande equipa de produtores e profissionais, podiam sim, realizar com tempo o sonho de um novo disco de forma discreta num estudio em Paris, e finalmente concluir de forma remota a pos produção do album.

O resultado veio lento, e o coração da gente ficou ansioso. Uma ansiedade que passou pelo medo de nunca mais ter um trabalho novo. Eles já nao sao novos, e o COVID poderia atingir alguem. Até atingiu, mas OS DEUSES NÃO MORREM

Desde o dia 15 de julho nossas almas estão em parafuso. Quando The Writing on The Wall foi lançada, antecipada por um suposicao de que Bellshazars Feat poderia nos trazer um album conceitual, e nos remeter algo como Powerlave. 
Mas de repente, veio então a inusitada animação de um single que fala dos impérios e dos "vagabonds"; todos nós, vitimas do poder e lá no final do video uma maça de adao e eva, nos trouxe o RENASCIMENTO outra vez. A esperança aconteceu dentro do nosso coração e sim, nos vertemos em conjuto por todo o mundo uma lágrima de esperança. Estavamos juntos, meus amigos.





Mais tempo se passou e Stratego vinha a ser algo como continuidade daquilo que ja sabiamos, um disco chamado SENJUTSU. Um eddie a la guerreiro japones, que ate nos remete um pouco aquela epoca do lançamento de Killers no Japao, ainda com Dianno (a foto apenas) Mas não! 

Stratego veio como porrada cavalgante de Harris e um som tão entusiasmado que nos tirou do lugar.  SENJUTSU é uma "puta" colcha de retalhos! Isso é o mais sensacional.

Quando finalmente, depois de pre compras, sonhos e imaginacoes sobre o novo trabalho, SENJUTSU é lançado, nós ficamos bloqueados. Uma avalanche de musicas espetaculares, organicas, com impressionantes acordes, solos impressionantes de Smith, e um Dickinson que renasce constantemente e que se renova, que se cria. E reviveu de um cancer e do COVID. 

Para mim, é muito precoce opiniões mais concretas e confiáveis sobre o que eu penso sobre este trabalho. Eu ainda estou em choque. Apaixonada, estarrecida. Nada obvio. Eles ainda conseguem nos supreender e nos levar em lugares que nenhuma banda nos leva. Isso tem 45 anos!

Eu vejo tanta coisa que nem sei opinar. Vejo o quanto eles apresentam itens diversos de todo um trabalho, de toda uma vida, refletidos num so disco. Por isso vou colocar pontos que considero alvo de reflexão para todos. Espero que seja justa com o pouco que já ouvi, pois eu ainda nao absorvi tudo!

- Musicas com inicios ineditos, memoráveis e com cargas de emoção. 

- influencias da carreira solo dos compositores, tal como Stratego, Hell on Earth (Harris) e TheWritting, e Lost in a Lost World (Bruce)

- Era Smith. Amamos todos os guitarristas (ou algum deles) mas nós sabemos que as guitarras que nos levantaram os pêlos veio do nosso solista lendário

- Days of Future Past tem muito do Maiden apos 2010
Death of the Celts e Darkest Hour nos tocam a alma. São tão profundas como estricnina na veia. 
Mas nós fomso injetados e estamos vivos depois de uma viagem sensorial

- A permanência das canções longas, e a diversidade de temas, como prova de que eles estão mais preocupados com as longas e harmonicas composicoes e o prazer de tocar,do que criar hits. Toda a vida deles, está condensada ali

-The Time Machine nos fizeram voltar la nos anos 90 e The Parchment nos leva aos solos imensos que muitas bandas tiveram nos anos 70

Tem mais? Sim. Mas ainda não sei dizer! ESTAMOS VIVOS!

Eu penso que tudo que gira em torno do Maiden tem algo como o desenho das nossas vidas. Eles sempre falam sobre vencer batalhas, e sobre aqueles que lutaram por nós. Durante todas essas décadas fomos levados à crescer com eles, a ter suas canções como inspiração de momentos de nossas vidas, e como várias vezes já mencionei...A religião Maiden, é infinitamente algo que não vamos conseguir abdicar na vida. Vamos viver tudo do inicio ao fim. E RENASCER nos shows ao vivo, onde milhoes de pessoas gritam e choram, e cantam...aos DEUSES DO METAL 

Sejam SENJUTSU, e lutem como uma guerreiro, com a esperança que eles nos dão todos os dias. De recomençar sempre. Não vamos cair, e ficar. Vamos sempre ter uma nova chance de algo mais, de levantar e seguir....como guerreiros orientais, a lutar até o fim.

Algum dia vamos falar mais sobre isso. Aumentem o volume e ouçam-no.
SENJUTSU NOS TROUXE A VIDA.




Sobre Verônica Mourão

Verônica Mourão

3 comentários:

  1. Sensacional!! Bela resenha!! Capturou mesmo a essência desse momento! UP THE IRONS!!!

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  2. Emocionado em ler tua resenha... eu apenas vou dizer que muitos se sentem assim, pois nossas vidas se confundem com essa jornada começada lá num cantinho da Inglaterra por uma nobre cara comum...UP THE IRONS!

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  3. Que resenha!
    Parabéns pela sensibilidade e beleza na escrita.

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