[Iron Maiden] - Steve Harris fala sobre as acusações de satanismo nos anos 80 e outros grandes assuntos da banda


Texto originalmente em inglês e adaptado do portal americano Miami New Times. Você pode acompanhar a matéria original aqui.


Em entrevista com a jornalista do ramo musical Wendy Rhodes, Steve Harris teve uma longa conversa em que abordou diversos assuntos, como as acusações de satanismo contra a banda, a turnê mundial Legacy Of The Beast Tour, a conquista do Grammy e muito mais! Acompanhe a seguir.


Foto: John McMurtrie

Iron Maiden e o Satanismo

Quando sua banda recebe o nome de um instrumento de tortura medieval, seu terceiro álbum é intitulado “O Número da Besta” e contém canções intituladas “Filhos do Maldito” e “Santificado Seja o Vosso Nome” e traz uma imagem de um demônio vermelho na capa, algumas pessoas podem acusá-la de ser satânica.
Essas pessoas não sabem brincar.
           
Foi apenas hilário; foi absolutamente hilário”, o fundador, baixista e compositor do Iron Maiden, Steve Harris, conta como Maiden revidou acusações implacáveis de satanismo após o lançamento do álbum The Number Of the Beast em 1982. "Foi tão ridículo que pensamos em fazer algo ridículo."

Então, no álbum seguinte do Maiden, Piece of Mind (1983), o baterista Nicko McBrain - um cristão convertido que vive em Boca Raton e é dono de Rock 'n' Roll Ribs em Coral Springs, ambas cidades da Flórida - gravou uma mensagem ao contrário na música “Still Life” enquanto imitava a voz do ex-ditador de Uganda, Idi Amin.
"O que é que não tem graça? / Não se intromete, você não entende", disse ele. E, para maior efeito cômico, Nicko arrotou.
"Não se intrometa com coisas que você não entende", diz Harris sobre seu significado.
"Nós achamos que as pessoas provavelmente não entenderão de qualquer maneira, e se o fizerem, elas darão boas risadas", acrescenta ele. "Funcionou, porque as pessoas não sabiam o que era. Essa é a voz disfarçada do Nicko - ninguém consegue entendê-lo nos melhores momentos".

São frequentes os casos de religiosos atribuindo mensagens satânicas ao heavy metal, mas nessa o Iron Maiden é quem se deu bem. O álbum The Number Of The Beast alcançou o primeiro lugar nas paradas britânicas, e a banda vendeu 100 milhões de álbuns ao longo de sua carreira, superando ícones do metal como Judas Priest e Black Sabbath.
Hoje, o Maiden possui três álbuns na lista dos "100 melhores álbuns de metal de todos os tempos" da Rolling Stone, dentre eles The Number Of The Beast - e seu suposto culto ao diabo – ocupando a quarta colocação.
Harris ri das alegações de satanismo, mas concorda que a banda evoluiu para uma entidade que transcende a música. O mascote do Maiden, Eddie the Head - uma figura macabra com olhos vermelhos e uma boca que cospe fumaça e sangue - aparece em shows e enfeita cada capa de álbum. Seu rosto estampa incontáveis camisetas, pôsteres e figuras de ação e é destaque nos jogos da banda.


Foto: John McMurtrie

A grandiosa turnê mundial Legacy Of The Beast World Tour

Mas além da parafernália, souvenirs e eletrônica, está a verdadeira razão pela qual o Maiden ainda lota grandes arenas em uma indústria amplamente dominada por shows ao vivo de hip-hop e electro: shows arrasadores!

"Em última análise, são as músicas", diz Harris. "O que temos é tão poderoso que se presta a muitas imagens diferentes ... Muitas pessoas estão dizendo que é o melhor programa que já viram".

A extravagância ao vivo desta turnê é baseada no jogo para dispositivos móveis da banda – Maiden: Legacy Of The Beast – no qual você acompanha Eddie enquanto ele viaja por diversos mundos no espaço-tempo. O espetáculo oferece pirotecnias de última geração, mosquetes, explosivos, uma réplica do avião de guerra Spitfire, um gigantesco Ícaro e lança-chamas.

Após finalizar a parte europeia da tour em 2018, que obteve sucesso absoluto e shows com ingressos esgotados, o Iron Maiden dará início ao primeiro show a etapa norte-americana da Legacy Of The Beast Tour no dia 18 de julho no BB & T Center em Sunrise, Flórida.

Harris diz que os fãs podem esperar clássicos como "2 Minutes To Midnight", "The Number Of The Beast", Run To The Hills", "Hallowed Be Thy Name" e "The Trooper", assim como os petardos " Flight Of Icarus ”,“ Sign Of The Cross ”e“ The Clansman ”.
O baixo estrondoso de Harris será, sem dúvida, um destaque e tanto para os antigos e para os novos fãs, que talvez nunca tenham experimentado cenas de palco tão inéditas e com músicas explosivas.


Foto: John McMurtrie

A importância de Steve para a banda e a relação entre os demais integrantes

"Eu não posso descrever muito bem, na verdade", diz Harris sobre o porquê de suas linhas de baixo serem uma parte tão inexorável do som do Maiden. “Eu acho natural escrever no baixo, e muitas pessoas acham isso muito estranho. Não é o jeito normal, e tira os outros membros da zona de conforto. Mas isso não é uma coisa ruim".

Steve Harris se lembra de um tempo em 1993, quando os companheiros de banda foram definitivamente retirados de suas zonas de conforto - e isso foi algo ruim. Bruce Dickinson, cuja voz operística havia se tornado sinônimo do som estridente do Maiden desde que ele se juntou à banda em 1981, subitamente desistiu, deixando o seu posto de vocalista da banda e consequentemente partindo para a carreira solo.

"Todos nós éramos ‘machos alfa’ e não estávamos nos comunicando, e acho que esse foi o problema", diz Steve.

Dickinson voltou ao Iron Maiden em 1999, e hoje a maturidade da banda provavelmente evitaria qualquer tipo de repetição daquele desentendimento, diz Harris. “Todo mundo apenas sentava e conversava sobre isso”, ele diz sobre quaisquer problemas que poderiam surgir. “Nós nos damos muito bem. Nós sempre nos demos muito bem. As pessoas enxergam além do que realmente existe”.


Foto: John McMurtrie

O prêmio Grammy 2011

O Iron Maiden angariou o Grammy 2011 de Melhor Performance de Metal com a música do álbum The Final Frontier “El Dorado”, deixando para trás bandas como Korn, Megadeath, Lamb of God e Slayer. Embora a vitória fosse uma honra, Harris diz que outras indicações para o Maiden, como "Blood Brothers", "Fear Of The Dark" e "The Wicker Man", poderiam ter sido mais merecedoras.

"Para ser honesto com você, acho que acabamos conseguindo com uma música que eu achei que não fosse uma das melhores", diz ele. "Eu não acho que nós realmente merecíamos isso, mas talvez um dos outros. Então foi um pouco inesperado, realmente".

A longevidade do Iron Maiden, a vida pessoal de Steve e sua visão sobre o Heavy Metal

Harris credita a longevidade do Iron Maiden em “anos e anos de estrada” e uma base diversificada de fãs pelo mundo todo, particularmente com maior devoção vinda dos fãs da Europa e da América do Sul.
Quando começamos, não estávamos pensando em ser uma banda global. Acabamos nos tornando isso”, diz ele. "Esse não era o objetivo para começar. Você apenas tenta coisas diferentes, e aqui estamos nós”.

Steve Harris, que nasceu e cresceu na Inglaterra, agora vive nas Bahamas. Ele se mudou para lá 12 anos atrás, depois de se apaixonar pelo país em 1983, quando o Iron Maiden gravou seu primeiro álbum nas ilhas. Eles iriam gravar mais três nas Bahamas também.
"Uma das razões para ir lá foi para me forçar a relaxar um pouco, mas eu não acho que isso realmente funcionou", diz ele, rindo. Ele também tem um condomínio em Fort Lauderdale, Flórida, e diz que gosta de fazer viagens rápidas.

Harris está feliz em ver os fãs leais do Maiden trazendo seus filhos e netos para shows e diz que o metal é um gênero sólido e fixo.
"As pessoas entram no metal e não se afastam", diz ele. "Eles podem ter famílias e se afastar um pouco, mas eles certamente não se esquecem disso".


Foto: John McMurtrie


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