STRANGER IN A STRANG LAND - Um dos clássicos de Somewhere in Time 1986

Um estranho numa terra estranha...

Somehwere in time tinha tudo para ser um grande momento da banda.

Vindo após o sucesso do World Slavery Tour e o primeiro Rock in Rio, o CD trouxe para o Brasil uma visibilidade nunca antes esperada que até então era mais focada em bandas como Kiss, Van Hallen, Queen.

A apresentação do Iron Maiden no Rock in Rio 85 espandiu todas as possibilidades de se conhecer o encantamento inimaginável de um incrível e emocionante trabalho do autêntico british heavy metal.

Os brasileiros estavam alucinados e aqueles rapazes cabeludos, que não eram de Liverpool mas de West London iriam mudar a vida de milhares de brasileiros que fizeram do próximo disco, um dos mais vendidos da história da banda no território nacional. Não há dúvidas que essa visibilidade veio disso.

Portanto, Somewhere in Time se tornou uma clássico de intensidade emotiva, e levou à muitos novos fãs a conhecerem as nuances de um trabalho que na verdade começou lá trás, em 1975 e adquiriu roupagens variadas na década de 70, e depois 80.



Era 1986 e Bruce já tinha 4 anos exaustivos de Iron Maiden, ainda que cheio de força e criatividade; mas o "chefe" Mr. Arry, queria algo mais que ele não podia oferecer naquele momento, então ofereceu uma grande oportunidade para o guitarrista Adrian Smith que foi responsável por pérolas deste disco.



Bruce não muito satisfeito executou no palco muito bem a performance de divulgaçao do disco mas aquele, a meu ver, foi o começo bem sutil de algo que 4 anos depois iria se tornar a primeira "perna" da sua carreira solo e então, sua saída da banda.


De todas as incríveis canções do disco, não há como escolher uma em especial como a "melhor" mas fiz questão de pinçar "Strange in a Strange Land" que tem uma incrivel sonoridade (alias o disco todo foi muito bem gravado); uma boa letra e é o melhor retrato daquele que foi uma parte criativa ao extremo da banda, inclusive nos inusitados figurinos exóticos de Bruce nos concertos, que vestia entre outras coisas mangueiras de luzes, colants e mangas bufantes.


No auge do sucesso da grande empresa de entretenimento de Steve, havia ali um olhar diferenciado para tudo que acontecia. O que eles estavam vivendo? Um sentimento de atemporalidade e de gratidão com tudo que estava acontecendo? 

Uma certeza inexplicável de que aquela banda perduraria seu trabalho para a eternidade.  

Alguém tem dúvidas disso?




Conheça Stranger in a strange land

Was many years ago that I left home and came this wayI was a young man full of hopes and dreamsBut now it seems to me that all is lost and nothing gainedSometimes things ain't what they seemNo brave new world, no brave new worldNo brave new world, no brave new world


Foi a muitos anos atrás que eu deixei meu lar e tomei este caminhoEu era um jovem cheio de esperanças e sonhos
Mas agora me parece que tudo está perdido e nada ganho
Algumas vezes as coisas não são o que parecem
Nenhum admirável mundo novo
Nenhum admirável mundo novo



Foi há muitos anos atrás que eles deixaram toda a segurança patética de suas vidas e tomaram os seus sonhos por algo que eles nem sabiam o que eram. E derepente o que está realmente acontecendo? O que estamos ganhando com isso tudo?

Night and day I scan horizon, sea and sky My spirit wanders endlessly Until the day will dawn and friends from home discover why Hear me calling, rescue me Set me free, set me free Lost in this place, and leave no trace

Stranger in a strange land Land of ice and snow Trapped inside this prison, yeah! Lost and far from home

Noite e dia procuro pelo horizonte, mar e céu Meu espírito vagueia sem parar Até que o dia nasça e os amigos de casa descubram porque Me ouçam chamando, me salvem Libertem-me, libertem-me Perdido neste lugar e sem deixar vestígios

Estranho em uma terra estranha Terra de gelo e neve Preso aqui nesta armadilha Perdido e longe de casa

Aquele sentimento de ter ido em busca de algo que se imaginou e na verdade o vazio do desconhecido e a constatação de algo que não se imaginou, fez com que aquele jovem de sonhos tivesse medo. Como um estranho, numa terra estranha. O risco de escolher algo estranho, diferente e sem saber as consequências está ali latente. Dando aquela mistura de dúvida, medo e o prazer da liberdade.

One hundred years have gone and men again they came that wayTo find the answer to the mystery They found his body lying where it fell on that day Preserved in time for all to see No brave new world, no brave new world Lost in this place, and leave no traceWhat became of men that started All are gone and their souls departed Left me here in this place So all alone

Cem anos se passam, novamente homens vem por esse caminho Para achar a resposta do mistério Eles acharam seu corpo deitado onde ele caiu aquele dia Preservado no tempo para todos verem Nenhum admirável mundo novo, nenhum admirável mundo novo Perdido neste lugar e sem deixar vestígios

O que resultou do que os homens começaram Todos se foram e as almas partiram Me deixaram aqui nesse lugar Então tudo sozinho

O que é o tempo e a descoberta do desconhecido? Não estamos sujeito à isso o tempo todo?

Stranger in a strange land


Land of ice and snow Trapped inside this prison! Lost and far from homeStranger in a strange land Land of ice and snow Trapped inside this prison! Lost and far from home

Terra de gelo e neve Preso aqui nesta armadilha Perdido e longe de casaEstranho em uma terra estranha Terra de gelo e neve Preso aqui nesta armadilha Perdido e longe de casa


O resultado de tudo isso é que a dúvida daquilo de que fantasiamos demais pode nos decepcionar, e entrar em terrenos desconhecidos nos deixa sujeitos à nos decepcionar na mesma medida que podemos ser surpreendidos com as melhores coisas. 

Qual o resultado disso, sem ter  correr riscos?
Não há.
Só sabemos o resultados das coisas quando emprestamos a nossa entrega e claro, se não formos ingênuos, estaremos preparados para todas as dores e alegrias.
Iron Maiden fez isso. 

Entrou de cabeça num sonho, viajou no Progressive, nas influências do Punk Rock, se arriscou ao universo do Heavy Metal. 
Atravessou momentos de temidas decepções, sofreu perda de membros, adquiriu novas características, e até mesmo recuperou coisas que pareciam irreparáveis. O resultado disso?
42 anos já se passaram e a banda ainda avança sem medo de errar.

Sendo sempre estranhos, em terra estranhas...
Novos temas, novas apostas e sempre no direito de TENTAR.

Que esses terrenos desconhecidos nunca deixem de ser explorados! 




Sobre Verônica Mourão

Verônica Mourão

3 comentários:

  1. Para mim, foi o álbum mais fraco do Maiden naquela época. A não ser a emoção de ser o "primeiro" álbum pós Rock in Rio, como mencionada na matéria acima, não vejo tantos motivos para vangloriar esse álbum. Não é que não tenham músicas excelentes, mas as "quantidade" de músicas "ruins" se sobrepõe às músicas "boas" que o álbum oferece.

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    2. Respeito sua opinião mas discordo frontalmente. Para a época em que foi lançado, Somewhere in Time foi ousado e inovador. Você se refere a "músicas ruins" mas não as cita. A meu ver é um álbum primoroso, muito bem gravado e que apresenta a banda em seu auge criativo. Adrian Smith compôs músicas belíssimas para esse álbum e registrou performances de bases e solos "matadoras". Dave Murray também registrou acordes excepcionais. Steve Harris e Nicko McBrain, impecáveis como sempre. Bruce Dickinson, mesmo exaurido pela turnê anterior, também registrou vocais incríveis. Um álbum que contém músicas espetaculares como Caught Somewhere in Time, Sea of Madness, Wasted Years, Stranger in a Strange Land, Heaven Can Wait e a épica Alexander the Great não pode ser considerado como "fraco".

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