Steve Harris: O Iron Maiden continua a expandir naturalmente seu som.


Voltando ao mesmo estúdio em Paris (Guillaume Tell Studios) usado para gravar “Brave New World”, em 2000, o Iron Maiden continua sua longa carreira de ícones do heavy metal ao terminar seu décimo sexto álbum de estúdio, “The Book of Souls”.

O lançamento de “The Book of Souls” foi atrasado em alguns meses por causa da recuperação do vocalista Bruce Dickinson (o vocalista foi diagnosticado com câncer de língua logo após o término das gravações do álbum). Felizmente, o cantor está se recuperando muito bem e a banda está pronta para lançar o CD juntamente com uma turnê.

A Goldmine falou com Steve Harris sobre o processo (entre outras coisas) pelo qual uma banda veterana tem que passar para ter tudo pronto para o lançamento de outro álbum poderoso.

GOLDMINE: Por que a banda voltou ao estúdio de gravação de Paris? Estavam tentando recapturar a mesma vibe de “Brave New World”?

STEVE HARRIS: Não, de jeito nenhum. Basicamente, nós sabíamos que era um bom estúdio. Nos sentimos confortáveis lá, anteriormente. Nós conhecemos o engenheiro de lá. Nós realmente gostamos do som naquela sala. E Bruce queria estar em algum estúdio próximo à Inglaterra, e aquela era a escolha óbvia. Não teve nada a ver com a vibe do álbum. Quando fazemos um novo álbum, não importa onde é feito. Mesmo se já gravamos algo lá antes, não faz a menor diferença para o novo álbum.

GM: Você disse que o processo de composição para este álbum foi revitalizante. Por que?

SH: Geralmente nós ensaiamos, que é onde escrevemos e ensaiamos e então gravamos depois, em outro lugar. Mas desta vez nós fizemos tudo em um único lugar, então foi bom porque nós escrevíamos, ensaiávamos e já a gravávamos na sequência. O que faz muito mais sentido, de várias maneiras. Quero dizer, nós realmente gostamos de fazer desse jeito. Mas eu acho que a maioria das pessoas sabem que estúdios são tão ridiculamente caros que a maioria das bandas ensaiava em uma sala de ensaios primeiro, e que isso era normal. Desta vez nós decidimos ir direto ao estúdio, e parcialmente porque haveria outra banda ensaiando (na sala de ensaios). Nós pensamos, não podemos estar em uma lugar para escrever o álbum e ter alguém ouvindo o que estávamos fazendo na sala ao lado, sabe como é (risos).  Então decidimos ir direto ao estúdio, que é mais privado. Foi ótimo. Eu acho que quando fizermos mais um álbum, vamos fazer a mesma coisa.

GM: A faixa de abertura, ‘If Eternity Should Fail’ lembra ao ouvinte a influência que as bandas clássicas de rock progressivo tiveram em sua composição. Nos anos posteriores, você acha que o Maiden se força criativamente, como aquelas bandas fizeram no passado – nada é barrado, é expansivo e aberto?

SH: Bem, este sempre foi o caso, na verdade. Nós sempre fizemos o que queríamos desde o primeiro álbum, então não há uma diferença. É só que temos alguma dificuldade em escrever músicas curta, hoje em dia. Eu não sei o porquê disso. É apenas o modo como evoluiu. Não há razão além do fato de que temos todos os tipos de influencias.  Algumas são progressivas. Mas não estamos tentando especificamente fazer nada além de escrever as músicas que sentimos serem certas naquele momento. Você sabe, nós nunca realmente sabemos que vamos escrever a seguir. O que é parte da excitação quando vamos fazer um novo álbum. Sem planos de batalha, apenas vamos e fazemos e o que sair, saiu. É apenas depois, quando fazemos entrevistas, que tentamos analisa-lo. Não analisamos o que fazemos. Apenas fazemos.

GM: Esse é um bom ponto. Nós faremos a análise.

SH: Sim, exatamente. É o trabalho de vocês, não o nosso (risos).

GM: Mas chegou ao ponto do Maiden poder finalmente dizer que eles expandiram para fora do gênero do metal, no qual a banda inicialmente foi colocada?

SH: De novo, eu acho que somos o que somos. As pessoas podem nos categorizar como quiserem, mas nós realmente não nos etiquetamos como sendo nada. É só isso.

GM: As músicas que você escreve… você é fã de histórias clássicas filmes. Quando criança, você fez eu me interessar por “Murders In the Rue Morgue”, do Edgar Alan Poe, e o filme “Where Eagles Dare”, por exemplo.

SH: Você tem que achar alguma coisa para se inspirar, para escrever bem. Você sabe, histórias fortes, poderosas, não importa de ondem elas venham, se são de livros, filmes ou pode até vir de um pedaço de jornal pode ser qualquer coisa que te inspire. Você precisa de algo para criar um cenário e o sentimento em uma música. Muitas pessoas me dizem que usaram a música “Rime of the Ancient Mariner” para passar em suas provas. Então, é uma coisa positiva.

GM: Vocês ainda têm força com o público jovem. A gente vê adolescentes vestindo camisetas do Maiden e do Eddie (mascote da banda) o tempo todo.

SH:É muito saudável conseguir fãs jovens o tempo todo. E geralmente nos concertos, os mais jovens são os que enlouquecem, e a audiência mais ficando mais velha quando se vai mais para o fundo. E é uma coisa normal. Se eu fosse a um concerto, eu não iria ficar na frente e enlouquecer, eu ficaria mais para trás com meus braços cruzados, mas ainda estaria me divertindo. Mas é excelente. É ótimo ver as gerações de fãs do Maiden, e você até tem algumas famílias que vão juntos – filhos, pais e, em alguns casos, até os avós. Eu acho que isso é inacreditável, de verdade. Eu acho que temos muita sorte, que realmente consigamos atrair audiências com idades tão variadas.

GM: E o Eddie tem o apelo fantasioso para a audiência mais jovem.

SH: Sim, quero dizer, ele sempre foi mais bonito do que nós, de qualquer modo (risos).

GM: Você alguma vez imaginou que o Maiden teria esse tipo de longevidade? Meu palpite é que sim, porque você sempre teve uma visão. Você sempre teve uma atitude positiva de que esta banda iria durar.

SH: Bem, eu sempre esperei que sim. Eu tenho sido citado como tendo dito que seria legal fazer quinze álbuns de estúdio. Eu me lembro de ter dito isso, e acabamos de fazer nosso décimo sexto álbum, o que é excelente. Mas, para ser honesto, nós não sabíamos que nossas carreiras iriam durar tanto, não. No começo, nós apenas tentávamos fazer o que todo mundo faz, que é tocar para o maior número de pessoas possível e fazer álbuns. E é só o que podemos pedir, de verdade. O fato de termos durado tanto tempo é incrível, que ainda estejamos fazendo isso. Eu acho que temos muita sorte em sermos capazes de dizer que ainda estamos fazendo isso.

GM: Tem alguma sorte envolvida, mas cada banda tem seu líder, e você sempre teve essa atitude de ‘aproveite o dia’.

SH: Você sabe, sempre tivemos uma atitude positiva. Igual à situação do Bruce... ele é uma pessoa muito positiva e ele sentia que iria sair dessa. E eu acho que esta atitude ajuda em todos os tipos de situação. É muito importante.


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Alexandre Rodrigues Temoteo

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