[PONTO DE VISTA] Estaria o Iron Maiden Se Limitando Ao “Mais Do Mesmo”?

Por: Murilo Araujo em parceria com Vinícius Brogiato exclusivo para o Iron Maiden Brasil

Olá, MaidenManíacos. Trago para vocês uma questão bem polêmica. Leia e reflita!

No dia 30 de Julho de 2015, faltando apenas 15 dias para o lançamento do single Speed of Light e faltando pouco mais de um mês para o tão aguardado lançamento do The Book Of Souls, o Iron Maiden nos deu um pequeno tira gosto do que podemos esperar para as próximas semanas.

Para promover a pré-venda do icônico álbum, a banda divulgou uma prévia de minúsculos 28 segundos (confira aqui) da música que, possivelmente, é a própria Speed Of Light, o que foi suficiente para incendiar a ansiedade de fãs pelo mundo inteiro. Isso causou e ainda está causando inúmeros questionamentos em relação à qualidade da canção, como será o todo dela, quem executa o solo e o riff do trecho divulgado, etc.

Não há como negar que, desde os álbuns feitos ainda na década de 90 -The X Factor e Virtual XI, com Blaze Bayley nos vocais- até os trabalhos lançados entre 2000 e 2010, contando com o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith, vocal e guitarra respectivamente, o Iron Maiden seguiu uma vertente mais progressiva, nada parecido com a pegada rápida e direta dos Anos Dourados. Isso abriu espaço para muitas críticas e julgamentos, dizendo que a banda havia perdido a inspiração, esquecido suas raízes e que tinham se acomodado, não querendo mais inovar ou arriscar coisas novas.

The Book Of Souls não fugirá disso, ainda mais agora que já temos informações sobre algumas das composições, a tracklist do álbum, o tempo de duração de cada faixa e diversas entrevistas sobre a obra. Mas isso significa que podemos afirmar aos quatro cantos do mundo que a banda liderada pelo grande mestre e baixista Steve Harris se limitou, de uns anos pra cá, a fazer somente o mais do mesmo?

Para responder a esta pergunta, darei uma atenção especial para o conceituado A Matter Of Life And Death, de 2006. Sendo um álbum conceitual que, consequentemente, exigiu uma responsabilidade maior por parte dos integrantes da banda para criar as músicas que correspondessem às histórias narradas, este carrega uma atmosfera nunca encontrada antes nos trabalhos da Donzela. Num contexto geral, as músicas possuem uma estrutura simples, mas riffs marcantes como em The Pilgrim, The Legacy e The Reincarnation of Benjamin Breeg, que fazem o álbum entrar em uma atmosfera apropriada para contexto, que foi narrado de forma brilhante, fazendo você leitor/ouvinte sentir o clima que cerca um ambiente imerso em guerra.

De todos os trabalhos feitos pelo Iron Maiden, podemos afirmar que A Matter Of Life And Death é, certamente, o mais progressivo de toda a sua carreira. Para muitos, o fato de ser progressivo, significa no máximo que é ‘suportável’, porém, não devemos deixar de reconhecer que este grande trabalho é carregado de muito conteúdo e peso, assim como os outros feitos também nos anos 2000. O que podemos então esperar do The Book Of Souls?



O que então esperar do The Book Of Souls?

Após fazer uma breve análise técnica sobre os quatro últimos trabalhos do Iron Maiden, em especial o A Matter Of Life And Death, procurando mostrar o ponto de vista em relação a atual fase da banda, partiremos aqui para um pensamento filosófico, psicológico e que envolve não só a vida dos seis integrantes da banda, mas a de todos nós, meros seres humanos!

O Iron Maiden é uma banda experiente, na estrada desde a segunda metade dos anos 70, a formação atual –e definitiva- da Donzela possui integrantes com idades entre 56 e 63 anos. A carga de conhecimento contida nessa mistura é incrivelmente gigantesca e assustadora, impressiona a qualquer um. Pense nisso, pense o quanto eles já viveram, desde o mundo mergulhado na Guerra Fria e posteriormente o seu fim, a queda do Muro de Berlim e união das Alemanhas, Guerra das Malvinas, a ascensão do Rock n’ Roll e suas vertentes e eles fazendo parte disso, a evolução da mídia, diversas Copas do Mundo de Futebol , e tantos outros acontecimentos que marcaram gerações, o mundo. Tudo isso teve influência na vida dos músicos da Donzela, e eles trazem isso até hoje. Suas composições são o reflexo disso

Aonde queremos chegar? Na experiência de vida. Eles nãos mais os mesmo jovens de 25 anos de idade que estavam em êxtase máximo para fazer a banda nascer e se firmar. A sociedade naquela época era mais conservadora, qualquer arte que fugia do aceitável causava um impacto estrondoso no mundo, não que hoje a sociedade já esteja livre de conservadorismo, há muita coisa pra mudar, mas na década de 80, qualquer música focada em criticar ou mostrar verdades, ideais, visões, etc., eram novidade e incomodavam muitos grupos. O Iron Maiden e tantas outras bandas tinham a fórmula certa em suas mãos.

Hoje a música não causa tanto impacto como antigamente, mas quem consegue compreender mais profundamente as composições, captam sua essência e tentam reproduzir isso para melhorar as coisas em sua volta. A Donzela de Ferro, com suas músicas, conseguem repassar toda a sua experiência a cada álbum novo, mantendo o seu foco de forma esplêndida. Suas letras continuam fortes, diretas e geniais. Seu instrumental é o reflexo do que já viveram e aperfeiçoaram. Regredir e voltar às origens, como muitos fãs desejam, seria como jogar fora tudo o que eles têm para nos ensinar. Seria incrédulo exigir sempre que uma coisa se repita baseando-se numa só coisa do passado, não acham?

Por isso afirmamos aqui que o Iron Maiden não está se limitando ao “mais do mesmo”. E respondendo sobre The Book Of Souls, digo apenas que devemos aguardar, calibrar as orelhas e mais pra frente se deleitar com um monstro que virá. O 16º será uma bomba de experiência que o Iron Maiden tem a nos entregar, músicas fortes e carregadas, a alma da Donzela estará lá. Esse será seu último trabalho de estúdio? Não sabemos. Mas se for, pelo menos ficaremos com o legado da maior banda de Heavy Metal do mundo e passaremos isso para futuras gerações e poderemos contar que acompanhamos a trajetória dessa Lenda.


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2 comentários:

  1. pelo trecho pude perceber q nao perderam sua identidade mas os arranjos ficaram mais cimplexos e evoluidos esse é o meu ver

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    1. Concordo contigo, os arranjos estão complexos e evoluídos. Mas inegavelmente houve a perda da garra que o Maiden norteava até Seventh Son. Porém, suas raízes ainda estavam presentes em No Prayer e Fear. Com o retorno de Bruce, um som mais progressivo começou a ser adotado em Brave. Será que esse "novo" rumo foi por causa do Blaze? Enfim... Dance, Matter e o fraquíssimo - para mim - Final, restou por sepultar o antigo Maiden. Espero que Book seja o resgate das raízes. Mas o fato da maioria das músicas serem longas me assusta. Isso porque Final foi terrível justamente pelas longas músicas. Um trabalho muito chato de se ouvir na íntegra.

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