Kerrang! : Matéria sobre o Iron Maiden e seu novo álbum - Parte I

Após muita dedicação por parte da equipe de redação do Iron Maiden Brasil Notícias, conseguimos ter acesso a Kerrang! da primeira semana de Julho de 2015 onde temos uma entrevista com Steve Harris (Nosso patrão!) sobre a situação atual do Iron Maiden e sobre seu mais novo álbum The Book of Souls.

Para compartilhar com os fãs do Brasil que não conseguiram ter acesso a revista estaremos publicando a entrevista que a Kerrang! fez com Steve divida em partes!


Confira!

Prefácio:
O mês setembro não é apenas um mês para marcar o lançamento de um "outro" álbum do Iron Maiden, é o mês para marcar o lançamento de uma lenda do metal, o mais ambicioso e, talvez, o seu álbum mais importante. Em uma entrevista mundialmente exclusiva, Steve Harris leva-nos profundamente para dentro do álbum The Book of Souls.

Entrevista:
Alguns telefonemas são mais importantes do que outros. Este é um deles, como prometido, o telefone da Kerrang! toca às 10h15min em ponto. Após responder, uma voz amigável, "Tudo bem, como você está?", vem do outro lado da linha, de fala mansa e tão distintamente do oeste londrino, você pode praticamente ouvir como uma mensagem de código postal, a voz é inconfundível. Tendo em conta que todas as coisas do Iron Maiden seja pessoal ou profissional tendem a ser encapsuladas em Steve Harris que é a voz que as pessoas sempre querem ouvir. Agora, em particular, no entanto, os fãs estão espumando pela boca para saber o que ele tem a dizer.

Menos de duas semanas atrás, o Iron Maiden anunciou um novo álbum que, assim como você e muitas pessoas devem lembrar em seu 15º álbum acharam que era o projeto final da banda. Foi um lançamento que alguns fãs temiam realmente escutar um temido “The Final Hurrah”, só que foi tudo bobagens e informações errôneas, realmente, não era?  

"As pessoas levam as coisas tão literalmente!" Steve ri. "Eu disse em uma entrevista, onde quer que fosse, em 1933, que nos faríamos 15 álbuns. E porque fizemos 15 álbuns, é como "Bem, é isso, então!". É como "Não! Isso era uma coisa boba, eu pensei que era uma boa referência para tentar chegar e, se nós podemos ir além disso, ótimo!".

Aqui estão os fundamentos que o mundo sabe até agora: O álbum do Iron Maiden #16 é chamado de The Book Of Souls. É o resultado de um processo de canções mais colaborativas, que se estende por 11 faixas e é composta de 92 minutos, tornando-se o álbum mais longo de seus 40 anos de carreira. É também seu primeiro álbum duplo, sem dúvida, porque ele contém 10 minutos mais e a faixa mais longa tem 18 minutos e um segundo. O fato de que este álbum está sendo também após a recuperação do cantor Bruce Dickinson de um pequeno tumor cancerígeno na parte de trás de sua língua só contribui para os inúmeros pontos de discussões.

Felizmente, pouco antes de sair de férias bem merecidas, Steve concordou em responder a algumas perguntas exclusivamente para Kerrang!  Ligando a partir de seu quarto do hotel, Steve colocou a placa de 'Não perturbe' na porta por uma boa razão e finalmente prestes a lançar alguma luz sobre a vida da banda em 2015.

"É muito melhor do que há dois ou três meses atrás, isso é certo", diz Steve. "Obviamente, agora Bruce está bem, queremos começar e estamos ansiosos para fazer muitas coisas no próximo ano. Suponho que há alguns meses atrás tudo era uma espécie de tristeza - toda a situação era terrível, obviamente. Agora é seguir frente e avante."

E para nós da Kerrang! que viramos a página de uma nova história no Iron Maiden e devemos ser os primeiros a folhear o livro das almas (The Book Of Souls) ...

A história começa em Paris. No final do verão de 2014, o Iron Maiden com Steve, Bruce, os guitarristas Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers, o baterista Nicko McBrain e, presumivelmente, Eddie, chegaram ao Guillaume Tell Studios localizado a cerca de 20 minutos de distância do estúdio Régio Cham onde o Maiden anteriormente gravou em 2000 o “neo-clássico” Brave New World com o produtor Kevin Shirley - o homem que supervisionou todos os álbuns de estúdio do Maiden nos últimos 15 anos, e agora eles emergiram com o registro mais longo de sua carreira, somando o longo fato, que, pela primeira vez na história da donzela, nem sequer cabe em um único disco.

"Todos nós concordamos” disse Bruce Dickinson no lançamento oficial do album The Book of Souls, “[que] cada faixa era uma parte tão integral de todo o corpo de trabalho que, se ele precisava ser um álbum duplo, então ele seria!”.

Esta decisão faz mais sentido quando você percebe e faz uma sondagem de algumas das canções e para obter algo firme sobre isso, você só precisa olhar - como frequentemente é o caso do Maiden - em suas obras de artes.

Se você passou os últimos quinze dias se perguntando por que o álbum se chama The Book of Souls e apresenta um Eddie tribal com um olhar latino americano na capa, é por uma razão muito boa.

"Bem ele é baseado nos Maias", revela Steve, referindo-se ao título do álbum. "Eles acreditavam que as almas vivem. Eles acreditavam em muitas outras experiências fora do mundo e dentro de seu mundo vivendo naquele momento. Há muitas coisas místicas acontecendo da forma como eles viveram suas vidas e acreditavam em diferentes deuses para isso, aquilo e aquilo outro. É muito fascinante.

Por que, especialmente, se a ideia de que se ir para o além do limiar da nossa própria experiência o intriga?

"Isso sempre aconteceu, realmente", observa Steve. “Acho que à medida que envelhecemos você pensa muito mais sobre várias coisas”. “Coisas assim acontecem com Bruce ou qualquer outra pessoa, e as pessoas passarão em por você - como estamos ficando mais velhos e isso acontece mais e mais. Eu sempre tive uma fascinação na mortalidade e coisas assim de qualquer maneira nas minhas letras, mesmo quando eu estava nos meus 20 anos. Houve sempre um fascínio com o que está lá fora, realmente, e se as pessoas continuam a viver depois.

Na verdade, em outro tempo e espaço, Iron Mayan poderia ter sido o nome da banda perfeita, dada a sua preocupação compartilhada com a alma. As pessoas podem achar nas músicas do Maiden como lidar principalmente com a guerra, história, política, mitologia e um caso muito particular de Benjamin Breeg, mas a alma sempre foi enraizada através de seus cenários temáticos. Na verdade, isso tem sido um grampo em algumas de seus melhores momentos - a alma estava pronta para 'fly away' em Hallowed Be Thy Name, queimou ‘in a lake of fire' em Can I Play With Madness, e foi necessário nenhuma oração em 2 Minutes To Midnight. Gaste muito tempo folheando o vasto arquivo de nossas letras e você vai realmente descobrir que Iron Maiden nunca gravou um álbum que não contém ao menos uma referência explícita à alma.

Curiosamente, quando se trata de presença desta palavra em particular no álbum The Book Of Souls, Steve observa que não é uma coisa premeditada. "Não é um álbum conceitual, mas há outras menções sobre esse assunto", ele confirma. "É estranho, porque quando fizemos o [1992] álbum Fear of the Dark, todos nós estávamos escrevendo em conjunto ou individualmente,  e “medo” foi mencionado algumas vezes sem ninguém estar consciente de que isso tivesse acontecido. Uma coisa semelhante aconteceu com este; há três ou quatro canções onde ele é mencionado. É estranho como se houvesse uma telepatia acontecendo entre nós".

"Então, novamente, isso é estranhamente apropriado que o Iron Maiden está fazendo alguns dos maiores questionamentos existenciais de suas vidas agora ..."


Fim da parte I.


Nota: O conteúdo da tradução foi adaptado da entrevista na revista Kerrang! nº1575, alguma falas do entrevistador e do entrevistado tiveram algumas modificações para contextualizar um melhor entendimento do assunto.

Sobre Danilo Pacheco

Danilo Pacheco

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