BLAZE BAYLEY: "Eu quis fazer algo simples, direto e honesto!"

Às vésperas de completar 49 anos, Blaze Bayley tem muita história para contar. Desde o sucesso com o Wolfsbane, que culminou com sua conquista como vocalista da maior banda de Heavy Metal de todos os tempos, Iron Maiden, até sua saída da banda após cerca de seis anos como frontman do grupo e o imenso respeito que conquistou ao longo de sua carreira solo, de "Silicon Messiah" (2000) até o mais recente "The King of Metal" (2012), fazem do Blaze Bayley uma das figuras mais significativas da história do Heavy Metal.
Em conversa durante a turnê européia, Blaze falou com exclusividade ao Road to Metal sobre seu novo disco, sua homenagem à nomes importantes do Metal que não mais vivem entre nós, Ronnie James Dio e Dimebag Darrel, planos para o Wolfsbane, Paul Di'anno e, claro, Iron Maiden!
Mas o que mais foi exaltado é o seu carinho pelos fãs, independente de tocar em grandes arenas ou em bares, apesar de toda dificuldade que passou na vida pessoal e financeira, mostram que Blaze Bayley é um vencedor e que deve isso aos seus fãs, retribuindo com sua grande personalidade e voz.
Confira tudo isso e muito mais nesta grande entrevista. Com vocês o "Messiah"!

Road to Metal: Em seu novo lançamento “The King Of Metal”, conta com duas músicas que homenageiam dois dos artistas mais importantes da cena Metal mundial que são os mestres Ronnie James Dio e o guitarrista Dimebag Darrel, como foi o processo de composição das musicas “Dimebag” e “The Rainbow Fades To Black”? E o que Dio e Dimebag representam para você?
Blaze Bayley: Ronnie James Dio foi uma das minhas maiores influências. Quando eu o vi cantando em Birmingham em 1993 foi quando eu tomei a decisão de que eu queria ser um vocalista de Heavy Metal e viajar pelo mundo. Antes disso eu gostava de cantar, mas eu apenas tinha um trabalho no turno da noite num hotel. Eu queria estar preparado para cantar com a mesma emoção e força que ele tinha. Dimebag foi uma influência no álbum “Sillicon Messiah”, porque o guitarrista que eu trabalhei, o Steve Ray, era um grande fã do Pantera. Ele sempre falava do Dimebag e nós conversávamos sobre como ele conseguia aquele som na banda com apenas uma guitarra. Ele era um inovador e para mim, como uma pessoa, um grande indivíduo. Ele estava dentro de todos os tipos de música. Ele não dava a mínima para o que as pessoas pensavam. Quando ele foi assassinado, eu tive a ideia de um refrão com o Oliver Palotai. Eu nunca gravei isso em um álbum e quando eu comecei “The King of Metal” isto finalmente veio a tona como algo grande de usar. Este é realmente o verdadeiro espírito que eu busquei ao começar. Uma imensa vantagem para mim é que tudo isto está muito longe da sua morte, de que as pessoas saberão que eu não estou tentando fazer dinheiro da morte de Dimebag. Este é um tributo do meu coração como um artista e um vocalista/compositor para uma pessoa genuína. Ele viveu sua vida como um músico.

Road to Metal: Recentemente, mais precisamente em Moscou, você dividiu o palco com outra lenda metálica, o vocalista Paul Di’anno, onde foram executados alguns clássicos do Iron Maiden. Como surgiu está oportunidade? E como foi para você esta apresentação?
Blaze: Eu conheço Paul há muitos anos e nós fizemos algumas turnês, festivais antes onde ambos tocamos. Alguém na Rússia teve a ideia de levar eu e Paul como um pacote e eu realmente gostei da ideia. Nós não havíamos feito algo assim ainda e eu senti que era o momento certo de fazer. Eu estou procurando um monte de novas pessoas. Paul é um cara engraçado e é divertido trabalhar com ele.

Road to Metal: Blaze, nos conte um pouco do conceito abordado nas letras em “The King Of Metal”, pois composições como “One More Step” além de ser uma bela balada, apresenta uma letra triste e emotiva, que conta com uma grande interpretação sua, nos passando uma emoção fora do comum.
Blaze: Eu quis fazer algo simples, direto e honesto. Foi assim como eu comecei “The King of Metal”. A faixa-título é dedicada para os fãs e é sobre os fãs serem estripados pelos negócios da elite da música. Isto é sobre as boas bandas sendo destruídas pelos negócios da música da elite. A música “One More Step” sinto que é a melhor música que eu já escrevi. Eu penso que esta é a música mais completa, mesmo não sendo uma música pesada e de vanguarda Heavy Metal. Ela é dedicada à minha companheira e minha filha. Numa época que eu estava passando pelas mais difíceis circunstâncias, eu tive alguém me ajudando. Em algum lugar eu queria ir, que era mais importante que eu. Mil, mil passos é cerca de 300 milhas. E é possível caminhar sete dias sem comida. Então, este é um dos comentários da canção.

Road to Metal: Após a turnê do álbum “Promise And Terror”, todos os músicos que lhe acompanhavam já alguns anos, foram dispensados, pois você teria decidido trabalhar com músicos contratados, como está sendo esta nova experiência?
Blaze: Ao fim da turnê de “Promise and Terror” eu percebi que eu não poderia continuar no caminho que eu havia feito as coisas. Eu sou um pequeno e underground vocalista de Heavy Metal, não um grande rockstar/superstar. Muitas pessoas sabem sobre mim e eu não vendo CD’s suficientes para sustentar uma banda de tempo integral. Eu tive a escolha de ser um vocalista e trabalhar com diferentes músicos ou eu tinha que parar. Então eu escolhi ser um vocalista. Eu preferiria ter uma banda em tempo integral, mas isto é muito libertador poder fazer um monte de projetos e trabalhar com pessoas diferentes. Se eu ainda estivesse em uma banda em tempo integral eu não poderia ter feito participação nos vocais com a Trooper e Lonewolf. Eu tenho sido capaz de dar às pessoas com um grande talento a oportunidade de serem ouvidas nos meus álbuns. Eu jamais iria voltar a ter uma banda em tempo integral. A coisa mais importante para mim é a música e os fãs.


Blaze com os novos membros de sua carreira solo. Foto de Robert Grabwelisk


Road to Metal: Você está no meio de uma turnê europeia. Temos notado que você varia o set list regularmente. Como você escolhe o set list e quais músicas você acredita que são as mais esperadas pelos fãs?
Blaze: Esta é uma pergunta que poderia ser respondida por você mesmo, pois você é o fã. Eu faço o que sinto ser a coisa certa, mas nunca se sabe. Alguém sempre pergunta sobre músicas que não estão no setlist. Eu tento variar tanto quanto eu posso. Eu queria fazer um monte de novas canções porque elas são bastante pessoais e significam muito para mim. As pessoas que tem ouvido o CD estão realmente entrando nas novas músicas e um monte de fãs tem dito que casam bem com as antigas canções no set.

Road to Metal: Conte-nos sobre o título do seu novo álbum, batizado de "The King Of Metal", que é em honra aos seus fãs de Metal. Como surgiu a ideia para este tributo, e você poderia nos falar sobre a capa do álbum, quando você aparece com uma coroa de espinhos de Metal?
Blaze: “The King of Metal” é dedicado aos fãs. Meus fãs e os fãs de Metal e as pessoas que vão ver as bandas tocarem ao vivo. Por muitos anos esta tem sido a atitude das bandas que deveriam ser assinadas. Isto é às vezes o mesmo que um contrato com o diabo. Você não tem nada para fazer o álbum, você não tira nada do álbum e eles não levam você à turnês. Um monte de pessoas talentosas que deveriam estar gravando nunca gravaram. Eu acredito que as gravadores estão distorcidas e as pessoas que ganharam poder na música sabem muito pouco sobre por quê os fãs gostam das bandas. E agora devido à internet e a mídia social, mais bandas tem tido uma nova chance do que antes. Este é o conceito sobre “The King of Metal”.

Road to Metal: Após o grande sucesso que gerou na internet o projeto The Nylon Maiden criado pelo guitarrista Thomas Zwijsen, você chamou Thomas para ser seu guitarrista de apoio na turnê de divulgação de seu novo álbum. Como surgiu a ideia de convidá-lo e existe a possibilidade de Thomas se tornar seu guitarrista fixo?
Blaze: Eu tive várias conversas com Thomas, nós conversamos muito quando nós estávamos em estúdio juntos. Nós temos a mesma atitude e valores para composição e pareceu muito bom. Ele é um músico muito talentoso e pode tocar bateria, piano e guitarra e eu realmente senti que ele é alguém que seria um grande triunfo compondo um novo álbum e ele funcionou muito bem.

Road to Metal: The X Factor é um dos álbuns mais injustiçados de toda carreira do Iron Maiden e também da história do Heavy Metal. Em minha opinião, ele é um álbum maravilhoso, sua atuação nele é fantástica, porém ele é extremamente denso e muito obscuro. Quais são os sentimentos e lembranças que lhe surgem ao cantar musicas como “Man On The Edge”?
Blaze: “Man on the Edge” é uma imensa canção pra mim. Se há uma música que eu possa dizer que mudou minha carreira musical essa deveria ser “Man On The Edge”. Eu não fiz nada de especial, eu escrevi o que eu sentia e eu trabalhei próximo com o Janick Gers e levei a ideia para o Steve Harris e ele gostou [nota do editor: guitarrista e baixista do Iron Maiden, respectivamente]. Foi incrível e para mim como um vocalista e compositor é uma experiência fantástica. Há uma enorme quantidade de grandes músicas e letras profundas naquele álbum e é um dos que eu tenho mais orgulho.

Road to Metal: Depois de longos 18 anos a banda Wolfsbane é reativada, qual o sentimento de lançar um novo álbum com está grande banda? Ela continuara na ativa? Se sim, podemos esperar mais um lançamento?
Blaze: Nós estaremos em turnê em outubro, nós vamos ver como isso vai ser. É muito difícil juntar todo mundo para uma turnê. Isto será principalmente pela diversão e nós aproveitamos a reunião. Nós vamos ver o que acontece no futuro.

Road to Metal: Ainda falando sobre a Wolfsbane, em 1994 quando a banda estava ganhando bastante destaque no cenário você foi chamado para integrar a banda Iron Maiden, como foi à decisão de sair de uma banda que começava a dar passos largos na cena, para integrar a maior banda de Heavy Metal do mundo?
Blaze: Foi horrível deixar o Wolfsbane, um dos piores tempos da minha vida. Eu sempre pensei que nós havíamos chegado ao topo com o Wolfsbane, mas eu estava errado. Eu estava muito excitado sobre juntar-me ao Iron Maiden também, claro!

Road to Metal: Blaze, para finalizar gostaria que você nos contasse seus planos futuros para 2012 e deixa-se um recado aos seus fãs.
Blaze: Um imenso obrigado a todos os fãs que tem me apoiado ao longo destes últimos anos. Eu tive um monte de dificuldades e mudanças na minha carreira musical e meus fãs tem ficado do meu lado. Eu espero que eles curtam “The King of Metal” e eu espero que eles entendam as letras. Um grande obrigado meu e da minha família para todos os fãs que me apoiam.

Fonte: roadtometal
Entrevista: Renato Sanson, Caco Garcia, Eduardo Cadore e Luiz Harley
Tradução/Edição: Eduardo Cadore
Revisão: Eduardo Cadore / Renato Sanson / Alexandre Ferreira
Fotos: Divulgação

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