IRON MAIDEN: equipe brasileira de produção do novo clipe falou com a ROADIE CREW

Após longos seis anos sem lançar trabalho inédito, sendo o último o álbum The Book of Souls, o Iron Maiden surpreendeu os fãs na última quinta-feira (15) com o lançamento de um novo single, The Writing on the Wall, que está disponível em todas as plataformas de streaming. Composta pela dupla Bruce Dickinson e Adrian Smith, produzida pelo renomado Kevin Shirley (Led Zeppelin, Aerosmith, H.I.M., Journey) e coproduzida pelo baixista Steve Harris, a música ganhou um intrigante videoclipe em formato animação, que você confere abaixo.



Repleto de easter eggs sobre a carreira do Iron Maiden e com um conceito visual apocalíptico que se desenvolve através de temáticas bíblicas mescladas a personagens políticos da atualidade, o vídeo de The Writing on the Wall surgiu a partir de uma história criada pelo próprio Bruce Dickinson, baseada na história bíblica de Belsazar e a escritura na parede (The Writing on the Wall), que está relatada no Livro de Daniel, no Antigo Testamento. Belsazar promovera um grandioso banquete, oferecido a mil nobres e ricos. Para servir aos reis, príncipes, suas mulheres e concubinas, Belsazar ordenou trazer os vasos de ouro e de prata que seu pai, o rei Nabucodonosor, havia tirado do templo da casa de Deus, em Jerusalém. Os convidados não apenas beberam desses vasos, como também louvaram a outros deuses. Naquele instante, escrituras surgiram nas paredes do palácio real através de uma parte de mão de homem que fora enviada por Deus. Tais escrituras só puderam ser decifradas pelo humilde Daniel, que revelara que elas eram profecias sobre a morte de Belsazar, o rei dos caldeus, que naquela mesma noite teve a sua vida ceifada por blasfemar contra Deus.

Para executar em animação o enredo desenvolvido por Dickinson, o vocalista contou com a parceria de dois premiados ex-executivos da Pixar, Mark Andrews e Andrew Gordon, que são fãs de carteirinha do Iron Maiden. De acordo com o próprio Andrews, o visual do vídeo foi inspirado nos filmes Mad Max e Planeta dos Macacos. Estúdios de animação de vários países se mostraram interessados no projeto do novo videoclipe do Iron Maiden, tendo sido BlinkInk o escolhido. O estúdio britânico tem como diretor de criação outro fã da banda, Nicos Livesey, e Alex Halley como produtor.

“Eu tinha uma ideia bastante clara do conceito para acompanhar a música e quando conheci Mark e Andrew no Zoom, rapidamente ficou claro que estávamos todos na mesma sintonia. E isso foi reforçado com a adição de Nicos e sua jovem equipe BlinkInk. Nossas reuniões semanais da equipe no Zoom geralmente eram altamente criativas e muito divertidas!”, declarou Dickinson. “Estou muito orgulhoso do resultado do vídeo, é mais como um curta-metragem. Eu soube que ia dar certo assim que Mark deu vida ao meu tratamento com seus incríveis storyboards – achei que poderíamos fazer algo muito especial juntos. Acho que fizemos sim e espero que nossos fãs concordem. Na verdade, (o vídeo) foi criado praticamente por fãs do Maiden!”, completou.

Livesey explicou: “Rapidamente, encontramos a ‘expertise’ que queríamos e as pessoas estavam literalmente se atirando em mim para trabalhar em um vídeo do Maiden. Tínhamos mais de 60 pessoas em 13 países, do Brasil à França e da Romênia aos Estados Unidos, para adicionar algo ao clipe, e eu diria que o amor, a paixão e a compreensão delas pela banda brilham em cada ‘frame’”.

Por falar em Brasil, os artistas Tiago Calliari (diretor de arte e visual development artist), Natalia Bacetti (concept artist e ilustradora), Fabio Alencar (marketing artist e freelancer) e Fabio Perez (concept artist e ilustrador freelancer), que trabalharam no vídeo como background painters, atenderam a ROADIE CREW com exclusividade e falaram sobre seu envolvimento na produção do vídeo de The Writing on the Wall.

Como se deu o convite para vocês participarem no desenvolvimento da animação para um novo clipe do Iron Maiden?

Tiago Calliari: Fui indicado por um amigo que é diretor do estúdio Zombie aqui do Brasil, e após isso a BlinkInk, que foi a produtora responsável por esse projeto, me contatou para me convidar.

Natalia Bacetti: Recebi um e-mail misterioso do produtor Alex Halley, da BlinkInk, sobre um trabalho de background painter para um clipe de “uma banda muito grande de heavy metal”. Ele mencionou que fui indicada pelo meu amigo Tiago, com quem trabalhei no ano passado em um projeto similar, e que se eu aceitasse o trabalho e assinasse o termo de confidencialidade ele poderia dizer qual era a banda. Jamais imaginei que seria algo tão grande.

Fabio Alencar: Quem me fez o convite não oficial foi a Natalia. Ela me solicitou fazer cenários para um clipe de animação de uma banda muito grande de heavy metal, mas até então eu não sabia que era o Iron! Topei na hora, então ela passou meu contato para o Alex, que foi o produtor do projeto pela BlinkInk. Conversamos por e-mail, oficializamos tudo quando assinei o termo de confidencialidade e então ele revelou exatamente sobre o que era. E nessa, meu sonho de adolescente metaleiro se realizou! (risos)

Fabio Perez: O convite surgiu quando o Tiago me disse que ele estava participando de um projeto de uma produtora inglesa que estava procurando por mais artistas para pintar cenários. Como eu já tinha trabalhado com o Tiago em outros projetos anteriormente, eu sabia que esse iria ser um projeto legal. Recebi um e-mail do Alex me passando um NDA (contrato de sigilo) para que ele pudesse me passar um teste. Passando do teste, o resto é trabalho (risos).

Mediante a história criada por Bruce Dickinson para o vídeo de The Writing on the Wall, imagino que vocês tiveram um prazo determinado para trabalharem. Muitas ideias foram descartadas até que o projeto chegasse ao seu resultado final? Como foi o trabalho individual de cada um de vocês no vídeo?

Tiago: Iniciei no projeto quando a história e o storyboard já estavam criados e definidos, então, provavelmente, antes de eu começar, muita coisa foi alterada e testada até chegar à fase de produção. Meu trabalho foi basicamente criar os backgrounds de algumas cenas iniciais do deserto. Tive bastante liberdade em criar em cima das cenas já definidas, adicionar ‘easter eggs’ e coisas que pudessem agregar no projeto juntamente com a direção do Nicos Livesey. Foi um processo bem divertido de tentar criar em cada ‘shot’ uma ilustração única, que pudesse ter um gosto nostálgico e que ao mesmo tempo fizesse referência a toda a obra do Maiden.

Natalia: Quando entrei no projeto o estilo visual do clipe já havia sido definido. Trabalhei junto com o Fabio Perez nos backgrounds do interior do festival e, diferente das cenas externas, para esse setor era necessário uma base 3D, feita por outro artista, para que pudéssemos manter uma consistência em relação à estrutura, arquitetura e os objetos que existiam naquele ambiente. Como não havia um diretor de arte na nossa equipe, tivemos uma certa liberdade criativa para – e uma necessidade de – definir como seria a pintura da iluminação, das estruturas e dos objetos espalhados pelo cenário. O Fabio e eu mantínhamos contato diariamente para alinhar os mínimos detalhes, reflexos, riscos, cores, e tudo mais.

Perez: Na real, para se fazer um projeto desse tamanho, animações em geral não deixam muitos espaços para nós, ilustradores, de tomarmos grandes decisões artísticas. Todas as decisões grandes são tomadas em uma fase de pré-produção, assim como são feitos os álbuns de bandas. Em relação ao contexto do projeto, pelo menos para mim, não me explicaram nada. Você recebe o job para pintar um número de imagens, vai pintando e mandando mensagens a todo o momento para o diretor e para o produtor para eles irem dando feedback durante as suas oito horas de trabalho. E eles explicavam o necessário para que você consiga realizar o trabalho que é pintar, trazer uma textura correta, detalhes e tudo o mais.

Alencar: Fui o último a entrar no projeto e peguei a reta final de tudo. Não tive nenhuma participação na parte de roteiro, quando cheguei já estava tudo bem definido. Tive acesso ao animatic, que é uma espécie de “rascunho animado” já com a música (sim, pudemos ouvi-la em primeira mão!). Me passaram cinco cenários do interior do palácio para fazer e tive um prazo de mais ou menos duas semanas. Como os outros artistas já haviam produzido bastante material, tive muitas referências. No fim, acabou sendo tudo bem tranquilo.

Para finalizar, de que forma vocês se alinhavam com o trabalho que ia sendo produzido pelos demais artistas e profissionais de outros países, que também se envolveram neste projeto?

Tiago: A equipe toda trabalhou remotamente em conjunto, de certa forma estávamos sempre conectados e atualizados sobre o andamento do projeto, semanalmente conseguimos acompanhar um progresso geral do filme.

Alencar: Quanto a arte, interagi bastante com a Natalia. Logo que entrei ela me passou todos os detalhes técnicos para que as artes seguissem a mesma direção do que já tinha sido produzido e mantivesse uma consistência em todo o projeto. A gente recebia um ‘mock up’ dos cenários em 3D e tínhamos que fazer um trabalho de polimento por cima, literalmente deixar bonito. Minha interação com o pessoal da BlinkInk foi mais na questão de gerenciamento. Quando você trabalha em um projeto grande, cada pessoa terá uma função muito específica. Então, tinha umas pessoas só para ficar cuidando de quais artes estavam sendo produzidas, qual arquivo tem que passar para quem e por aí vai.

Perez: Para nos alinharmos com outros artistas, usávamos um programa chamado Slack, em que deveríamos estar logado oito horas por dia pra gente sempre enviar as imagens em processo para irmos recebendo feedback do diretor, assim acabávamos vendo as imagens de todo mundo. E todos se sentiam a vontade em dar esse feedback no trabalho dos demais artistas. Também fazíamos chamadas ao vivo quando era necessário. Tive muita ajuda da Natalia e do Tiago por eles serem artistas mais experientes do que eu, então acabei aprendendo muito com todo mundo em questão de processo e pintura em si.

Natalia: Nosso trabalho como artistas de background é bem separado do trabalho dos animadores e, como nossa equipe era pequena, o alinhamento entre nós foi bem tranquilo e divertido. Tínhamos acesso ao andamento do vídeo diariamente e conversávamos através do chat, compartilhando feedbacks e juntos buscando maneiras de trabalhar com qualidade e eficiência, pois a carga de trabalho era grande. A unificação de tudo era responsabilidade do diretor (Nicos Livesey) e do produtor (Alex Halley), e a minha interação com o resto da equipe não foi muito grande, apenas recebendo alguns pedidos de modificação mais específicos ou, quando tudo dava certo, somente elogios!

Fonte: https://roadiecrew.com/iron-maiden-equipe-brasileira-de-producao-do-novo-clipe-falou-com-a-roadie-crew/

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