Bruce Dickinson lança seu documentário "Scream for me Sarajevo"

Ontem foi oficialmente lançado o documentário sobre o concerto de Bruce Dickinson ocorrido em Sarajevo, em 1994. Considerado um show “inconsciente” em uma zona de guerra, os detalhes deste acontecimento e os impactos são apresentados no filme.
Tudo começou quando em  1994, o vocalista do Iron Maiden, Bruce Dickinson, recebeu um telefonema de um cara da ONU na Bósnia
– O que você acha de fazer um show em Sarajevo? Sem ter muita noção sobre os detalhes da guerra e do cerco sobre Sarajevo, então ele disse: -_“Sim, por que não?”

O documentário “musical” sobre as histórias de Dickinson e sua viagem (quase sem noção), estão descritas com uma intercessãointeressante entre a Guerra da Bósnia e a história do Heavy Metal.
Bruce Dickinson foi entrevistado sobre o acontecimento, e disse que quando já estava na zona de guerra, acompanhado de seus músicos, foram aguardar um helicóptero blindado que afinal, não apareceu. Então eles foram e pegaram uma carona para Sarajevo na parte de trás de uma van com dois sacos de dormir e duas caixas de cerveja para se aquecerem.  Bem no clima aventura. De forma surreal, o show foi produzido por um rude general britânico que agora se encontra aposentado.
As reminiscências da banda são sentidas e são também cômicas. Mas o que é muito mostrado são os fãs metaleiros bósnios que estavam no show e hoje tem entre 30 e 40 anos de idade, e óbvio, na época eram adolescentes.


Na época todos esses jovens estavam convencidos de que iriam morrer. Nas fotos tiradas no show seus rostos são como “selvagens” cheios de energia vital. O baixista de Dickinson se lembra de um jovem que perguntou à um músico do grupo de apoio na Bósnia, se ele trouxe alguma droga com ele. “Alguma heroína talvez”?  Ele respondeu: “Err… não. Drogas são ruins para sua saúde”. Na verdade, o cara disse a ele que, com a maioria de seus amigos mortos, “minha expectativa de vida já é muito curta”.
Scream For Me Sarajevo” será lançado a partir de 10 de maio em alguns cinemas dos Estados Unidos e Canadá. Foi anunciado hoje pela CineLife Entertainment, a divisão de cinema de eventos da Spotlight Cinema Networks, e pela Eagle Rock Entertainment, produtora e distribuidora de filmes musicais. Tem 1h e 35 minutos.

A primeira vez que Dickinson esteve em Sarajevo, a cidade foi cortada do mundo, seus cidadãos brutalmente aterrorizados por tiros, bombardeios e fome, com eletricidade e abastecimento de água sendo um lugar bem distante do luxo. Bruce e sua então banda solo percorreram as linhas de frente e acabaram fazendo um show para as pessoas presas na cidade. O que este show significou para as pessoas e como isso mudou Bruce e sua banda é contada no documentário.

Apresentando imagens do show histórico, o filme também se encontra com aqueles que foram ao show e fizeram o show acontecer; determinado a continuar vivendo suas vidas, apesar das atrocidades acontecendo ao seu redor. Entrevistas com a banda, tripulação e segurança trazem para casa a realidade da situação que não era apenas perigosa, era bárbara.

“Nós não estávamos protegidos, não havia plano e as balas eram reais, mas foda-se, nós fomos de qualquer maneira”, diz Bruce em sua autobiografia “What Does This Button Do”
“O show foi imenso, intenso e provavelmente o maior show do mundo naquele momento para o público e para nós. Que o mundo não conhecesse realmente não importava. Isso mudou a maneira como eu via a vida, a morte e outros seres humanos “.
Em uma entrevista em dezembro de 2015 com o programa da rádio Sarajevo “The Aebyss“, Bruce falou sobre as preocupações de segurança que ele tem em uma época de terrorismo quando se trata de decidir para quais países viajar e tocar para as pessoas de lá. Ele disse:
“Eu tocaria em países que houvesse terrorismo sim, não importa o que aconteça. Sua preocupação tem que ser, na verdade, para pessoas que não têm noção do no assunto. Quero dizer, foi minha escolha [em 1994] – na verdade nossa escolha, coletivamente, porque todos nós, coletivamente, dissemos: ‘Sim, somos todos malucos o suficiente para tentar fazer isso e ir até Sarajevo no meio de uma guerra e ver se podemos fazer e fazer um show. E [risos] não temos certeza quando voltaremos.

Mas aquelas pessoas por exemplo que participaram daquele show no Bataclan [em Paris, França] não tiveram escolha: eram completamente inocentes de todas as maneiras possíveis. E, é claro, ninguém sabia que o lugar era alvo, infelizmente, há um julgamento que as pessoas têm que fazer, e você tem que conseguir as melhores informações disponíveis – e decidir se vai ou não. … Se alguém disser: “Vão massacrar todo mundo em um show de rock “, você diz: ‘Bem, isso é algum lunático, ou é realmente verdadeiro que possa acontecer? Você não pode assumir a responsabilidade pelo que pode ser uma loucura, ou seja,  massacrar as pessoas, só porque você quer ser meio machão” Ah, sim, sim, sim, nós fizemos isso e as pessoas nos ameaçavam na época, mas éramos como machões. E isso é ótimo até o dia acontece e alguém vai e faz [algo assim] e então você vê muitas e muitas mulheres e crianças mortas, e você diz:
‘Talvez nós não devêssemos ter feito o show, porque lá era uma ameaça credível. Então, infelizmente, você tem que amadurecer com isso, mas, ao mesmo tempo, você ainda precisa ser capaz de oferecer às pessoas que esperaram e enviar passar o recado, elas não podem parar …
A vida real simplesmente continua a acontecer. Quando o Exército Republicano Irlandês, anos e anos atrás … quando eu era criança, faziam coisas explodir à esquerda, à direita e no centro do Reino Unido, e fatos  horríveis aconteciam, NADA PARAVA. “As pessoas apenas seguem em frente . Você não pára. Você não recua, não para de viver a sua vidaE essa foi a lição de Sarajevo – que em toda a loucura, este pequeno legado do rock and roll e foi encarado com normalidade e aconteceu por cinco minutos no meio disso tudo, compreende? Há luz no fim do túnel lá todos esses tipos de coisas são desafios, mas não envolvendo armas ou bombas ou balas e coisas assim. São outras coisas!”

Finalmente podemos dizer que Bruce quer demonstrar que a força de seguir e ser o que você é, sobrepõe os acontecimentos terríveis. Mais ou menos como continuar à viver mesmo diante de atrocidades e adversidades, que fatalmente podem acontecer. Quando ele diz que fomos lá e fizemos porque eram jovens e “machões” a ponto de encarar um ambiente de guerra para fazer um concerto de rock, obviamente ficaram tocados com aquilo tudo quando lá chegaram; e entenderam que a vida é o que está a acontecer no momento presente. Estamos ali para fazer as coisas acontecerem, e sim, podem a ver bombas e estouros na sua cabeça. Mas há inocentes, e há quem quer somente fazer um show de rock para aliviar cabeças já desesperadas pela morte. E assim a vida tem suas escolhas.

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Verônica Mourão

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