Val Andrade: Entrevista exclusiva para o Iron Maiden Brasil Notícias.


Os fãs do Iron Maiden ao redor do mundo receberam uma bela homenagem no Natal de 2015. Tratava-se de uma excelente animação onde é possível ver várias versões de Eddie. A animação recebeu excelentes críticas em vários meios de notícias, e logo tornou-se um sucesso.

E um detalhe super interessante. A mente por trás dessas animações é um fã brasileiro. E para sabermos um pouco de como são feitos os desenhos e um pouco da história, conversamos com o artista gráfico Val Andrade. Confiram abaixo esse excelente bate papo.

IMB. Como surgiu a paixão por animações?

Val. As animações sempre me acompanharam desde a infância, quando assistia pela TV, os desenhos animados do “Pica-Pau”, “Pink Panther”, “Tom and Jerry”, “Bugs Bunny” entre vários outros. Depois me tornei ilustrador, e a transição do papel e lápis para a computação gráfica foi gradativamente até conhecer vários softwares que me permitiram usá-las como ferramentas para ilustrar e consequentemente animar.

IMB. Já trabalha com animações a quanto tempo?

Val .Comecei fazendo algumas ilustrações no final dos anos 1990, quando trabalhava em uma agência web e fui conhecendo e fuçando alguns softwares que me permitia passar algumas idéias que surgiam em formato de quadrinhos ou de ilustrações para desenho animado. Então comecei a fazer animações para sites corporativos ou apresentações

IMB. Como surgiu a ideia de fazer animações do Iron Maiden?

Val. Uma certa vez, durante uma entrevista de emprego, um diretor de arte me sugeriu que eu poderia fazer ilustrações ou desenhar história em quadrinhos usando as letras de músicas de bandas que eu gostasse. Fiz algumas coisas, mas nada que se aproveitasse. Só depois de alguns anos, quando já estava ilustrando digitalmente e fazendo algumas animações que me lembrei deste conselho e o apliquei em animações. Eu cresci ouvindo Iron Maiden e vendo as ilustrações que Mr. Derek Riggs fazia para a banda. Então, nada mais natural que usasse o Eddie, a Banda e as letras das músicas do Iron Maiden para criar algumas animações. E disso, surgiu há mais de 10 anos atrás o projeto chamado “Into The Iron Maiden’s Albums” que fazia nas horas vagas e nos intervalos dos trabalhos.


IMB. Já fez animações para outras bandas?

Val. Fiz para duas bandas undergrounds aqui de São Paulo, mas nada profissional, apenas para dar uma força e tentar ser visto. Uma animação foi para uma banda da capital o “Providência Z” e uma outra para o “Carnal Desire”, uma banda de Santos. Acho que deve ter alguma coisa disso rodando aí pela web.

IMB. Devo confessar que é super divertido tentar achar o símbolo do SPFC em seus desenhos. Seria uma inspiração no que Derek Riggs fazia com sua assinatura nos 80's?

Val. Definitivamente. Era superbacana ver uma ilustração de Mr. Derek Riggs para uma capa de disco, ou de um single, ou para um pôster do Iron Maiden e tentar procurar por ali a sua assinatura e os Easter Eggs que ele colocava. O ápice disso tudo foi no álbum “Somewhere in Time”. Na época do lançamento, ainda não estava popularizado o CD, eram os vinis que tínhamos em mão. Desta forma, as capas eram maiores e quando achados estes detalhes, eram visualizadas claramente.

IMB. Sobre a arte de Natal, qual foi a inspiração?

Val. A inspiração surgiu daquele lance de um cara novo que chega para uma turma descolada e que vai ser sempre zoado, por mais bacana e descolado que ele seja. O álbum “The Book Of Souls” era o mais recente lançamento do Iron Maiden e o Eddie que naturalmente teria que ser usado seria o deste novo material. Então, porque não usar o Eddie Clássico, apresentado o Eddie Novato de uma forma divertida. Mas então, pensei: por que não usar todas as versões dos Eddies de todos os álbuns de estúdio? Pensei em usar outras versões de capas de singles e de outros materiais, porém se fosse usar as todas versões que existem, não iriam caber no cartão.

IMB. A banda deu sugestões e/ou aprovou o material ou é independente?

Val. Sim, a Phamtom Music Management participou ativamente no desenvolvimento do projeto passo a passo. O primeiro passo foi apresentar o primeiro esboço com a ideia do cartão, e de cara gostaram do conceito. Então, fui desenvolvendo a ilustração e depois sempre mandava para aprovação. Às vezes solicitavam algumas inserções de alguns elementos ou sugeriam a alteração das posições das versões dos Eddies na composição da arte até a aprovação final. Depois do conceito estabelecido, com a arte já quase aprovada e com todos os elementos já definidos, resolvi por conta própria desenvolver a versão em desenho animado deste cartão. Adoraram a animação quando apresentei a eles, apenas me pediram sigilo absoluto, pois não queriam estragar a surpresa aos fãs ao redor do mundo. Alguns pequenos ajustes foram sugeridos por eles, mas nada que alterasse o roteiro, apenas uma coisa ou outra.

IMB. Qual o tempo médio de produção de um vídeo?

Val. Se trabalhasse apenas nisso acredito que a cada 15 dias teríamos um conto novo. Mas, como intercalo este projeto com os meus outros trabalhos, ele leva cerca de 30 a 40 dias, dependendo muito de qual história será contada. Toda a canção do Iron Maiden é um conto em potencial, o que vai determinar o tempo que ele será desenvolvido é a quantidade de personagens que participarão da trama e de onde será ambientado esta história. Pois, temos que ilustrar os personagens e os cenários da animação. Além, é claro, do tempo que terei livre para desenvolvê-lo.

IMB. Conte-nos como surgiu sua paixão pelo Iron Maiden? Quais seus trabalhos preferidos da banda?

Val. A paixão pelo Iron Maiden vem de longa data. É aquela velha história da influência do irmão mais velho e de seus amigos. Eles apareciam com LPs e fitas K7 do AC/DC, Whitesnake, Ozzy Osbourne, Deep Purple, Scorpions, e claro, Iron Maiden entre vários outros. Aquilo foi amor a primeira vista e decide que ouviria Rock’n Roll apenas. Na época, ouvíamos bastante rádio e líamos revistas ambas especializadas apenas em Rock, pois não existia MTV, havia alguns poucos programas de vídeo clipe na TV, e quando passava “The Number Of The Beast” e “Run To The Hills” era um acontecimento do ano. Depois disso, lembro de ter acompanhado o lançamento do Álbum “Powerslave” e de ter visto em um cinema da Av. Brigadeiro Luis Antônio (antiga avenida aqui do Centro de São Paulo) a exibição do vídeo “Live After Death”. Aquilo foi a coisa mais impressionante que vi e ouvi na minha vida e foi a primeira vez que vi o Iron Maiden que não fosse em um vídeo-clip. Fui passando pela adolescência e crescendo sempre acompanhando e ouvindo Iron Maiden até os dias de hoje. Acho que por isso, “Poweslave”,“Live After Death” e “Somewhere in Time” sejam os trabalhos do Iron Maiden preferidos , pois foram os mais marcantes para mim, apesar de gostar de todos os álbuns. 

IMB. Pretende ir a algum show da The Book of Souls World Tour? Quais suas expectativas para os shows?

Val. Se tudo der certo e o dinheiro sobrar, com certeza, estarei lá para vê-los. Conferir como as versões ao vivo de “ Etenity Should Fail”, “When The Rivers Runs Deeps”, “Tears Of  A Clow” e principalmente “Empire Of The Clouds” ficarão, deve ser emocionante. Mas se não puder ir desta vez, não tem problema. Pois, acredito que esses caras ainda vão rodar bastante por aí. O Iron Maiden ainda tem muita lenha para queimar e de muitas canções para compor, pois daí serão mais contos a serem desenvolvidos.

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Sobre Alexandre Rodrigues Temoteo

Alexandre Rodrigues Temoteo

1 comentários:

  1. Lamentável o Iron aceitar fazer homenagem pra um clube específico somente, achei um baita desrespeito com os outros fans. O vídeo de final de ano foi bem decepcionante...

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