[ENTREVISTA] : Na Caverna da Consultoria: Ricardo Lira

Por Mairon Machado


A Caverna do Consultoria hoje apresenta Ricardo Lira, um grande fã do Iron Maiden, responsável por fazer a primeira publicação do blog que literalmente bombou, sendo que a mesma virou inclusive citação em livro. Apesar de não ter sido um Consultor, Ricardo propiciou com que o nome da Consultoria do Rock começasse a ser conhecido no país e no mundo, dando os primeiros passos para tornar-se algo além de um mero blog amador.



1. Olá Ricardo, é um prazer tê-lo de volta às páginas da Consultoria. Para começar, Conte-nos um pouco sobre a sua pessoa.
Ricardo Lira (RL): É um prazer estar de volta (depois de alguns anos sem escrever material para o Consultoria…). Agradeço a lembrança e a oportunidade!
Trabalho na área de tecnologia, mas sempre trilhei pelos caminhos da língua portuguesa desde que eu tinha 13 anos. Naquela época líamos tipos de livros cujos alunos nunca os teriam comprado não fosse a obrigatoriedade letiva. Hoje em dia, em meu tempo livre, pesquiso, escrevo e desenvolvo diversas coisas, incluindo, é claro, o tema central dos assuntos que tratei na Consultoria do Rock até hoje, que é o Iron Maiden. Sou um fã da banda e posso dizer que meu colecionismo é bem peculiar e mais introspectivo do que o de muitos colecionadores. Minha coleção não tem a característica de mostruário ou de exibição. Quando falo da coleção, não é só itens ou souvenires, mas principalmente uma base de conhecimento que envolve Iron Maiden, projetos/bandas relacionadas, covers, até mesmo grupos paralelos que estão indiretamente ligados. Essa base se transforma invariavelmente em anotações e perguntas enviadas para músicos, produtores ou fãs. Há vários níveis… em um deles o material físico muitas vezes é aquela “capa final”, a pesquisa sacramentada.


2.Quais são suas principais lembranças de quando começou a ouvir música?
RL: Lembro dos clipes musicais na TV, em uma época em que a MTV estava crescendo lá fora e nossos canais comprando os vídeos e montando programas do tipo “videoclipe”. Para imitar o apresentador, eu anotava umas músicas em um cartão e me sentava na poltrona da sala, anunciando para um invisível telespectador a próxima atração do meu programa. Separava uma sequência de discos, abria o programa, e ao anunciar a primeira música, corria até o criado-mudo da sala para acertar a agulha da vitrola. Caso ela escorregasse, acenava para a parede (onde estaria minha equipe de produção), depois encarava os fundos da sala (onde estaria a câmera) e dizia: “Caros telespectadores, tivemos uma pequena falha técnica. Vamos aos nossos comerciais, voltaremos em breve!”.
Aos 6 anos de idade meu primeiro ídolo foi o Michael Jackson. Ganhei o LP Thriller. Ele estava em todas as paradas, e com seus meio-sósias deslizando um moonwalker no Chacrinha. Além das usuais “Thriller”, “Billie Jean” e “Beat It”, havia um clipe de “Say Say Say” com ele e o Paul McCartney, que também era uma curtição. Junto a ele conheci vários outros artistas nos LPs “Greatest hits” de casa, como The Police, Lionel Ritchie, The Human League, Bonnie Tyler, Men At Work e The Greg Kihn Band, que tinha um ótimo single chamado “Jeopardy”. Até lembro do clipe que se passava em um casamento e de repente o noivo começava a ter alucinações. Era engraçado e esquisito ao mesmo tempo. Não demorei a perceber que os vídeos musicais não eram filmes os quais estava acostumado; eles tinham outras estranhezas e eu me ligava muito nisso. “Owner of a Lonely Heart”, do Yes, foi um clipe que me deixou impressionado.
O próximo passo foi me ligar nas trilhas sonoras dos filmes, que quase por instinto surgiu com “Stayin’ Alive”, dos Bee Gees, por incrível que pareça não através do filme Os Embalos de Sábado à Noite, mas de Apertem os Cintos o Piloto Sumiu…!. Há muito a dizer, pois a comédia foi algo que me influenciaria a desenhar e a fazer quadrinhos. Enfim, achei o tesouro no criado-mudo, que era esse LP, Embalos de Sábado à Noite, cuja primeira música era “Stayin’ Alive” (Eu nem sabia que a música se chamava isso, eu apenas fui testando os LPs…). Aquilo me fez me ligar muito na fase Disco dos anos 70. Quer dizer, religar, pois eu nasci nessa época de Discoteca Papagaio e Dancin’ Days.


3. Engraçado, eu tive uma formação meio similar, e ainda hoje, acredito que isso ajudou a me tornar mais “maleável” para ouvir música. Você ainda curte Bee Gees, Yvonne Elliman, The Trammps …?
RL: Ouço de vez em quando, porque sempre acabo lembrando. Os Bee Gees, é certo ir direto na fase Disco deles, apesar de que há coisas boas produzidas nos anos 60. The Trammps é voltar mesmo ao passado com “Disco Inferno”. Quando ouvi “Kill City” (Iggy Pop e James Williamson), tive que voltar imediatamente para essa música, porque o riff é tão parecido…
Outros de que me lembro… Essa parada nacional da época, que foi As Frenéticas, e também a Michael Zager Band, com sua hit danceteria “Let’s All Chant”. Se alguém nunca ouviu dance com solo de clarineta, esta é a música!





4. Você gostou de rock desde o início ou foi em um determinado período de sua vida?
RL: Não dá pra dizer. Em algum momento isso foi se definindo, mas rock para mim era música que tinha guitarra e era legal desde que a música fosse boa. Tínhamos nossas bandas nacionais como Titãs, Legião Urbana e RPM, que passava à tarde na TV e tocava em todas as festinhas. A rádio, mais tarde, foi me ajudando a descobrir nomes e outros estilos. Boa época!
Nunca houve restrições. Mas eu não ouvia música “de doido”, vulgo: punk ou heavy metal – coisas que pareciam vir de um mundo violento, que na verdade eu apenas encubava por força da nossa eterna e problemática mídia. Isso seria contornado…


5. Com quantos anos você comprou seu primeiro disco, e qual foi? Você ainda tem ele?
RL: Acho que meu primeiro mesmo foi um disquinho da Turma da Mônica ou algo assim, por causa da capa desenhada. Pedi à minha mãe para comprar. Não lembro o que vinha e é claro que sumiu em alguma mudança. Fora isso, não sei exatamente quais outros discos comprei. Acho que não tinha esse costume. Ouvia os que tinha em casa, pegava com alguém emprestado ou então pedia de aniversário (ou esperava minha irmã receber de aniversário, o que era mais comum) de uma banda que estivesse nas paradas. Praticamente absorvia o que chegava. Música então não era tão grande coisa para mim.
Foi apenas quando passei a me ligar em bandas, aos 14, que tive o que considero meu primeiro disco, e este foi o volume 5, em CD, da coleção The British Invasion – lançada pela Rhino.


6. Quais as suas lembranças sobre quando recebeu o convite para escrever para a Consultoria do Rock? Quem fez essa “mão”?
RL: Provavelmente o Daniel Sichierolli, com quem eu tinha contato mais direto. Acho que o Fernando Bueno também fez a abordagem, se não me engano… A coisa se confunde um pouco porque eu fazia parte de uma newsletter onde o pessoal se falava por e-mail e eu estava ciente dos conflitos de transição da Collectors Room para o novo empreendimento Consultoria do Rock. Os comentários eram muito engraçados, mas depois de um tempo eu precisei me ausentar. Quando vocês iniciaram, prometi que faria umas matérias para o Consultoria, e fiz. O pessoal lê, comenta mesmo, debate… gostei daquilo. Hoje eu vejo que poderia ter esperado um pouco mais para escrever aquele artigo. Mas ficou legal mesmo assim.




7. Você fez a matéria que, durante muito tempo, foi a mais acessada e comentada no Site, no caso a histórica matéria sobre o The Soundhouse Tapes. Quanto tempo você ficou pesquisando para a mesma?
RL: Na verdade eu não fazia a menor ideia de que faria uma matéria sobre o The Soundhouse Tapes. Alguém já tinha feito uma sobre a Demo, em um dos blogs, e é claro que eu não precisaria escrever outra. Estava preparando outra coisa para o Consultoria, quando então coincidiu a descoberta. A evolução do assunto correu apenas internamente. Se eu deixasse para tratar com outros colecionadores, talvez houvesse uma corrida pelo pioneirismo e com resultados nada agradáveis. Eu não suporto essa coisa de “Fui eu quem descobri primeiro!”. Posso parecer hipócrita, porque afinal de contas eu já contei muitas novidades e exclusividades para os fãs, mas espero nunca ter acendido esse tipo de farol na cara das pessoas.
Resumindo, achei por bem não comentar com ninguém e apenas aprontar o material com exclusividade para o Consultoria. O único que soube de antemão, apesar de não saber do que exatamente se tratava, foi o Daniel. Só foi preciso que algumas coisas se confirmassem antes e então… voilá.


8. Para os leitores que não lembram da matéria, naquela oportunidade você conseguiu contatar Paul “Mad Mac” Cairns, que acabou revelando bombasticamente que era responsável pelas guitarras de “Strange World” e participação em todas as faixas da demo.
RL: Podem achar estranho, mas só fui conversar com Cairns depois que a matéria foi publicada e a coisa começou a se espalhar mundo afora. O que aconteceu foi que eu precisava de timing, precisava andar rápido com esse tipo de informação e que ela não tivesse levantado curiosidades demais além das sucintas perguntas. Sim, eu precisei articular.
Há sempre várias coisas em perspectiva, ainda mais numa época em que a troca de emails com conhecidos colecionadores era intensa e vários assuntos eram debatidos. O do Soundhouse Tapes não seria mais um a entrar em pauta porque meu medo era que simplesmente virasse parte de outro entusiasmo e perdesse força pelo absurdo da suposição. Tipo: “A esta hora do campeonato, o cara vem perguntar se o ST não teria um quinto Beatle? Faça-me o favor…” Plausível, certo?. Eu não queria que o assunto se perdesse. Havia outro guitarrista solando na demo “Strange World” e restava poucas dúvidas para mim. Como na época eu não tinha vários dos contatos que tenho hoje, incluindo o do Mac, escrevi para Barry Considine – um arqueólogo nato do Maiden – que saberia em qual toca se enfiar sem levantar suspeitas. Como o cara é inglês e também gosta de voar abaixo do radar, a mensagem chegou aonde precisou e sem ruído. Apesar dele nunca ter percebido nada de anormal na música antes, Barry pareceu convencido depois de algumas audições. Então o que ele fez? Começou a sondar nomes que estiveram com a banda, na época. A resposta positiva de Cairns, por exemplo, mandada diretamente para Barry, me fez tremer nos patéolos. Não era só a confirmação da “Strange World”; ele tinha tocado na Demo inteira. E para lembrar alguns tubarões de água rasa que insinuaram que o guitarrista tivesse dito aquilo por interesses financeiros, é importante mencionar que ele jamais abriu a boca publicamente sobre isso antes do assunto ser abordado!
Além disso, eu tinha passado o olho, mas não observado… havia uma mensagem deixada no quadro de mensagens do site oficial do Spaceward Studios, de um tal Hugh Cairns, dizendo haver emprestado a Demo do Maiden, cujo irmão havia tocado, para alguém na época, que então a perdeu… Ninguém no quadro prestou atenção no que ele disse! Parecia uma mensagem corriqueira, mas ali estava um traço de história tentando se reconectar… E o mais estranho é que Barry viu a postagem logo depois de entrar em contato com ele. Era como se as coisas quisessem se encaixar…




9. Além disso, você entrevistou o baterista Thunderstick. Você já o conhecia há algum tempo? Como foi o processo de realização dessa entrevista?
RL: Não exatamente. Eu já havia trocado alguns emails com ele, através do Rob Grain – antes deles terem conta no Facebook. Ele não se mostrou tão aberto no início, mas através da rede social sim, até que eu perguntei educadamente se ele me deixaria entrevistá-lo sem que eu o incomodasse tanto com a coisa do Iron Maiden ou da estória por trás de “The Ides of March”. Ele aceitou.


10. Qual das três matérias você gostou mais de fazer?
RL: A do The Soundhouse Tapes. Eu não gostei tanto da entrevista do Thunderstick, e não por causa dele, mas por causa das perguntas feitas com a objetividade da publicação. Sim, parece irônico. Eu já havia entrevistado Paul Day antes e as perguntas feitas são perguntas, claro, pessoais, mas contemplando fãs do Maiden que não o conhecem ou que haviam ouvido falar pouco dele. Não há como driblar muito isso. E diante das minhas perguntas, o Thunderstick trouxe pouca novidade para o meu mundo (culpa inteiramente minha), ao contrário do que Alex Gillett, da Sleazegrinder fez e de forma brilhante.
Entenda, eu sou fã, não entrevistador. Então eu leio a notícia como se não tivesse feito aquilo. Enchi o saco do baterista, depois, porque aí sim entraram perguntas de cunho pessoal.
Depois parei de fazer entrevistas. Minha última tentativa foi com Tony Parsons, um músico que, eu diria, tem a capacidade paranormal de bater a porta na sua cara sem ter encostado nela.




11. Por que você não colaborou mais com o blog?
RL: Talvez por causa do site do Maiden que eu tentei montar várias vezes. Sei que tinha algumas matérias ainda para enviar, como uma resenha de livros musicais ou sobre a carreira do Danzig, mas enfim a última que acabei fazendo, se não me falha a memória, foi sobre o Skunkworks.
Fora isso eu não costumo ser colaborador ativo de nenhum blog em particular. Contribuo quando posso, ou quando surge algo que eu considero importante. Ou há um assunto importante, mas eu não posso sair falando, enfim… Minhas últimas contribuições foram para o Iron Maiden 666 e o Iron Maiden Brasil, com matérias ou traduções, e sem dispor de tempo. Varei madrugada adentro fazendo as traduções do blog do Loopy. Depois de encerrar, fui me concentrar na revisão do meu livro.
Mas eu não esqueci o Consultoria. Vou separar uma matéria assim que meu projeto começar a caminhar.

12. Mesmo assim, o que você caracteriza como principal característica do Consultoria do Rock, que o torna um diferencial nos demais sites de música?
RL: Exatamente porque eu não o vejo como um site de música, mas um em que as pessoas tem um espaço, digamos, pessoal e não corporativo para publicar. Se vocês acham que é interessante o suficiente, publicam. E pronto. Logo mais vocês mesmos já começam a comentar. Ou seja, o feedback e a interação são totais. Eu por exemplo respeito, mas não gosto muito de colunistas. E vocês, apesar de terem que escrever, o teor acaba não sendo o de fazer por obrigação.


13. O fato de o site ter surgido a partir de colecionadores obrigatoriamente nos faz falarmos agora sobre sua coleção. A quantas anda ela? (Quantos discos / cds / dvds no geral)
RL: Andei revisitando Blaze Bayley e Bruce Dickinson recentemente, e completei os CDs que me faltavam. Minha coleção digital é uma façanha, mas a física me dá nervoso porque eu nunca consigo completá-la. Falo dos álbuns oficiais. O Maiden, que coleciono de trás pra frente (vai entender…), parou um pouco antes do Seventh Son of a Seventh Son porque fiquei puto ao receber o CD do No Prayer For The Dying com a borda esquerda branca. Parece só um detalhe, mas é uma coisa tosca. Estou quase oferecendo para quem quiser, com um cartão de “Receba, obrigado!”. Bom, ainda bem que há singles japoneses do First Ten Years no meio da minha coleção – garantia de que o mundo colecionável não vai abrir o chão e me engolir como um verme que ainda não completou os principais álbuns do Maiden!
Tenho cerca de 125 CDs e 20 DVDs oficiais da família Maiden. Nada de milhares de outras edições de um mesmo título, pelo amor de Eddie. Não há qualquer versão Borda Pouco Mais Esverdeada vinda da Suazilândia, nem edição Selinho Cromado das Ilhas Maurício. Respeito a praia de quem faz, mas toda minha coleção é em CD, porque é formato que vai para o player. Itens não oficiais eu tive que passar para computador, porque não havia (e não há) espaço físico aqui em casa. Eu li a matéria do Fernando Bueno e um dia penso em fazer uma arrumação como aquela, em um escritório do futuro. As coisas estão realmente muito caras e eu raramente compro o que quero de uma tacada.
Vinis, tenho quase nenhum agora, vendi todos para o Daniel (mentira!). Mesmo os picture disc de Different World e The Trooper 25th Anniversary, mais o vinil High Roller do Urchin, precisei vender porque não tenho a vitrola. Para resolver isso, comprei a versão em CD do Urchin e pedi para o colega que comprou, digitalizar as faixas do Maiden e me mandar por FLAC. Assim mantenho as originais e ainda posso mandar fazer uma edição em CD – tem empresas que montam isso de forma impecável.

14. Todos sabemos da sua paixão por Iron Maiden. Quantos shows da banda você já foi? Qual o mais marcante? É a banda que você tem mais itens na sua coleção? Quantos itens (entre DVDs, LPs, CDs e memorabilia)
RL: Fui em 7 shows da banda. O mais marcante é difícil, mas pode ser o primeiro porque também foi o primeiro show de grande porte que fui. Isso foi em 92. Todos os outros me marcaram também. Sim, é a que tem mais itens na minha coleção.
A última pergunta eu respondi acima. Há bem poucos não oficiais para mencionar, em CD e cassete, mas em formato digital a coisa muda de figura: são alguns milhares de pastas.

15. Seu nome está em alguns livros associados ao Maiden, como o The Bridgehouse, e o Steve Harris: The Clairvoyant, e provavelmente estará no No Matter How Far. Conte-nos sobre os procedimentos que levaram a essa experiência importante.
RL: Aconteceu porque eu estive em contato com esse pessoal. Nunca pedi para aparecer no livro de alguém. Na época em que o fórum oficial do extinto pub Bridgehouse (lar do Iron Maiden nos shows iniciais da banda) estava em intensa atividade, procurei me inteirar sobre o que estava acontecendo, conversei com algumas dessas pessoas, e em particular acabei estabelecendo um relacionamento com o landlord Terry Murphy. Sabe-se lá o que podia haver de material guardado, de histórias a serem contadas… e o pub sempre teve uma publicadora e gravadora de discos. Quantos pubs você pode dizer que tiveram/tem isso? Então fiquei muito ligado, chegando ao ponto de contribuir com eles na busca por um aparelho CV-2000, da Sony – um dos primeiros gravadores de vídeotape, bem anterior ao VHS. Sucedeu que eu encontrei um em perfeito estado, e no formato PAL-M exigido. O pessoal buscava recuperar 2 horas de vídeo. Detalhe: sem saber o que continha! Não lembro se entraram em contato com a pessoa que sugeri, mas quando comprei o livro da Bridgehouse, escrito por Terry, deu a entender que a coisa estava andando. Meu nome está na página 191. Abaixo, o trecho:

“[…]We are still trying to get them converted to film or on DVD. Just today, Brian Belton, the editor of this book, has found a couple of addresses and we have had enquires from the USA. Colin Rapp, our original photographer, has found a studio there, and a customer from Brazil, Ricardo Lira, has made contact after seeing our problem on the forum on our website. Never give up!“.

– THE BRIDGEHOUSE, CANNING TOWN, em: “More Music (And Things) Please!”, p. 191

Ah, e é principalmente legal estar em um livro cujo epílogo foi feito pelo próprio Steve Harris. Ele o escreveu em 18 de janeiro de 2004, em São Paulo, durante a Dance of Death World Tour.


O livro Steve Harris: The Clairvoyant tomou carona e até deu uma recostada no banco, quando o autor soube do possível envolvimento de Cairns na Demo. Como disse antes, a coisa rodou o mundo, mas também parou nas graças do croata Stjepan enquanto ele desenvolvia o livro sobre o baixista. Barry me colocou em contato com ele, e tivemos uma conversa. Ele disse que ia incluir o caso no livro, em uma parte chamada “The Mystery Pages” ou algo assim, e eu disse: “É bem a minha cara!”. Aconteceu que esse foi o primeiro livro a tratar do assunto não só com um capítulo dedicado (“Paul Cairns and Strange World”), mas a fazer a coisa permear outros capítulos, entre os conhecidos de Harris. Ali, Stjepan busca vestígios por vários cantos: com o engenheiro de estúdio Mike Kemp, com o ex-roadie Steve Newhouse, se não me engano com o primeiro fã-clube do Maiden, Keith Wilfort, e por último com Neal Kay – dono da The Bandwagon e quem originalmente publicou a Demo. Achei fantástico.
No livro do Erwin Lucas (o Maiden Holland), Outside Iron Maiden, meu nome está nos agradecimentos. Eu o ajudei mesmo depois, mandando uma relação de coisas que ele podia acertar para um segundo volume.
O No Matter How Far é o próximo livro do croata, onde os fãs da banda, de vários países, contam suas histórias. No momento, acabo de responder as perguntas que ele me enviou para compor um dos capítulos. Como o dele é em inglês, preciso tomar um pouco mais de cuidado. Mas enfim, não deu tempo de aparecer no primeiro volume. Ele me disse para mandar com calma, que ele vai deixar para o segundo volume – que já tem material pronto.




16. Wow. E por acaso eles citam a Consultoria no livro?
RL: Apesar de ter informado para Stjepan onde originalmente o artigo saiu, não. O autor escreveu o capítulo com base na conversa que ele e Barry tiveram sobre o assunto, antes do croata ter entrado em contato comigo. Sendo Barry quem fez os contatos e por consequência recebeu direto as respostas do pessoal, isto foi basicamente o mostrado no capítulo.
Infelizmente morar em outro continente não me ajuda a ter uma aproximação de forma a tratar essa e outras estórias com mais apuro do que eu gostaria. Ainda assim, posso dizer que o resultado foi satisfatório.Há coisas bem interessantes a serem confirmadas, mas com o recente advento dos antigos integrantes do Maiden se encontrando e tudo mais, o assédio a eles é maior agora e muitas vezes não há tempo ou não querem responder ao que pergunto. Tem, por exemplo, um lance lá de uma antiga banda em que o Dennis Willcock cantou com Dave Murray antes do Maiden, que muitos fãs pensam se tratar da Warlock (não o da Doro Pesch). Dennis ficou pasmo quando contei a ele que havia entrado em contato indiretamente com um dos integrantes originais desta obscuríssima banda, e logo depois ele me confirmou que Murray não tocou nesta banda com ele, mas em outra cujo nome ele não lembra. Então eu tenho uma pista em mãos e estou pronto a dar outro passo, mas eventos de outra ordem meio que cobrem isso.

17. Qual o seu sentimento por fazer parte, mesmo que indiretamente, de um material ligado a sua banda preferida.
RL: Eu prezo pelas contribuições reais que posso oferecer ao meio. Seja para informar, tirar dúvidas, trocar uma idéia, inspirar pessoas a colecionar, revisitar material, etc. Se forem parar em um livro e eu ser reconhecido por isso, legal. Mas não faço o estilo “papagaio de pirata”, não saio pousando no ombro dos outros.
Neil Daniels, o autor do livro Killers: The Origins of Iron Maiden 1975-1983, perguntou, através de Considine, se eu queria ter meu nome lá, agradecendo por algo que eu acabei contribuindo para o livro. Não lembro o que foi, mas como não conversei diretamente com o autor, nem enviei material para o livro, não vi sentido e então pedi que não me incluísse. Mas ganhei um livro mesmo assim!
Em 2013, escrevi o posfácio da edição nacional do livro Bruce Dickinson: Flying Metal With Iron Maiden and Flying Solo, do repórter Joe Shooman. Saiu pela editora Autêntica e encontra-se nas livrarias. Apesar de ser também um dos que fizeram a revisão de todo o livro, cometi alguns erros, como ter trocado o nome da banda Scorpions por Saxon (na parte do Rock In Rio de 1985). Não liguem, eu já pedi à editora para acertar isso.
O que estou enviando ao Consultoria do Rock é uma imagem normal do livro, mas não da minha cópia porque esta eu enviei de presente para Terry Murphy, da Bridgehouse.


18. Você tem contato com o pessoal do Maiden? (atuais e antigos)
RL: Parte desse pessoal que tem conta hoje no Facebook é o pessoal que mantenho contato. Day, Sawyer, Cairns, Thunderstick, Moore, Willcock… Eu também me correspondia com Dennis Stratton através de um email particular, mas depois de um tempo ele parou de responder. Foi numa época em que eu sondava os músicos para saber da possibilidade de um evento com eles aqui no Brasil. Paul Di’Anno também, troquei alguns emails com ele. Gente fina!
Blaze Bayley, não posso dizer que é exatamente contato, porque ele tem perfil de página pública. Mas, entre um show e outro eu bato um papo com ele ou com Paul Di’nno. Esses caras amam o Brasil.


Confira a integra da mega entrevista:

Fonte: http://consultoriadorock.com/2015/12/15/na-caverna-da-consultoria-ricardo-lira/

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