Minuto HM: Cart & Horses – The Birthplace of Iron Maiden

Por Eduardo (DUTECNIC)
Para MINUTO HM
Estar em uma capital mundial como Londres e conseguir aproveitar bem o normalmente escasso tempo requer uma série de coisas, entre elas planejamento caprichado, disposição física e mental absolutas para encarar mudanças climáticas e, como tudo na vida, uma boa dose de sorte para o planejado virar realizado.

Londres é uma daquelas cidades “infinitas” em termos de opções. Ela pode ser até considerada e conhecida como a cidade mais cara do mundo (e realmente é cara), mas não faltam opções, especialmente seus impressionantes e riquíssimos museus, totalmente free of charge. Assim, para se sair do “melê” de tantas atrações e ir mais zonas e bairros mais distantes, é necessário ter-se uma motivação importante.

Qualquer um que escuta heavy metal, e acaba sabendo um pouquinho da história das bandas inglesas, sabe que as mais tradicionais do estilo não saíram das partes “ricas”. Desta forma, normalmente é necessário para aquele que quer conhecer as raízes ter que se afastar da “beleza royal” e ir para lugares como o East End.

Ir ao Cart & Horses é um sonho de qualquer maidenmaníaco. Havia um receio meu em dar alguma “zica”: encontrar o lugar em reforma, com show rolando, evento privado, fechado provisoriamente, definitivamente… afinal, o pub está longe de figurar na internet como um “must see” da cidade, mesmo em lista de lendários pubs – e não é por menos, já que Londres tem literalmente “trocentas” opções onde você se sente fazendo parte da história do mundo.



Tentei entrar em contato com o pub. Por telefone, Twitter, enfim, não consegui nada. Nesta época de inverno, com o sol se pondo em torno das 16h15 (às 16h30, parecia meia-noite, de tão escuro que fica). No site oficial, dá para saber que há shows de sexta e sábado, mas a agenda parou em abril/2015. “Configurei” minha expectativa então de ir e ver no que daria, nem que fosse apenas ver a fachada do pub ou ainda do pequeníssimo hotel 3 estrelas de mesmo nome, que fica em cima do pub.

A ida para lá foi de metrô, aliás, como praticamente todos os lugares que fui na cidade, aproveitando a fantástica, inteligente e mais que centenária malha ferroviária. A estação mais próxima do Underground é a Stratford, e há 3 linhas de metrô passando por esta estação. Depois de uma boa “andada”, ao chegarmos lá, minha esposa e eu percebemos, ao fazermos a rota a pé pelo Google, que seria melhor ainda se andássemos mais uma estação, só que de trem (TfL Rail), descendo na Maryland Station. A estação Stratford é gigantesca, conectando várias linhas de metrô e trens, inclusive na parte dos trens a estação faz conexões internacionais.


A experiência em se sair das principais zonas da cidade é parar de ver turistas e passar a “sentir” como é realmente a cidade. Londres é uma cidade riquíssima: no centro, só se vê automóveis de primeiríssima linha, pessoas vestidas com o que consideramos “a melhor roupa da vida”. No East End, realmente é possível ver o outro lado da coisa, a barra fica “mais pesada” – dá para efetivamente sentir como era o clima inclusive nos anos 1970 / 1980…

A decisão em andar de trem e descer na Maryland mostrou-se a melhor de todas, já que o Cart & Horses fica literalmente a uma quadra da estação. Ao sairmos, erramos o lado, em um clima frio com fina garoa (pleonasmo total). Quando o sinal do celular estabilizou, voltamos à saída da estação e já deu para ver o o pub. Eram 15h30, a noite já começava a dar seus primeiros sinais de que estava chegando e ventava bastante.







Ainda do lado de fora, foi possível ver que o pub estava aberto e, em uma rápida olhada por fora mesmo, não consegui ver ninguém do lado de dentro, fato que se confirmou ao entrarmos…


Confesso que a partir dali foi uma alegria e um nervosismo só da minha parte. As fotos do lado de dentro não ficavam boas, eu comecei a ter uma “pressa” enorme causada pela ansiedade. Quando entrei então, o nervosismo só aumentou – tirei um monte de fotos e depois apaguei a maioria, tendo que refazê-las, depois que passou o pico da adrenalina – e eu, que não tomo cerveja, abri uma justa exceção, pedindo uma Trooper, obviamente :-).

Do lado de dentro, foi possível notar como o pub realmente usa da história com o Iron Maiden para se sustentar: toda a decoração do lugar é relacionada ao Iron Maiden: são fotos, camisetas, LPs, quadros, posters, faixas… e o pub funciona como praticamente todos na cidade: você vai até o balcão, pede o que quer, paga na hora e leva para a mesa sua bebida. O bar possui diversas “ales”, mas a Trooper draft, ali, é por motivos mais que óbvios o atual carro-chefe do bar. As opções para comer também são boas, com o clássico inglês Fish & Chips sendo parte do cardápio. E o ambiente interno (o Cart & Horses possui ainda uma área externa ao fundo) é diferente do que eu imaginava – é bem agradável, confortável, limpo e com tudo organizado.

Mas o grande “destaque” é mesmo o pequeno e lendário palco, do lado esquerdo de quem entra e do lado direito do bar do pub – afinal, é ali que nasceu o grande orgulho da história do heavy metal da cidade e, hoje, do mundo.

Durante a hora que passamos ali, apenas uma garota chegou e ficou sentada sozinha, tomando uma cerveja. Isso porque um grupo de prováveis menores de idade também entrou, se sentaram e, pouco tempo depois, foram educadamente convidados a se retirarem. Antes de sairmos, chegaram mais 3 caras, fãs da banda, que timidamente não estavam tirando fotos. Quando eles viram o que eu estava tirando de foto e fazendo vídeo, confessaram para a gente que “inspiramos” eles a subirem também no palco e sair fotografando o local. Não tem jeito: a vontade de subir naquele mini-palco, estando ali, é impressionante.


Conversei rapidamente com a bartender, perguntando para ela como era normalmente o movimento do pub hoje em dia. Ela disse que o movimento continua bom, mas é mais local, exceção, claro, aos fãs da banda, que vêm do mundo todo visitar o lugar. Perguntei se eles recebiam fãs todos os dias, e ela me disse que não, mas que dá para dizer que um dia sim, outro não, em média. Questionei ainda se ela gostava de Iron Maiden, se conhecia algo da banda, e ela disse que não gostava “tanto” e que conhecia o básico do que via ali dentro e tanto ouvia falar dos fãs (hehehehe). De qualquer forma, era uma pessoa bem simpática, mas também a provável responsável de no som e nas TVs do pub estarem tocando umas músicas pop de qualidade, digamos, duvidosa.

De resto, foi curtir o local naquela quinta-feira, 12/nov/2015, deixando a câmera também de lado por um certo tempo, tomando a Trooper e andando onde o Iron Maiden nasceu!


















Para fechar: é mais do que viável viajar para a Inglaterra “apenas” para ver lugares relacionados à música. Mesmo sendo bastante óbvia tal frase, eu gostaria de reforçar: é MAIS DO QUE POSSÍVEL fazer apenas isso. É difícil, entretanto, fazer isso em uma primeira vez, especialmente em Londres, com tantas coisas a conhecer. Portanto, as variáveis tempo e planejamento, novamente, são fundamentais.

Ah! Sim, há outro lendário pub no East End, próximo ao Cart & Horses, que o Iron Maiden também tocou lá no início de tudo: o The Ruskin Arms. Mas deixemos para um próximo post :-).

[ ] ‘ s,

Eduardo.

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1 comentários:

  1. Pude conhecer essa Meca do heavy metal em 2013. Recomendo a todo fã de Maiden. Só uma curiosidade: perguntei pra garçonete do bar se o dono era o mesmo dos anos 70, ela disse que não, perguntei tbm se o palco era daquele jeito mesmo, ela não sabia mas o dono era fã e tava lá, ele me disse que o palco naquela época ficava do lado oposto de hoje.

    Ansioso pelo post do Ruskin Arms, esse eu não fui conhecer!

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