Cobertura Minuto HM – Keynote do Bruce Dickinson na Ciab FEBRABAN 2015

Por Minuto HM

Como vimos na primeira parte, a maior evento brasileiro de tecnologia para o setor financeiro trouxe este ano um convidado que causou estranheza para muitos – eu diria para a maioria – dos presentes: o multi-facetado Bruce Dickinson.

Cerca de meia hora antes do horário programado, os corredores passaram a receber grande público e a estranheza ia aumentando. Eu cheguei a comentar com um dos profissionais de um estande que imaginava que rolaria uma fila, e tive a seguinte resposta: “não teve fila para ninguém aqui nos outros dias, nem nunca rola fila para palestras”. Pois é, sempre há a primeira vez.

Percebendo o movimento e com aquela “certa bagagem”, fui garantir minha posição na fila, que acabou me posicionando na terceira fileira do principal auditório do evento. Ao meu lado, havia um outro fã de Iron Maiden de Brasília me mostrando fotos dele com a banda. As 17h18, ou seja, com 3 minutos de atraso, rolou o encerramento oficial da Ciab 2015 com a escolha do melhor estande da feira. Também foi anunciada a proibição em filmar, mas que estaria permitido fotografar.





Logo após isso, Bruce Dickinson é chamado ao palco e é aquele momento surreal, pois todos ficaram sentados e eu automaticamente me levantei. Foi difícil segurar ali o “corporativismo”, aquela coisa mais seca e fria. Não teve jeito. É levantar, aplaudir e levantar o braço, como o Pelé fazia ao marcar gols. Enquanto muitos colocavam seus equipamentos de tradução simultânea, eu volto a me sentar, pego o celular e abro para fazer anotações básicas para este post poder existir…

A voz de Bruce estava, nos primeiros momentos (menos de 2 minutos), um pouco mais rouca que o normal, mas para minha felicidade logo voltou a um nível que, de verdade, se não soubéssemos do que ele passou – e superou – é bem provável que, se fosse para falar um pouco sobre desgaste da voz, falaria que está relacionado exclusivamente à idade. De qualquer forma, sim, percebi um certo “arranhado”, algumas falhas e em até alguns momentos um certo desgaste – como se fosse um início do que vimos com Paul Stanley, mas novamente reforço: BEM POUCO e apenas nos primeiros momentos da palestra. Bruce está bem.

A base da palestra foi a que pude conferir na Campus Party de 2014. Ele trouxe praticamente o mesmo PPT e 90% dos exemplos, mas procurou trazer como diferencial alguns exemplos mais próximos de uma realidade bancária e também agora focando mais no cada vez maior envolvimento dele com o mundo da aviação. E Bruce, dessa vez, misturou bastante a sequência dos assuntos, “indo e voltando” nos temas, mas de uma forma ou de outra achava uma forma de “reconectar” os assuntos, ainda que nem sempre naturalmente.

Dickinson iniciou a palestra “Turning Your Customers Into Fans” justamente com os alicerces desta frase, comentando e repetindo algumas vezes que odeia consumidores. Com essa afirmação, ele partiu para explicar que o que ele gosta são os fãs, já que consumidores têm opções e fãs, não – os fãs não vão embora, dando o exemplo de um torcedor de um time de futebol que nunca deixa de torcer para seu time.

Na sequência, Bruce também começou a ressaltar a importância do relacionamento entre as pessoas “em vida real”, e não apenas de forma digital – o “olho no olho”, por exemplo. Comentou das pessoas que mandam e-mails para pessoas que estão ao lado, ou no andar de cima da empresa, mas que não as chama para tomar um café e logo decidir o que deve ser feito. Também já trouxe o tema de que as pessoas hoje estão tão conectadas e querendo fazer milhares de coisas ao mesmo tempo e mal deixam um tempo para elas para a criatividade aparecer, já que isso é mais difícil no dia-a-dia. Bruce comentou ainda que era aquela criança da escola repreendida pelos professores pois ficava olhando para a janela, “viajando” com outros assuntos.

Ainda na questão de relacionamentos, Bruce comentou que hoje todos são tratados como estatísticas, não mais como pessoas. Deu exemplo de que se deve respeitar as pessoas fazendo a analogia com uma banda que entra atrasada em um show, ou que vende uma camiseta porcaria. Bruce novamente mostrou para a plateia o exemplo do celular clássico da Nokia (“a empresa que inventou a Finlândia”), da bateria que dura 7 dias (“quantos dias dura do seu iPhone?”), não faz ‘selfie’ e não tem e-mail. O argumento é que muitas vezes as pessoas têm dispositivos que fazem muita coisa e não é disso que elas precisam, e no Nokia, “you get what you need”. [NOTA DO EDUARDO: o exemplo de Bruce vai ficando cada vez mais complicado de ser defendido].

Fazendo a ponte entre isso e o início da palestra, Bruce questionou a plateia do motivo da Apple ter sobrevivido a crise e por que ela sempre deu certo e hoje se tornou a maior empresa do planeta. Bruce argumentou então que a empresa sempre fez produtos lindos em termos de design, mas para públicos específicos e que “não tinha software para rodar”.

Ele voltou a indagar os presentes (isso sem conseguir responder de volta, claro, apesar das minhas frequentes “levantadas de braço” na tentativa de um contato) do motivo que as pessoas compravam produtos Apple. A resposta é porque os compradores não eram consumidores, e sim fãs, e que a Apple era a religião deles.

Dickinson se abaixa para levantar um retorno para mostrar o tamanho que era seu primeiro Mac portable e vem uma microfonia altíssima – ele, que estava usando um microfone estilo headset, nem liga e logo sai da situação, mas a partir daí até o final da palestra, se mostra incomodado com as frequentes microfonias e até uma perda de sinal que acontece. O curioso é esse tipo de situação é acontecer em um evento de Tecnologia com um cara acostumado com transmissores e microfones – “casa de ferreiro, espeto de pau”.

Bruce então trouxe a foto de Jimi Hendrix (a mesma), explicando como o guitarrista fazia para se transportar pela América, que a revolução estava chegando e que pelo Boeing 787, o manager do Hendrix havia visto uma oportunidade para agilizar e ao mesmo tempo baratear os custos de transportes usando tais novos jets que chegavam ao mundo à época.

Então a discussão chegaria um dia ao Iron Maiden, que queria tocar em lugares ainda não explorados mas que, pelos números, eram lugares com muito fãs como, por exemplo, Índia. Bruce ressaltou aos presentes que iniciou-se mais uma enorme discussão com os contadores já que são eles que sempre proíbem as ideias mais criativas de serem realizadas, já que Bruce apresentou a ideia da banda ter seu avião (ele usou a expressão “magic carpet) para levar tudo em um único lugar: banda, roadies, crew, equipamentos e todos os Eddies que a banda usa em seus shows.

Como sabemos, o Ed Force One não é um “ativo” da banda, e sim um aluguel que partiu então desta inspiração da época de Hendrix, só que dessa vez com todo o apelo visual da banda na aeronave. Bruce então comentou como apresentou e convenceu a ideia para a banda e, usando seu conhecimento do negócio como piloto da Astraeus Airlines, explicou que normalmente os meses de novembro, fevereiro e março eram o “downtime” da aviação mundial e que a banda poderia então conseguir um preço melhor no avião.

[NOTA DO EDUARDO: como a Astraeus também não ia bem das pernas], a banda então topou a ideia e acabou gerando negócios e negócios para eles desde o anúncio da ideia até o final da que virou uma tour em torno do avião (e que acompanhamos muito por aqui), o Flight 666. Dickinson comentou que o avião virou uma febre para fãs, entusiastas da aviação e, na verdade, para todos, sendo o avião mais fotografado do mundo.

Então Dickinson comentou da entrada dele na Austraeus, companhia que, “quebrada”, estava para encerrar suas operações quando Bruce e mais um piloto tiveram a ideia de transformar o negócio deles em manutenção (no meio da industria em geral, conhecido como MRO – Maintenance, Repair and Operations).

Bruce então soltou uma afirmação forte, comentando com os presentes que começou este novo negócio deleasing de aeronaves há apenas 2 dias (ou seja, terça da semana da palestra e imediatamente antes de embarcar da França para a Ciab 2015), onde comenta que todas as linhas aéreas do mundo, que estão em dificuldades financeiras, possuem um negócio que está fadado ao fracasso pelo simples fato de possuírem aviões, ou seja, os ativos que tem violenta depreciação e dificuldades em vendas. Assim, sua argumentação foi que é aí que está a oportunidade: segundo Bruce, um avião de 12 anos de vida continua sendo igual a um novo, bastando uma nova pintura. Bruce então quer oferecer isso às aerolinhas: o custo dos ativos e MRO é da empresa dele a empresa final entra apenas com o serviço [NOTA DO EDUARDO: essa empresa se chamará VVB e foi formada através da Cardiff Aviation]. Para mim, esse foi o melhor momento da palestra para reflexão.

Bruce então trouxe uma atualização (e para muitos, a novidade) do exemplo do que a banda vem fazendocom sua cerveja Trooper. Mas antes, para fazer o (muito confuso e longo) gancho, deu uma alfinetada na já lendária época que “havia uma banda MetallicA” que processava seus fãs pelos downloads de música no Napster, dizendo que não era inteligente processar seus próprios fãs. Também comentou que nos últimos anos, aconteceu uma avalanche de lançamentos vindos das gravadoras de conteúdos remasterizados, que faziam o fã ter que comprar a mesma coisa 6 vezes para poder ter tudo. Bruce disse que foi por isso que todas as grandes gravadoras faliram: o download foi a revanche dos clientes para as gravadoras e que a razão era simples: os consumidores são fãs da banda, mas não delas (gravadoras).

Então Bruce, tentando se aproximar do tópico da cerveja, indagou: como sobreviver no mercado fonográfico? A resposta era continuar entregando novos discos (e que banda que não faz música nova vira banda de karaokê – [NOTA DO EDUARDO: afirmação mais que clássica dos membros do Iron Maiden]), mas com o intuito de saírem em tournê. As mudanças estariam também em, por exemplo, pararem de vender uma camiseta por USD 5,00 e passar a vendê-las por USD 100,00. O segredo era esse: lançar novo material para mantê-los “atualizados” e para o público se interessar em voltar a assisti-los também.

Finalmente Bruce entraria no tópico da cerveja, comentando novamente que a primeira ideia apresentada a eles foi o desenvolvimento de um vinho tinto, que Bruce logou rejeitou por não combinar com a tradição inglesa. Bruce também voltou a ressaltar que, já que era para fazer algo, não era apenas colocar o rótulo do nome em uma cerveja existente, e sim desenvolver a sua própria “Ale”.

Bruce então comentou que estava preocupado: com exceção dele na Inglaterra, comentou que Steve Harris vive nas Bahamas ; Nicko, na Flórida… ele era o único na Inglaterra que podia testar a cerveja por lá. Como sabemos, a cerveja saiu, e ele comentou que as vendas neste segundo ano de vida aumentaram 30% e que á a cerveja líder na Inglaterra hoje. O que antes era para curiosos (normalmente fãs da banda) e para souvenirs, agora é conhecida para todos que gostam de boa cerveja. Por fim, soltou a piada mas que é verdade: “a cerveja é a prova de downloads”.

O palestrante principal do dia trouxe então o mesmo slide do pernilongo, mas desta vez eu gostei mais dos exemplos usados para explicar como nossa criatividade é como o tal pernilongo. Em resumo, você não o vê chegando quando está no escuro dormindo, mas lá está ele e “booom”, ele o tal “creative mosquito” já te picou.

Para finalizar a keynote, Bruce comentou que o Iron Maiden estava anunciando nesta quinta-feira o lançamento de seu novo disco (The Book Of Souls) e que esse novo álbum é duplo, ou seja, que dá para beber bastante cerveja escutando-o, arrancando as primeiras contundentes risadas da plateia (finalmente). Bruce então deixou os presentes com o vídeo abaixo, mostrando seu orgulho em ver seus fãs fazerem algo como isso. A versão da música usada é justamente do Flight 666, ao vivo no Japão e o vídeo usado, que não é exatamente o abaixo, é mais ou menos isso:



Apesar de ninguém ainda ter se levantado, eu já estava esperando pela saída do Bruce quando entrou um moderador no palco para dizer que “we will be taking questions from the audience”. Neste momento, foi instantâneo minha reação a um vindouro Q&A: me levantei com o braço na lua. Infelizmente, o tal moderador usou a frase errada, já que as perguntas “from the audience” já estava todas anotadas com ele. É, não foi ainda desta vez. Os 2 se sentaram em poltronas como em um cenário de talk show.

O moderador em questão era nitidamente uma pessoa com ótimo nível de inglês, já que sua pronúncia e construção de frases era muito boa. Entretanto, muito provavelmente causado pela ansiedade e um nervosismo do tamanho do novo maior avião do mundo (um Zeppelin que o próprio Bruce está envolvido diretamente em seu desenvolvimento), o moderador se enrolou totalmente, gaguejou e causou aquela situação complicada.

Eu entendi qual era a intenção: era simplesmente perguntar se Bruce estava bem e recuperado do susto do câncer. Bruce tentou entender a pergunta umas 3 vezes e, vendo a situação, começou a falar do novo álbum da banda. O moderador tentou fazer um gancho, mas novamente foi infeliz em sua tentativa e Bruce então comentou que só falaria do álbum quando as pessoas ouvirem para terem opinião, ainda que o tema não tivesse nada a ver com isso.

O moderador então, já suando e mexendo em sua apertada gravata no pescoço, conseguiu se fazer entender na próxima pergunta, que foi o motivo de Bruce passar a fazer outros negócios. Bruce então respondeu que não foi planejado, que foi a atmosfera e que, quando ele começou a voar, foi o primeiro verdadeiro emprego dele e ele se impressionou com a ideia de fazer um trabalho em um dia e concluir algo no mesmo dia, já que na banda ele nunca fica off duty, só no hotel. Bruce então disse que a criatividade dele nunca desliga e que era relaxante para ele ter um trabalho.

O moderador, nitidamente fazendo um esforço enorme para se acalmar e “ganhar” um pouco da confiança de Bruce (a situação era incômoda). Ele consegue encaixar uma bom gancho ali, questionando a Bruce se poderia parar de cantar para se ater aos (outros) negócios. Dickinson disse que seria loucura parar de cantar apenas para voar e que há muitos pilotos no mundo, sendo que ele tem algo como vocalista que é único e que anda com a criatividade em alta, já que ele nunca escreveu como agora e que poderemos conferir isso no disco novo (o final dessa resposta bem “coletiva de imprensa” sobre novo disco). Mas gostei da resposta inicial…

O moderador, que acabara de fazer uma pergunta excelente, faz uma de deixar todos presentes (mesmo aqueles que mal sabem da vida de Bruce) com vergonha: ele me solta uma pergunta (com muita dificuldade em se fazer entender) do motivo de um piloto de avião usar gravata (!!!) já que ninguém os vê na cabine do avião…

Aqui tenho que dizer: você está com Bruce Dickinson à sua frente podendo fazer perguntas para ele. Bruce está a vontade em uma poltrona (apenas não 100% pois lutou com o transmissor de seu headset que parava de funcionar e chiava constantemente) e o que você me faz? Você pergunta da gravata de um piloto. Comentei com o fã ao lado: “tem gente que não merece ter as oportunidades que tem”.

Bruce, lutando com aquela situação, apenas responde que ali ele é o capitão de um voo, um representante da empresa e que existe um uniforme. A resposta causa ainda mais constrangimento.

O moderador então continua sua série “não é possível que isso está acontecendo” de perguntas e o questiona se ele gosta de algum banco, já que o público ali presente era compostos basicamente por profissionais do meio. Bruce dá uma risadinha bem inglesa e comenta que ninguém gosta de bancos, mas que ele gosta do dele quando ele vai e tem café. Aquele constrangimento.

Finalmente o moderador encaixa uma pergunta mais relevante novamente, questionando Mr. Air Raid Siren sobre projetos que falharam e os motivos. Bruce responde que as falham acontecem porque se escolhem as pessoas erradas e que muitas vezes se delega funções importantes a essas pessoas e só se descobre isso no meio do processo, e que as vezes é possível se recuperar e as vezes não. Bruce diz ainda que as vezes são pessoas competentes envolvidas, mas que isso não significa que não faltem certas “competências” para aquilo dar certo. É hora então de você entrar e assumir o controle. Por fim, disse que boas ideias costumam funcionar.

A próxima pergunta é se, como piloto, as pessoas o reconhecem. Bruce apenas responde que sim, que como piloto comercial, alguns o reconhecem apenas pela voz.

Bruce aproveita o gancho para ELE fazer uma pergunta (e que eu, dessa vez, notei que não era para responder a ele, apenas refletir, hehehe). Ele questionou os presentes colocando a seguinte situação: você está em um voo e acontece uma grande despressurização. Caem as máscaras de oxigênio, o que se deve fazer depois? Ele questiona os procedimentos das airlines, dizendo que após colocar na criança e em você, falta o procedimento de remoção do pino que inicia o fluxo de oxigênio para toda a sua fileira, sendo que basta uma pessoa remover para que o fluxo seja iniciado (e se ninguém fazer, não tem oxigênio). Muitos presentes soltam um “oooohhhh” e o moderador tenta encaixar um “Bruce salvando vidas”, mas a piada não entra.

Vem uma questão então sobre o que ele acha da tecnologia atual, já que a maioria dos presentes ali é do ramo da tecnologia bancária e que “nem sempre dá para ser criativo” em um ambiente sério como o mercado financeiro. Bruce responde que tem desinteresse em gadgets, já que se desatualizam quase que imediatamente e que é ridículo que você ainda tem que pagar para se conectar a internet. Diz ainda que ele não se conforma em ter que se conectar a cada 5 minutos em um novo Wi-Fi, já que com isso se perde tempo.

Ainda na resposta, aproveita a pergunta para dizer que muitos hoje perdem tempo em gadgets e e-mails, ao invés de pegar o telefone ou ir falar com as pessoas. Afirma que troca de e-mails faz você não resolver nada. Bruce então ganha efusivos aplausos quando disse que deleta e-mails de follow-up perguntando o motivo dele ainda não ter respondido o e-mail original, e que depois deleta o e-mail original também. Por fim, Bruce critica pessoas que perdem tempo nas redes sociais, diz que não tem conta em Instagram, que nenhum dos sete Bruce Dickinsons do Facebook é ele e que tudo que é possível delegar sobre isso, ele delega. Então Bruce chama de “idiotas” as pessoas que ficam buscando “like” nas redes sociais e que os que são os “haters” fazem isso na internet, mas não vão a um pub xingar na cara, pois não tem coragem. Grande resposta de Bruce!

Bruce termina a resposta dizendo que se você tem uma visão, para não desistir e seguir. Para não ficar perguntando aos outros – e dá o exemplo de um pintor, que não questiona qual cor deve pintar seu quadro aos outros.

O moderador encaixa a pergunta de quais negócios ele hoje tem. “Bruce Bruce” responde que atualmente possui mais 2 sócios para trading business com aviões 747 de uma holding dos três. Responde ainda que tem uma empresa própria dele para eventos ou para eventos slo com 3 ou 4 pessoas e que “o Iron Maiden é uma parceria dos 6 membros” (é mesmo, Steve???) e que toda a infraestrutura da banda é gerenciada por várias pessoas. Comentou ainda que possui “alguns shares de empresas”. Mas que é fã do Iron Maiden e é o que gosta mais…

Bruce então comenta que possui muito tempo e que tinha acabado de chegar da França e que não sabia o que ia fazer no dia seguinte. Brincou que foi questionado certa vez se ele não precisava dormir e como ele dormia? A resposta foi “eu durmo muito bem”, fazendo os presentes novamente rirem. Argumentou na sequencia que o importante é o próximo tema que vem pela frente, e que escreve nos voos e que quando vem uma melodia na cabeça, ele fica cantando-a para estar “sempre disponível na cabeça”.

Então o descontraído Bruce disse que muitas das suas boas ideias chegam a ele durante as reuniões chatas e com pessoas reclamando. Noto que o momento de “conexão” com o público nesta hora é maior que na palestra, até.

O moderador então questiona como lidar com “usuários internos”. Bruce não entende a pergunta (ou finge não entender) e o moderador volta a se enroscar para explicar-lhe o que são “usuários internos” para um público, por exemplo, de Tecnologia. Bruce então o corta e comenta que as pessoas dentro da empresa costumam ser competitivos ao invés de estarem no mesmo time, e que as pessoas tem o costume de ver confrontos onde não existem confrontos. Critica ainda que muitos gerentes dão responsabilidades de atividades que ninguém quer fazer. Bruce faz uma analogia ao cricket, esporte que ele diz que ninguém no mundo entende e que nem eles mesmos entendem. Comenta ainda que as pessoas costumam reclamar das coisas, que é fácil, mas quando questionadas o que podem fazer para aquele problema, ninguém fala nada. Para terminar, Bruce alivia sua resposta dizendo que estava recentemente em uma reunião e o cara dizia que estava estressado e ficando doente. Bruce, fazendo o tratamento do câncer, perguntou: “você também?”.

Com essa, as 18h44, Bruce então se levanta sob aplausos e como se fosse colocar a roupa para cantar The Trooper, sai rapidamente de cena com pelo cerca de 10 seguranças cobrindo todas as possíveis entradas ao palco, apesar do povo já estar praticamente do lado de fora 2 minutos depois. Eu fiquei ali, mais uns minutos (hm), me despedindo desse provável único contato que terei com o Iron Maiden em 2015, mas já ansioso pela vindoura tour do álbum The Book Of Souls em 2016.





E para quem ficou curioso do possível compromisso de Bruce após a Ciab, aqui está ele – é o Bruce sendo Bruce…

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