Dennis Stratton: Entrevista exclusiva para o Iron Maiden Brasil.



Traduzido por: Yuri Diógenes e Yanne Diógenes.

O primeiro álbum de qualquer banda sempre é marcado por detalhes, que serão lembrados por toda a eternidade. E a formação de um debut se encaixa nesse contexto. Por mais que a banda sofra mudanças por sua jornada de vida, os músicos que gravaram o disco de estreia serão eternamente lembrados, principalmente se essa banda for nosso querido Iron Maiden.

E Dennis Stratton se encaixa nesse perfil. Foi com ele, que clássicos eternos como "Remember Tomorrow", "Running Free", Phantom of the Opera" ou "Iron Maiden" foram registrados. E para falar desse período, o músico britânico recebeu a equipe do Iron Maiden Brasil para uma conversa exclusiva, onde dá detalhes de sua passagem pelo Maiden, faz revelações bombásticas e faz uma bela promessa para os fãs brasileiros. Confiram:

1. Dennis, em primeiro lugar, em nome do Iron Maiden Brasil, quero dizer que é uma honra enorme ter a chance de entrevistá-lo. Bom, quais foram suas principais influências musicais?

Minhas primeiras influências foram bandas de guitarra harmônica , como Wishbone Ash, bandas antigos que usavam guitarra harmônica. A medida que fui chegando a idade de dezesseis anos ouvindo bandas de guitarra harmônica e vê-los ao vivo, eu adaptei esse estilo. Assim, as primeiros bandas em que eu tocava sempre tiveram duas guitarras e se concentravam no trabalho de guitarra harmônica. Quando você envelhece , suas influências musicais mudam. Eu sou influenciado por muitos guitarristas como Steve Lukather, por causa dos diferentes estilos de tocar do jazz ao fusion jazz, do rock a qualquer coisa como Lionel Richie, qualquer coisa. Todas as sessões que ele faz , ele pode se adaptar a diferentes tipos de música com Qincy Jones, então uma grande influência para mim foi Steve Lukather e  guitarristas locais da Inglaterra, do leste de Londres como Jeff Whitehorn, Gathy Govin. Muitas e muitas influências.

2. Qual foi sua experiência musical antes de se juntar ao Iron Maiden?

Eu toquei em algumas bandas punk , e bandas covers. A primeira banda séria que tivemos foi Remus Down Boulevard. Nós tínhamos um contrato com a Quarry Management, que conseguiu status gerenciando Rory Gallagher , e basicamente até o início dos anos 70 , de cerca de 75 a 76-77 , estávamos em turnê pela Europa e Escandinávia com o Status Quo, e tocamos em estadios de capacidade entre 60 a 80 mil que me deu muito experiência com gravações e turnês.

3. Quando foi a primeira vez que você viu o Iron Maiden? Qual foi sua primeira impressão?

Eu costumava encontrar com Steve Harris e Dave Murray na Bridge House em Canning Town , porque eles eram poucos anos mais novos que eu e eles iam assistir a RDB tocar na Bridge House. Então, eu realmente nunca vi o Iron Maiden até me juntar a eles . Quando eu ouvi pela primeira vez a demo "The Soundhouse tapes", eu pensei que era um pouco de punk , um pouco rápido demais , mas isso era o estilo no final dos anos 70 ​para o tipo de metal pesado. 

4. Conte nos como foi sua entrada no Iron Maiden.

Então, basicamente, ele assinaram um contrato de gravação com a EMI , mas eles não tinham um baterista e um segundo guitarrista. Só tinham três deles. Então, eles me convidaram para entrar na banda , em torno do início de 79. Eu me encontrei com Steve e Dave e Rod Smallwood . Deram-me uma cassete, que eu ouvi, e havia muito espaço para introduzir um trabalho de guitarra harmônica, porque como eu disse, o único guitarrista era Dave, então eles estavam limitados. Me juntei à banda, e peguei o trabalho de guitarra harmônica o que fez a música parecer maior com duas guitarras. Eu ensaiei com eles por dois dias sem nenhum drama e então encontrei com Clive Burr , que eu conhecia antes do Maiden. Éramos amigos, e eu lhe disse que havia se juntado ao Iron Maiden e disse-lhe que eles estavam procurando um baterista. Eu levei Clive até os estúdios de ensaio e o resto é história, a banda foi formada como uma banda de cinco peças . Então, basicamente, isso é como todos nós ficamos juntos no estúdio de ensaio.

5. Houveram mudanças nas estruturas das músicas depois que você entrou, ou as versões permaneceram praticamente as mesmas?

Como eu disse há pouco , as músicas em si não foram afetadas. Foram basicamente tornando- se maiores , porque eu tinha a capacidade de colocar o trabalho da guitarra harmônica com ela e também as harmonias vocais, o que significava que as músicas passaram a soar um pouco mais interessantes, um pouco maior do que antes.

6. Como foi o processo de gravação do primeiro álbum?

A gravação do álbum foi bastante rápida. Basicamente, fomos direto para o estúdio. As músicas que gravamos para o primeiro álbum já estávamos tocando ao vivo e por isso ele foi gravado muito rápido. Eu fui deixado sozinho no estudo para fazer a guitarra harmônica e também os vocais harmônicos. E, sim, olhando para trás , nós poderíamos ter passado mais tempo trabalhando no álbum , e que poderia ter tido um som um pouco diferente ou um pouco melhor , mas todo mundo estava feliz com isso no momento . Então isso foi o processo de gravação do álbum, foi muito rápido.

7. O Iron Maiden foi a banda de abertura para o Judas Priest durante a "British Steel Tour". Conte-nos como foi essa experiência.

Infelizmente , antes que tour, K.K. Downing estava chateado com Di'Anno por uma nota que ele tinha colocado no jornal. O Judas Priest não ficou muito feliz com o que Di'Anno disse e por isso fomos tratados de maneira não muito agradável no tour, tipo durante os ensaios e testando as luzes. A coisa é , que com o Maiden , nós tinámos uma grande legião de fãs, que 50-60 % da audiência eram fãs de Maiden. Nós demos uma boa grana para eles com isso, não era só abrir para eles entende? Eram basicamente duas headlines. Eu me dava muito bem com Glenn Tipton, desconsiderando o que Di'Anno tinha dito sobre a banda , eu me dava muito bem com ele e eu não tinha reclamações. Como eu disse antes, a banda foi um pouco mal tratada, mas com a base de fãs lá fora nos aplaudindo, conseguimos dar conta do recado.

8. De acordo com o DVD "Early Days", ficou claro que o motivo de sua saída foram diferenças musicais. Qual foi seu sentimento ao deixar a banda?

Bem, não realmente. As diferenças musicais tivemos realmente não importava , em relação à banda. Sim , houveram diferenças musicais para ouvir em seu carro, ou ouvir em casa, ou ouvir no seu quarto de hotel , ou com seus fones de ouvido com seu pequeno Sony Walkman , porque eu costumava ouvir musicas mais suaves porque se você ouvir heavy metal 24 horas por dia , não será bom para seus ouvidos. Então foi assim que começou o problema. Foi um caso de eu ouvir os Eagles , e musica mais leve, Steely Dan, Toto, Foreigner, Journey e o Rod não gostou muito. Nós basicamente nos separamos em boas condições. Eu ainda vejo Steve agora, quando ele veip para a Inglaterra na Arena O2 e em diferentes lugares. Então isso foi o início da partida, eu estava triste por sair, mas no final eu não posso ser mandado no que ouço 24 horas por dia.

9. Anos mais tarde, você gravou alguns projetos com Paul Di'Anno dentre eles "The Original Iron Men". Como foi trabalhar novamente com um colega de sua época de Iron Maiden?

Agora deixe eu ser bem claro e explicar isso: Eu nunca gravei um álbum com Di'Anno . Ele não é um amigo, ele não é um colega. Fui convidado para ir para o estúdio com um cara chamado Lea Halt, que agora tem associação com Di’Anno. Lee pediu para eu entrar em estúdio e gravar alguns demos, enquanto eu estava no Praying Mantis, e sob contrato com a Pony Canyon. Eu fiz isso por que gosto de tocar diferentes tipos de música e também poderia ter significado um álbum dele que eu poderia trabalhar como um projeto a parte do Praying Mantis . O que aconteceu foi que com as demos que Lea Halt fez ele botou a voz de Di'Anno junto com a minha voz , e tornou o álbum meu com Di'Anno . Primeiro de tudo, eu não tinha conhecimento desse álbum ter sido lançado. Em segundo lugar eu não recebi nada em dinheiro para fazer essas sessões. Além disso, o álbum foi lançado sem a minha permissão, por trás das minhas costas e causou monte de confusão entre mim e a Pony Canyon, porque ter um contrato com uma gravadora  Japonesa requer que você seja muito sincero e honesto, coisa que eu sou. Infelizmente este álbum ou dois álbuns foram lançados sem eu saber. Basicamente o Lee Halt é um ladrão, um bandido, ele não é meu amigo, e eu nunca trabalhei com Di'Anno . Di'Anno apareceu "Live at Last" do Praying Mantis, mais foi só isso. Um álbum, e isso foi feito pela Pony Canyon. Lea Hart é um bandido e ladrão, e eu espero que eu tenha deixado este ponto bem claro.

10. Dennis, você conhece o Iron Maiden Brasil, e nosso trabalho de buscar informações e noticias de ex membros do Maiden?

Eu não conheço o site ainda  mas o que eu sei, é que eu tenho um monte de bons amigos e fãs no Brasil. Tenho sido sondado por diferentes pessoas para ir ao Brasil, para tocar em alguns shows, mas nunca deu certo. Quase fui lá no começo deste ano, mas os promotores ou agentes ou quem quer que esteja recebendo esses shows, infelizmente não concluíram o trabalho. Então, eu estou esperando que um dia, por causa de todos os meus amigos no Brasil, eu possa ser capaz de ir tocar algumas músicas do Maiden para você, por que  isso é um dos meus últimos sonhos, ir para o Brasil para tocar. Com quem quer que seja, com uma banda européia que eu estou trabalhando no momento, o Clear Voyance, tenho duas bandas que eu posso ir para ao Brasil e fazer um incrível show do Maiden. Portanto, esperamos que com a sua ajuda e a ajuda de todo mundo, eu seja capaz de ir.

11. O que você conhece sobre o Heavy Metal aqui no Brasil?

Eu sei muito sobre o heavy metal no Brasil, e é fantástico. Recebo mensagens no Facebook, no YouTube, o tempo todo. 

12. Dennis, mais uma vez, em nome do Iron Maiden Brasil, muito obrigado. Por favor, deixe uma mensagem para seus fãs brasileiros.

Para o Iron Maiden Brasil, muito obrigado pela chance, e obrigado por fazer estas perguntas. Por favor, mantenha contato, muito amor para toda a sua família e amigos, e todo mundo ai no Brasil. E eu espero vê-lo em breve. Muito amor... Dennis, até breve!


Sobre Alexandre Rodrigues Temoteo

Alexandre Rodrigues Temoteo