PAUL MARIO DAY: Entrevista com o 1º Vocalista do Iron Maiden

Por Lira do IMBPub
Saiu recentemente uma grande e esclarecedora entrevista com Paul Day, o 1º. vocal do Maiden. A Crimzon Lake, sua recente banda, tem recebido atenção dos órgãos de imprensa juntamente com o lançamento do EP auto-intitulado.A entrevista saiu na Voltage Media nesta quarta-feira, dia 20.

Voltage Media (20/07)
O nome Paul Mario Day pode não dizer muito para muitos fãs de metal, mas certamente diz para qualquer seguidor do Iron Maiden. Paul foi o vocalista original da banda, cantando com eles nos primeiros meses de carreira musical. Se vocês voltarem a olhar as biografias passadas como Running Free (1984) de Gary Bushell, Infinite Dreams (1996) de Dave Bowler e Bryan Dray, e Run To The Hills (1998) de Mick Wall, vão ver que Paul é mencionado favoravelmente.

A primeira vez que esbarrei com Paul foi em 2001 em Newcastle, Australia, e nesta época, Paul estava residindo em nossa costa já a algum tempo. Eu tinha uma moto e quando eu a levei para um dos centros de serviço local, um dos mecânicos me perguntou - já que eu eu vestia uma jaqueta da turnê da Fear Of The Dark Tour - se eu já tinha ouvido falar de Paul Day. Quando eu disse claro que sim, ele respondeu, "Bem, he vive em Kotara e trabalha em um centro de serviço lá". Neste ponto eu já me comuniquei com o Fã-clube do Iron Maiden, como eu estava escrevendo para eles nesta época, e preparei uma entrevista que o fã-clube publicou naquele ano na Mag #64.

Paul era muito receptivo e uma pessoa muito quieta, que realmente não entendia esse drama todo e inicialmente não estava muito contente em fazer uma entrevista. Depois que o conheci, ele se sentiu mais confortável, e eu entendo que ele é uma pessoa muito sincera que não tem em torno dele ares de encanto.

Paul é um grande vocalista, que tem uma voz natural real e sincera, e procurando por sua carreira de gravações a versatilidade em sua voz se torna aparente. Muitos procuram por Paul como uma "parte integral do quebra-cabeças do Maiden" entretanto, ele é muito mais que isso e contribuiu significantemente para o metal como músico, não apenas como "o cantor original do Iron Maiden".

PARTE I - IRON MAIDEN
Paul, quando você começou a ouvir heavy music e quando percebeu que você tinha uma voz pra isso?
Eu comecei ouvindo heavy music entre os onze e treze anos de idade. Eu comecei cantando no colégio e garotos costumavam tentar e me testar com canções, para ver se eu conseguiria cantá-las.Queria ser um músico de algum tipo, mas não realmente um cantor. Eu pensei que seria legal fazer alguma coisa que não fosse mesmo um emprego. Eu nunca pensei de verdade que eu seria um cantor profissional, eu vim das raízes da classe trabalhadora e eu só pensava que alguém mais faria isso.Comecei cantando junto com um guitarrista e não tocávamos com um baterista até mais tarde. Até estar com o Iron Maiden eu não sentia que queria ser mesmo um cantor, com isso a sugestão da possibilidade de seguir uma carreira, parecia possível.
Em relação a ouvir música, comecei com os Beatles e então, próximo do fim do período escolar, era Moody Blues e Led Zeppelin. Eu ouvia Black Sabbath quando estava cantando com o guitarrista. Naquele ponto eu estava atraído para música mais dark de uma boa maneira, e eu gostava daquilo mais do que tudo. Ouvindo Black Sabbath agora, pra mim, eles não soam mais pesados, apenas como rock melódico.

Quais foram as primeiras bandas nas quais esteve? Você cantou com alguém nesse estágio que fez da música sua carreira?
Minha primeira banda real foi a Iron Maiden. Eu fiz um show no Railway Social Club do meu pai, de covers, mas Maiden foi minha primeira banda real - nada de valor antes do Iron Maiden.


Como você ingressou no Iron Maiden?
Eu vi Steve Harris e Dave Smith no Gypsy's Kiss, tocando no The Bridgehouse Pub e eu gostei mesmo daquilo. Nada grandioso, eu não sabia que Steve esteve tocando baixo por poucos anos, apenas.Eu trabalhava em um centro de serviço de bicicletas em Leytonstone, perto da casa de Steve, e ele passou perto um dia e eu perguntei se ele precisava de um cantor. Daquela vez ele disse não. Mas cerca de poucas semanas mais tarde Steve se virou e perguntou se eu queria fazer um teste e eu fiz.

Quais são suas memórias iniciais de ensaiar com o Maiden e Steve Harris?
As primeiras canções que tocamos foi uma música da Montrose "I've Got The Fire". Eu senti logo que era promissora eu gostei mesmo dela. Steve me introduziu ao Judas Priest e foi isso. Nós estávamos expandindo musicalmente por volta do tempo do Sabotage e Priest. Eu costumava ir para a casa de Steve e ele me mostrava músicas e as melodias e dali eu as trabalhava na voz.As coisas pareciam mesmo naturais e toda vez que nos reuníamos, aquilo progredia e estava ficando cada vez melhor. Tudo parecia certo mesmo.

Qual era a diferença entre Iron Maiden e outras bandas de pub tocando pelo circuito do East End londrino, nessa época?
Sentia que a banda precisava colocar um pouco mais de covers no set, já que os frequentadores não respondiam muito favoravelmente e eu me aproximei de Steve pra dizer isso, mas sua resposta foi "Eu vou permanecer com essa idéia. Acredito que vai funcionar assim." Eu tive minhas dúvidas, mas Steve sabia o que ele queria e, para ser honesto ele estava certo, funcionou. Eu admiro sua força e foco nesse aspecto.
As únicas covers que fizemos foram "I've Got The Fire", "Jailbreak", "Simple Man" e possivelmente uma música da UFO, e o restante eram originais.

Quais são suas melhores memórias da época?
Para mim, acho que foi acreditar pela primeira vez em minha vida que eu poderia ser um cantor de fato. Antes disso eu não acreditava, aquilo me deu a força pra seguir em frente. Também o fato de que estávamos juntos, eu não lembro de nenhuma briga entre nós.Duas outras coisas, Steve me levou para ver o Stray tocando na Woolwich University e também Judas Priest fazendo a "Sad Wings of Destiny" - demais e nunca vou me esquecer daquilo.

Em que ponto você não esteve mais com o Iron Maiden e como isso afetou você?
Eu fui comunicado após um show. Entretanto, Steve me avisou sobre andar junto da banda nas presentações, por um período. Ele me pediu para organizar meu visual e minhas brincadeiras nos intervalos.Foi como ter perdido uma namorada. Senti que eu perdi o amor da minha vida. Mas aquilo me levou a bater de frente com minhas ações nos shows posteriores. Foi ruim na época, mas um bom resultado veio disso enquanto eu levava minha performance para um nível que precisava estar, e me manteve indo em frente. Estive então ensaiando com bandas e tocando músicas cover.

PARTE II - MORE
More foi uma banda brilhante do movimento NWOBHM e seu álbum debutante Warhead (1981) tem algumas faixas fantásticas. More fechou um negócio com a Atlantic Records e foram vistos, durante este período, como uma das vanguardas do gênero. Olhando pra trás e pensando em algumas outras bandas paralelas ao Maiden que gravaram álbuns, Warhead se mantém acima de tipos como Jaguar, Samson e Angel Witch, sem dúvida.Neste ponto, a ironia na carreira de Paul é que ele esbarrou de ombros novamente com o Sr. Steve Harris e Maiden, uns 7 anos depois.

Como a More se formou?
O baterista da More me contatou e perguntou para vir ensaiar. Eu não os conhecia, eles que me acharam, mas eles eram todos caras locais de qualquer forma. Eu ensaiei cerca de 12 canções e então re-escrevi todas as melodias vocais e foi a partir daí.A música era pesada, mas um tanto descontraída, não era exatamente o que eu gostava, é difícil de explicar, mas por ultimamente não pensei que aquilo fosse pra mim. Acho que um pouco Grateful Dead, música americanizada, quando minhas raízes eram mais coisas britânicas - Judas Priest e coisas mais complexas.Pensei em deixar a banda, mas eles me convenceram a ficar e a música seguiu para uma direção mais pesada - na verdade o baixista tinha deixado a banda já que a música estava mudando tanto. O guitarrista tinha experiência prévia e ele trouxe muito conhecimento para o grupo sobre PA e contratos de gravação e tudo mais.

Nessa época, em que lugares vocês tocavam e com que outras bandas tocavam?
Tocamos com a Angel Witch e o Samson. Nós tocamos no Krackers ou Checkers - não lembro realmente, o Ruskin Arms, o Bridgehouse. Nós não tocávamos muito ao vivo.


Como aconteceu o contrato com a Atlantic Records, já que essa era uma companhia grande comparada ao contratos que muitas outras bandas tinham na época?
Para começar, uma demo e uma companhia na Alemanha que ficou com ela. Então nós fomos até lá para gravar, em um estúdio que o Accept gravou. Agora tínhamos uma demo de duas faixas e ninguém queria um pedaço daquilo. Levando para a Bronze Records, eles ouviram a demo e disseram que era ruim, especialmente o cantor.Neste ponto não sabíamos para onde ir e ficamos muito desanimados. Então a demo foi enviada para Tommy Vance do Friday Rock Show, e nós tivemos que gravar 4 músicas na estação de rádio. Eu bebi uma garrafinha de uísque antes de gravar, pra me relaxar e dar aquela sensação de ao vivo, e também para me fazer esquecer que estavam gravando. Eu então cantei por cima de cada faixa mais uma vez e então nós mixamos o material.Antes deles tocarem as faixas, eu enviei uma carta datilografada para todas as companias que nos empurraram de volta e disse a elas para ouvirem à estação quando fossem tocadas e deixei então o meu número. Eu não fui muito polido; eu queria dar um sentido àquilo. O DJ nos deu um boa crítica, e como resultado, na segunda-feira após o Friday Night colocar no ar a demo eu recebi chamadas pelo telefone da Polydor, Atlantic e Bronze. Entrei em pânico e dali o guitarrista encontrou um gerente que tinha um estúdio de gravação em Londres, no qual Gillan e AC/DC tocaram. Isso foi bom já que eu não tinha veia para negócios.Quando soube que tínhamos a Atlantic eu não acreditei já que muitas das minhas bandas favoritas estavam neste selo. Dali em diante nos concentramos em ser uma entidade e estabelecer nossa música e não se preocupar com negócios. Aconteceu depois do punk e fixamos nossa própria identidade. Não éramos uma banda linda e então tivemos que brincar com isso.

Como o álbum foi recebido? Você teve alguma idéia das vendas dele?
A única coisa que lembro é que foram cerca de quarenta a quarenta e cinco mil apenas na Alemanha. Mas para ser honesto, eu não me importava sobre essas coisas, eu só queria tocar. Eu era jovem e só queria tocar e viver esse estilo de vida.O single "We Are The Band" atingiu o número 47 nas charts e eu estava feliz com isso. Pelo tipo de banda que éramos em 1981, sem nenhuma promoção real, sentia que era um bom resultado. Nós suportamos Krokus neste período, nos seguramos e seguimos bem. Os lugares estavam cheios para as bandas de suporte - uma experiência muito satisfatória e bom feedback do público e da imprensa.

Como foi que aconteceu a turnê com o Iron Maiden? Como você lidou com os outros membros do Maiden?
Poucos meses após a turnê do Krokus, estivemos na Europa com o Maiden. Não sabíamos o quão bem conhecidos éramos, mas os lugares estavam sempre cheios quando tocamos. Sentimos que as coisas estavam se movendo na direção certa e tudo estava bom. Fizemos nosso trabalho tão bem como humanamente possível e o pessoal do Maiden era excelente!Me encontrei novamente com Loopy e Paul Di'Anno e nos demos muito bem, a banda e o crew eram perfeitos - somente um show na Suíça que não pudemos seguir com os costumes.Durou por 3 meses e foi um sucesso para ambas as bandas. Eu dobrei minha grana na turnê servindo de spotlight para o Maiden e recebia 10 libras por noite, brilhante, amei aquilo. Aconteu nos últimos 2/3 da turnê, tempo perfeito. Haviam montes de banners da More e neste ponto sempre gostei de tocar na Europa. Fizemos entrevistas na turnê e fomos bem. Também éramos uma banda transparente ao vivo que estava sempre pronta pra tocar e não tínhamos argumentos.

Sobre Iron Maiden Brasil Noticias

Iron Maiden Brasil Noticias

0 comentários:

Postar um comentário