[ Bruce Dickinson ] fala sobre a segurança em tempos de terrorismo

Bruce Dickinson passou dois dias em Sarajevo, capital da Bósnia e Herzegovina, em Dezembro de 2015. Esta foi a segunda vez que ele visitou a cidade, em 21 anos. Na primeira vez em que ele esteve lá, Sarajevo estava sob cerco, separada do mundo, seus cidadãos brutalmente aterrorizados por tiros, bombardeios e fome, com eletricidade e suprimento de água sendo considerados luxos. Bruce e sua banda solo dirigiram pelas fronteiras e no final fizeram um show para as pessoas que se encontravam cercadas na cidade. O que este concerto significou para aquelas pessoas, e como isso mudou Bruce e sua banda será mostrado no documentário Scream for Me, Sarajevo, que foi recentemente filmado. O filme, escrito por Jasenko Pasic, está sendo produzido por Prime Time Productions.
O programa The Aebyss, da Radio Sarajevo, teve o imenso prazer e honra de receber Bruce em seu estúdio, onde conversaram sobre este documentário, suas impressões sobre a cidade hoje, e, claro, sobre a turnê do Iron Maiden, apoiando seu novo álbum, The Book of Souls.
Falando sobre as preocupações que ele tem nesta era de terrorismo quando decidindo quais países visitar para tocar para as pessoas, Dickinson diz: “Pessoalmente, sim, eu irei tocar, não importa o que digam. Sua preocupação, na realidade, tem que ser com as pessoas que não têm escolha nesta questão. Quer dizer, foi escolha minha (em 1994) – na verdade, escolha nossa, de modo coletivo, porque nós todos dissemos, coletivamente, ‘sim, somos doidos o bastante para tentar fazer isso, e entrar em Sarajevo no meio da guerra e ver se podemos fazer um show. E (risos) não temos certeza quando iremos estar de volta.’ Mas aquelas pobres pessoas que foram para aquele show (do Eagles of Death Metal), no Bataclan (em Paris, na França) não tiveram escolha; e eles eram completamente inocentes, em qualquer sentido. E, claro, ninguém sabia que aquele lugar seria um alvo. Então, infelizmente, tem uma decisão que as pessoas precisam tomar, e você tem que fazer isso baseado nas melhores informações disponíveis. Se alguém disser, ‘nós vamos massacrar todo mundo num show de rock’, você diria, ‘Bem, se trata de um lunático, ou é algo que pode mesmo vir a acontecer?’”
Ele continua: “Você não pode assumir a responsabilidade pelo que pode ser algum lunático, massacrando pessoas, só porque você quer ser o tipo ‘machão’, e ir lá na frente e dizer, ‘ah, sim sim, nós fizemos isso e as pessoas nos ameaçaram, mas somos machões.’ E isso é ótimo, até o dia em que alguém realmente apareça e faça isso, e você acaba tendo montes de mulheres e crianças mortas, e você acaba pensando, ‘Talvez eu não devesse ter feito este show, porque havia uma ameaça possível.’ Então, infelizmente, você precisa agir como adulto com relação a isso. Mas, ao mesmo tempo, você ainda precisa ser capaz de oferecer às pessoas aquela esperança, e mandar uma mensagem. Eles não podem parar... a vida real tem que seguir em frente. Quer dizer, quando o Exército da República da Irlanda, há muitos e muitos anos... quando eu era criança, as coisas estavam bem ruins, na Inglaterra, e um grupo estava explodindo coisas e coisas horrendas estavam acontecendo, e nada parou – as pessoas seguiam em frente com suas vidas. Você não para. Você não deixa de viver a sua vida. E esta foi a mensagem em Sarajevo – que no meio daquela loucura toda, esta pequena banda de rock iria tocar e as coisas seriam normais por mais ou menos cinco minutos, no meio da guerra. Então, todos esses tipos de coisa são atos de desafio, mas não envolvendo armas, bombas, balas, ou coisas do tipo.”


Fonte: blabbermouth.net

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