As citações mais importantes e que são uma verdadeira aula de marketing de Bruce Dickinson na Campus Party Brasil


Exatamente dois anos atrás, Bruce Dickinson dava sua palestra na Campus Party Brasil, que aconteceu na cidade de São Paulo.
Em uma terça-feira de janeiro, num calor dos infernos, Bruce, vestindo calça e camisa social (e visivelmente suando como louco), subiu no palco Magistrais e falou para uma plateia de oito mil pessoas. Um desafio e tanto, se consideramos que a Campus Party é um dos maiores eventos das áreas de tecnologia e desenvolvimento. Mas Bruce estava à altura. Por mais de uma hora, o frontman discorreu sobre sua própria experiência como investidor, sua visão de como se manter no mundo da música e continuar ganhando dinheiro, mesmo com o advento dos downloads e streaming, e, o mais importante, como transformar seus clientes em fãs, um bordão que tem se tornado tão famoso quanto o famoso scream for me.
Pudemos aprender muitas lições naquele dia, e por isso hoje, celebrando o segundo aniversário da palestra, o Iron Maiden Brasil destacou as citações mais importantes e que são uma verdadeira aula de marketing de Bruce Dickinson na Campus Party Brasil":

“Seria estranho dizer que eles (os fãs do Iron Maiden) também são nossos clientes? Porque vocês sabem quando eles se tornam clientes? Eles se tornam clientes quando os sacaneamos.”

“Quando você é fã, por exemplo, de um certo time de futebol, e eles não estão indo muito bem, você não vira as costas e vai embora, porque você é um fã. Tudo bem eles perderem algumas partidas. Mas se alguém aparecesse e dissesse ao seu time que todos os jogadores agora tem que vestir um vestido rosa de bailarina, agora você tem um problema. Agora, você é um cliente. E o cliente sempre tem uma escolha.”

“O mundo dos negócios é como a vida no oceano. Peixes têm guelras, então eles podem ficar parados na água, e podem respirar, bater as guelras, comer plâncton, ficar grandes e gordos. Tubarões, por outro lado, não tem guelras. Eles precisam se mover, senão eles afundam. É a natureza. Mas, porque eles precisam se mover, eles ficam grandes e musculosos. Mas, porque eles são grandes e musculosos, eles precisam comer muito. O que você acha que eles comem? Ali está o peixe, parado, batendo as guelras, muito feliz, e BAM! Um tubarão aparece e come ele! Este é o mundo dos negócios, você goste ou não, se você ficar parado e dizer ‘ei, eu estou meio confortável aqui’, você será devorado. Alguém irá te devorar.”

“O que quer que seja que você pense que está vendendo, talvez computadores, aplicativos, toalhas, carros, passagens aéreas, o que quer que seja, isso não importa. O que quer que seja que você pense estar vendendo, não é o que você vende. Você está vendendo apenas uma coisa. Você está vendendo um relacionamento com a pessoa que compra.”

“Por exemplo, você compra um carro. Você vai dirigindo pela estrada e a porta cai. É um carro novo. Então você diz, ‘Eu estou muito zangado’. Aí você volta ao local onde você o comprou e diz, ‘Ei! Eu comprei esse carro e a porta caiu!’. E o vendedor diz, ‘Bem, eu sinto muito mesmo. Mas está na garantia. Aqui, leve um outro carro! Leve um outro carro novo. Isso o faz sentir-se melhor?’ ‘Não muito. É um carro novo e a porta caiu. O que vai cair em seguida? O motor? A embreagem? Minha esposa e meus filhos vão andar nesse carro! Eu não confio mais neste carro.’ Não é questão de ter garantia. É sobre o relacionamento. É sobre confiança.”

“Apple é um excelente exemplo de empresa que tem fãs. Na verdade, mais do que fãs. Era uma religião. Você não comprava um computador, no começo, nos primórdios do Macintosh. Você se juntava a um culto.”

(Sobre seu celular Nokia antigo) “Em qualquer lugar do mundo que eu tiro esse telefone do bolso, as pessoas dizem, ‘esse é o melhor telefone já inventado.’ Se é o melhor telefone já inventado, por que ninguém o está produzindo?”

(Sobre a maioria das gravadoras terem ido à falência) “O motivo? Bem, eles todos diriam que a culpa é de vocês. Vocês, os fãs, os clientes, as pessoas que amam música. Diriam que vocês destruíram a indústria da música. E na verdade estariam falando uma grande bobagem. Sabem por que? Eu irei dizer. Quando fizermos um novo álbum do Iron Maiden, quanto vocês acham que iremos ganhar com sua venda? Bem pouco. Mas este não é o ponto. Não é por isso que fazemos músicas novas. Se não fizéssemos novos álbuns, seriamos apenas uma banda de karaokê. Uma banda de karaokê muito boa (risos). Nós temos que fazer músicas novas, porque, sem músicas novas, nós não produzimos novos fãs. Então, nós temos que continuar fazendo músicas novas.”
“A ascensão dos downloads significa que você não ganha mais dinheiro vendendo álbuns. Isso é um problema? Bem, não para nós. Porque nossa audiência na América do Sul aumenta 20% cada vez que saímos em turnê. Isso não aconteceria se não fizéssemos músicas novas. Nós temos que fazer músicas novas, nós amamos fazer isso, foi o motivo de termos começado, e sem isso seríamos apenas um produto vazio. Uma concha vazia.”

“O que as bandas tem? Fãs, claro, muitos fãs. Mas o que as gravadoras tinham? Elas tinham clientes. Ninguém, quando os downloads surgiram, ninguém disse ‘Ah, que pena, estou tão triste porque a CBS Records faliu’. Mas se todas as bandas que assinavam com a CBS Records dissessem, ‘Muito bem, é isso, não vamos mais fazer novas músicas’, aí as pessoas teriam ficado chateadas. Porque eles eram fãs da banda, mas eram clientes da gravadora.”

“Eles (as gravadoras) disseram, ‘Nossos clientes estão tentando nos matar! Eles são todos criminosos! Mande-os para a cadeia!’ Uma coisa muito idiota de se fazer. E uma ou duas bandas fizeram o mesmo. ‘Nossos fãs são o inimigo! Eles estão roubando nossas músicas porque eles nos amam. Nós os odiamos!’ O que está acontecendo?”

“Uma coisa sobre a humanidade é que não somos muito bons em nada. Na verdade, a única coisa na qual somos bons (...) é o contato visual. Nós somos designados para ser criaturas visuais. Nós somos designados para o contato visual.”

(Perguntando à audiência o motivo de estarem ali)”Por que vocês estão aqui? Para me ver é a resposta errada. Porque vocês vão ficar aqui a semana toda. Por que exatamente vocês estão aqui, vocês sabem? A resposta correta é, ‘não faço a mínima ideia’.”

“Criatividade é maior do que conhecimento”

“Quando eu voltei ao Iron Maiden, percebi que tínhamos um problema, porque haviam tantos lugares no mundo que queriam nos receber, mas os contadores – ah, contadores! Eu amo contadores. A terra do ‘não’ -. Eles diziam, ‘Ah, isso não vai dar certo; não, vocês não podem fazer isso, isso não vai trazer dinheiro’ Os contadores disseram que não podíamos ir para a Austrália (...), e usaram a mesma desculpa, dizendo que não podíamos ir para a Coréia, Índia – oh meu Deus, vocês nunca irão para a Índia! Então, porque eu estava trabalhando como piloto comercial, na verdade, estava trabalhando como capitão comercial em tempo integral, eu percebi que o período de tempo em que estaríamos em turnê no Hemisfério Sul era Fevereiro e Março, que era o período em que toda empresa aérea no Hemisfério Norte tem 30% de sua frota no chão, sem nada pra fazer. Era muito barato alugar um avião. Então eu pensei, ‘E se pegássemos um dos nossos aviões e voássemos pelo mundo por algumas semanas, e fossemos justamente onde os contadores dizem que não podemos ir?”

“Então, grande coisa! Nós não ganhamos mais tanto dinheiro vendendo álbuns, mas sabem de uma coisa? A música é tão popular e bem sucedida que agora todos querem vê-la ao vivo.”
(Sobre a cerveja Trooper) “Fomos abordados por um cara que disse, ‘vamos fazer um vinho tinto do Iron Maiden’. Eu perguntei, ‘por que?’. ‘Porque é uma boa, muitas bandas estão fazendo isso’. ‘Sim, mas um vinho tinto do Iron Maiden?’ Quero dizer, eu bebo vinho, é bom, mas realmente não... se fossemos fazer algo do gênero, nós devíamos fazer uma cerveja tipicamente inglesa do Iron Maiden.”

“Então nós desenvolvemos a Trooper. Nós vendemos até o momento cerca de 4 milhões de canecas da Trooper (...) e ela agora é uma cerveja regular, não é um tipo de souvenir do Iron Maiden. Pensem nisso, pensem nos caras que estão dizendo, ‘ Os fãs são criminosos, os fãs são o inimigo, eles deviam ser punidos por baixarem e gostarem das nossas músicas’. Bem, nós apenas pensamos, ‘O que as pessoas fazem enquanto ouvem música?’ A resposta: eles bebem cerveja. Quantas vezes você pode ouvir um CD? Muitas vezes. Quantas canecas de cerveja você pode beber? Muitas mais do que o número de vezes que você ouve um CD. E você tem que comprar a cerveja cada uma das vezes que for beber. E você não pode fazer download dela! Que negócio incrível para se estar!”

Confira abaixo o vídeo da palestra na íntegra (em inglês):

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Michelle Sanches

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