SCREAM FOR ME SARAJEVO - Documentário irá mostrar o show histórico de Bruce Dickinson na Bósnia, durante a guerra.


Bruce está na Bósnia, hoje, participando das gravações do documentário SCREAM FOR ME SARAJEVO, um show com uma história muito interessante, mas que poucos conhecem.
Nesta época, sua banda, Skunkworks, estava muito unida, pelos meses na estrada, e, quando receberam uma ligação muito estranha da Kerrang!, não pensaram duas vezes em aceitar o convite. Lógico que adorariam fazer um show! Só que o show em questão seria na Bósnia, destruída pela guerra.
A ONU convidou várias bandas para tocarem lá”, explica Bruce. “O Motörhead caiu fora no último minuto, o Metallica disse que não queria. ‘Que porra é essa? Vamos tocar lá’. Dissemos. Foram cinco dias incríveis. Nós basicamente nos guiamos em meio a uma zona de guerra, dormindo junto com o equipamento na traseira de um caminhão por sete horas sem qualquer proteção militar ou coisa do tipo. Apenas civis dirigindo uma caminhonete”.
Chis Dale recorda muito bem o que acabou se tornando uma experiência inesquecível, que deu foco ao restante da diversão e brincadeira. “Recebemos uma ligação da ONU, pelo escritório da Sanctuary, perguntando se Bruce toparia tocar em Sarajevo. Bruce está sempre pronto para uma aventura, então disse sim. Na época, dezembro de 1994, a guerra ainda estava rolando, mas não aparecia mais nas manchetes, então achamos que as coisas estariam mais tranquilas por lá. Como já havia acontecido antes, estávamos errados. Voamos para Split, na Croácia, onde nos encontramos com os caras das Nações Unidas no aeroporto. Eles disseram: ‘Muito obrigado por terem vindo, mas as coisas recentemente ficaram um pouco piores por aqui e nós não podemos garantir sua segurança, então aconselhamos vocês a pegarem o próximo avião de volta pra casa’, o que foi um pouco decepcionante. Bruce, no entanto, conheceu alguns caras de uma instituição de caridade que regularmente dirigiam caminhões em Sarajevo, a despeito e a região estar sob cerco na época. Eles disseram que poderíamos ir com eles, caso quiséssemos uma carona.”
A banda decidiu seguir com o show agendado – era tudo ou nada. Não teriam ido para tão longe para voltar pra casa no primeiro obstáculo. Ficaria claro, no entanto, que essa não seria uma viagem comum para um show qualquer.
“Assim, mais tarde, naquela noite, subimos na traseira de dois caminhões com cores chamativas que rumaram ao longo da noite até Sarajevo”, continua Dale. “Logo se tornou bastante óbvio que essa não era apenas uma pequena viagem normal de um lugar para o outro. Havia trincheiras aqui e ali, algumas estradas tinham sido destruídas, e havia bloqueios militares nas estradas, mas estranho mesmo era o fato de não haver ninguém nas ruas e muito poucos sinais de vida em qualquer lugar. Na maior parte do tempo, tudo estava escuro. Não havia casas com luzes ligadas. A maior parte da eletricidade havia caído. Um dos poucos sinais de vida foram tiros esporádicos que ouvimos ao longo da noite. Disseram-no que a maioria desses tiros era disparada por bêbados, mas isso não nos tranquilizou muito. Nós só paramos uma ou duas vezes na viagem e não vimos ninguém, com exceção dos soldados nos bloqueios de estrada. Quando paramos, nos alertaram para permanecermos no meio da estrada, mesmo se fosse para mijar. Você não sabia quem poderia estar à beira da estrada ou se o terreno era minado. Aquela viagem de repente ficava muito séria.”
O grupo passou pressionado pela zona de guerra rumo a seu destino, que agora já assumira um tom um pouco mais sério do que a ‘aventura’ que havia seduzido a banda, inicialmente, no papel.
“Chegamos à periferia de Sarajevo enquanto amanhecia. Em um posto de controle do exército bósnio, passamos do caminhão da instituição de caridade para um veículo blindado da ONU. Fomos alertados para que mantivéssemos nossas cabeças abaixadas, uma vez que franco-atiradores eram comuns por ali. A caminho de Sarajevo, vimos que a maioria dos prédios tinha buracos de balas, alguns eram cheios deles e em alguns faltava um pedaço inteiro do muro. Havia um buraco de bala na parede próxima ao meu beliche, no quartel da ONU quando chegamos lá; achei isso um pouco inquietante. Havia tanques abandonados aqui e ali, algumas casas tinham fumaça saindo delas – as pessoas cozinhavam nessas fogueiras.”
“E isso que era incrível. A vida seguia para as pessoas de Sarajevo. Elas haviam perdido o telhado de suas casas, não tinham energia elétrica ou gás, estavam sem lojas ou dinheiro para comprar as coisas, de qualquer maneira; estavam excluídas do mundo, seus irmãos e irmãs estavam mortos, seus filhos haviam sido recrutados para a linha de frente e, ainda assim, elas seguiam suas vidas. Quando conhecemos as pessoas em Sarajevo, elas eram, em sua maioria, muito alegres, muito generosas com o pouco que tinham e simplesmente tinham um espírito tremendo. Isso foi o que mais me afetou.”
“Sabe... aqui na Inglaterra e no Ocidente, nós sempre reclamamos de tudo – do clima, do dia a dia, do preço das coisas, de chegar em casa tarde depois do trabalho, de não ter o último DVD... Lá eles não tinham nada. Tudo havia sido tomado deles. E ainda assim eles sorriam.”
“A apresentação que fizemos acabou sendo a parte menos importante da viagem, em certo sentido. Foi um bom show, e a plateia estava muito, muito grata, mas a parte da viagem que mais marcou minha mente foi uma visita que fizemos a um orfanato (cujas emoções não consigo descrever em palavras) e as conversas que tivemos com os moradores locais, nas quais ouvi coisas tão horríveis e ainda assim corriqueiras sobre vida e morte para aquelas pessoas. Então, deixamos Sarajevo, passando por pontos de controle do exército sérvio, e um helicóptero Sea King e um avião de carga Hercules nos transportaram para uma Grã-Bretanha imersa no consumismo e na indulgência excessiva da época de Natal. Ainda estávamos todos um pouco chocados e espantados pelo que havíamos presenciado. Acho que isso deixou uma impressão profunda em todos nós. Até onde sei,  nenhuma outra banda estrangeira tocou em Sarajevo durante o cerco.”
Dickinson chegou à capital da Bósnia no domingo, 13/12/15, e ficará lá até terça feira, 15/12, participando da gravação do DVD/ Documentário Scream For Me Sarajevo, comemorando os vinte anos dessa apresentação
O DVD ainda não tem data prevista de lançamento, embora tenha começado a ser gravado em dezembro de 2014 (época em que Dickinson foi diagnosticado com câncer).
Muitos fãs de Dickinson não gostam de seu trabalho com a banda Skunkworks, mas é inegável, diante dessa viagem que fizeram, que Bruce e seu grupo de músicos eram muito mais do que apenas uma simples banda. Passaram por uma experiência incrível e perigosa, mas conseguiram colocar um pouco de alegria nos corações das pessoas que puderam se distrair de seus problemas, mesmo que por uma hora, e curtir um bom show de rock.



Fonte: Bruce Dickinson – Os altos voos com o Iron Maiden e o voo solo de um dos maiores músicos do heavy metal

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