Bruce Dickinson: Como foi tocar com o Iron Maiden dentro da Cortina de Ferro e sobre nunca ter sido punk


“Não sabemos ser legais, e não nos importamos”

Muitas bandas de metal cantam sobre demônios e outras criaturas de lugares irreais. O Iron Maiden é uma das únicas que realmente poderia ser classificados eles próprios como ‘não humanos’. Eles dão a qualquer banda com um terço de suas idades um pânico congelante de entrar no palco, já que eles conseguiram, de algum modo, manter-se no auge da bravura desde os anos 80, entrando todos agora na casa dos 50 anos de idade. Seu trio de guitarristas, Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers – ainda detona com a graça e poder de um Olimpic (famoso e luxuoso navio britânico). O vocalista Bruce Dickinson, em particular, corre o aproximado a uma maratona a cada show, e o Air Raid Siren ainda tem poder vocal o suficiente para transformar cada show do Maiden em um espetáculo grandioso. Isso, além de Dickinson levar a banda em seu próprio avião – que tem sido bastante comentado, mas nem por isso é menos interessante – e derrotando um ataque de câncer de língua.
O Maiden também acaba de lançar “The Book of Souls”, seu décimo sexto álbum de estúdio, que traz de volta a influência progressista que a banda primeiramente mostrou em Somewhere in Time, e em Seventh Son of a Seventh Son, no final dos anos 80. A maioria de seus colegas não tentaria compor uma canção com 18 minutos (Empire of the Clouds, escrita apenas por Dickinson) aos 40 anos de carreira, mas o Maiden não é seus colegas. Não estão nem perto do final – o céu pode esperar, afinal.
Bruce recentemente falou à SPIN sobre como foi tocar na Polônia, durante a guerra fria, o segredo da longevidade de sua banda, e sobre o novo álbum.

Eu sei que você passou um susto com sua saúde recentemente. Isso fez você refletir sobre o fato de que muitos de nossos ‘heróis do metal’ são humanos, também?

Bem, nós nunca achamos que eles não fossem. Obviamente, as pessoas adoecem e morrem, envelhecem e morrem. Uma vez que você passa dos 27 anos – tendo sobrevivido à idade mais letal do rock -, uma vez que você passa dessa idade e não teve overdose, então você provavelmente vai sucumbir a algo bem estúpido, como um piano caindo na sua cabeça, ou batida de carro, ou caindo da bicicleta, sabe como é?

Parece que você corre uma maratona a cada show. Você corre o palco inteiro. Qual é o segredo? Você faz algum regime?

Eu não faço nada em turnê, além de ir e pular no palco. Quando estou em turnê, tudo o que eu faço é no palco, e o resto do tempo eu apenas relaxo. Eu realmente uso muita energia no palco, e por isso eu preciso de um tempo de descanso decente. A última coisa que faço durante meu tempo de descanso é correr. Eu apenas tento comer bem e não beber muito – eu bebo cerveja, mas nada mais. Eu bebo muito café, mas ei, eu gosto de café. É só isso. A razão de eu ter tanta energia para detonar no palco é a música.

Em sua próxima turnê, vocês irão tocar na China e em El Salvador pela primeira vez. Como você se sente sobre isso?

Tocar na China – eu nunca sequer estive na China. Eu espero que seja uma experiência perfeita e extraordinária. O equivalente à última vez que fizemos algo assim foi quando tocamos na Polônia, por trás da Cortina de Ferro. Veremos como vamos ser recebidos na China. Na primeira vez que tocamos na Índia, tivemos uma vibe similar, jovens nos seguindo para todo lado. Em El Salvador tenho certeza que será uma loucura.

O que você se lembra da experiência na Polônia?

Foi fantástico. Nós éramos cercados aonde fôssemos. Parecia que estávamos libertando o país todo. Foi uma experiência fantástica.

É realmente fascinante como a música do Maiden se espalhou por todo o globo.

Obviamente, estamos muito satisfeitos, e o novo álbum eu acho que cimentou esse relacionamento com os fãs, especialmente os mais novos, que se uniram a nós nos últimos 4 – 5 anos.

Você sente a responsabilidade de atrair os jovens para o Maiden?

Não vejo isso como responsabilidade, mas é algo que vem naturalmente, felizmente. As pessoas que gostam do que fazemos descobrem o novo álbum.

Você vê fãs mais velhos levando seus filhos para os shows, agora.

Ocasionalmente, você vê algo assim. Mas, se isso aconteceu, não é tanto quanto as pessoas imaginam. Nossa plateia, a que realmente nos mantém na ativa, está entre 15 – 25 anos. As primeiras filas nos shows na maioria dos lugares é ocupada por garotos muito mais jovens.

Isso é muito importante.

Veja bem, como uma banda, você recebe um feedback da plateia, e isto te estimula a fazer maiores coisas no palco. Se eu me virasse e visse na plateia um bando de pessoas da minha idade, eu acho que iria para casa e daria um tiro na cabeça.

Eu acho que isso leva a uma pergunta maior – como o Maiden se mantém relevante por tanto tempo?
Porque fazemos o que fazemos com honestidade. Nós não nos aproveitamos do comercialismo, nós ignoramos a moda, nós não sabemos ser legais, e não nos importamos. É tudo sobre a música.

Comparado a outros grandes nomes do metal, nunca houve um momento em que o Maiden tentou ser comercial. Não há um ‘Turbo’ ou ‘The Black Album’. Como vocês resistiram a ceder a estas pressões?

Nós apenas as ignoramos. Tenho certeza que a gravadora adoraria se fizéssemos três ou quatro músicas para o rádio, mas isso nunca vai acontecer. O inferno congelaria antes de fazermos este tipo de merda.
Por sorte, temos um ótimo empresário, e ele arrancaria a cabeça de qualquer um que tentasse nos incomodar artisticamente. A gravadora nunca, nem uma vez, em todos estes anos em que estou no Maiden, entrou no estúdio de gravação. Nos anos mais recentes, nem os empresários entraram no estúdio de gravação. Nós fazemos o álbum, nós estamos felizes assim. Então, é isso. Pronto.

Este álbum em especial é longo e vai além.

Temos seguido esse caminho por um bom tempo com os álbuns anteriores. E The Book of Souls, nós o gravamos de um modo levemente diferente – nós fomos para o estúdio e ficamos lá desde o começo, invés de transferir a música para o estúdio do nosso estúdio de ensaio. Por isso, foi mais fácil gravar algumas das músicas mais longas, mas ainda mantendo a energia e a espontaneidade. Eu acho que se nós tivéssemos que ensaiar e depois encaixá-las no tempo e espaço, não teríamos tido um resultado tão bom.
O fato de ser um álbum duplo foi mais ou menos um acidente feliz. Ele não foi planejado para ser um duplo, mas acabou funcionando deste jeito. Nós chegamos a seis faixas, e dissemos: ‘Nós não vamos parar agora, só teremos seis músicas no CD’, porque ainda estávamos pensando em termos de CD. Na verdade, ainda pensamos em termos de vinil, com vinte minutos de duração de cada lado. Nós temos então um vinil triplo, o que é demais!

O primeiro single, “Speed of Light”, é como se pegasse uma música do Deep Purple e desse um toque do Maiden clássico. Vocês estavam voltando a seus anos de início, com este álbum, de alguma forma?

Não exclusivamente, mas todos nós somos muito fãs de Deep Purple. Adrian escreveu o riff, e eu pensei: ‘isso soa como algo saído do Burn!” Vamos fazer uma homenagem para o Purple, com um grito estilo Ian Guillan, no começo – o resto dos riffs soam como algo que poderia ter estado em Piece of Mind.

Este álbum, também, mostra as influências progressivas que o Maiden sempre teve.

O Maiden cresceu ouvindo coisas – especialmente o Steve – do tipo Genesis, ‘Supper’s Ready” e coisas assim. E sim, eu era um grande fã de Vander Graff Generator, então sim, nós crescemos ouvindo este tipo de coisa, bem como The Doors, Sabbath, Thin Lizzy e Jethro Tull. Para nós, é tudo um único tipo de música – não há segmentação.

Algumas coisas do material antigo soa um pouco punk, também.

Se você ver as entrevistas antigas do Steve – ele odeia punk rock. O primeiro álbum do Maiden soava punk porque soava como um saco de merda. Ele (Steve) odeia aquele álbum. O primeiro vocalista (Paul Di’Anno) deu a ele aquele tipo de vibe, mas o punk foi colado à banda pela imprensa. A banda odiava aquilo, porque de maneira nenhuma o Maiden era, nem remotamente, uma banda punk. Assim que Killers saiu, o que era um álbum que soava de modo muito mais apropriado, ficou óbvio – cadê a coisa punk em Killers? Você tem ‘Murders in the Rue Morgue’, que poderia basicamente ter estado no in Rock, do Deep Purple; você tem ‘Prodigal Son’, uma baladinha progressista; você tem ‘Twilight Zone’, todo esse tipo de material – aonde está o punk? Não está.

Fonte: spin

Sobre Sah

Sah

1 comentários:

  1. Grande Bruce! Estou ansioso, no aguardo pelo maiden no brasil em 2016!

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